Meu primeiro livro virtual

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Cultura racional


O homem é ser vago, sem destino,
Nasceu sem saber o porquê.
Nasceu se saber pra quê.
Assim prega a cultura racional;
Pô, sendo assim meu, estou mal...
Cultura, veja para onde nos remete
Veja também o que nos promete...
Não era assim nem no medieval.
Lá, o destino era definido
O homem tinha por sabido
Que o que era,era e nada iria mudar.
E o que temos a ver
Com este lero-lero filosofal?
Mor,de uma forma ou de outra
Qualquer das premissas incomoda
Não há saída, uai, virou moda?
Na primeira, por destino ou desatino
O que o mundo nos dará?
Na segunda,por determinismo
O que será, será...
Assim sem poder de escolha
E usando a indução
Deixemos de lado a filosofia
Vivamos pelo coração...

...E OUTRA VEZ

...E DE NOVO

Apague a luz, deixa a penumbra...
Somente a luz das estrelas.
E a noite, que pede pra ficar.
Quer assistir a um belo ato da vida.
Ah sim, sem música...obrigado.
Nossos corpos cantarão o amor.
Canções que outros corpos cantaram
Mas não como a gente...
Seremos regidos pelo diapasão do amor.
Sem ritmos binários ou afins
Apenas o da paixão.
....meus olhos te desnudando...
em sonhos, quantas vezes te possui
eu, vou faze-lo agora.
Nosso leito, pedacinho de céu
Vou toma-la em meus braços
E o amor será puro,o pecado não esta em nós...
Beijarei o teu corpo antes de te-lo
E depois, vou quere-lo mais e mais
E com carinho infinito, vou te olhar nos olhos
Quanto entrar pelos teus mistérios
Para nele deixar fluir livre
O amor imenso que existe em mim
E juntos, em um único momento
Deixaremos que nossos corpos em uníssono
Se completem e se prostrem exangues
E na languidez do nosso amor vivido
Se coloquem prontos para nova batalha
E na penumbra somente com a luz das estrelas
E com a noite, que insiste pra ficar
Recomeçarmos...e de novo...e outra vez

VULGÍVAGAS

Vinha de lá...
Era uma garota de boate.
Não sei a cor...azul , não era.
A saia, mini...o decote, maxi.
Os saltos dos sapatos, altos.
O juízo, baixo...
Quantos anos?talvez uns vinte.
Parecia inoc...não, não parecia...
Passou por mim, sorriu.
Menina de transas, não é mais criança...
Na hora, o que me veio à cabeça...
Tanto pra pensar e eu...música.
Má quà, como cantava a Dóris
O que será, será...
Convidei-a para um café, bar da esquina.
Os presentes olharam...olhos de fome...
-Teu nome ?
-Deixa pra lá, nesta vida....nome...
Parecia a irmãzinha de alguém
Na verdade era...de quem?
Além do nome oficial, não tinha parentes
Também sem passado e sem futuro.
Menina de transas...o dia foi ingrato.
Como eram ingratos, sempre: por mais que faturasse.
Fazia...sem emoção maior.
Contou-me a sua história...seria estória?
De qualquer forma, origem?...escória.
Os entendidos chamam de excluídos.
Caminhando pela calçada, no horizonte o sol, novo dia.
Sempre um novo dia...menos pra ela.
Condoído, peguei sua mão...macia.
Fazia com ela, carinhos que não recebia.
É raro o homem que faz carinho em...pagam.
-Quer subir? Eu moro aqui.
Querer, eu queria...podia?
Roubei-lhe um beijo...sim, roubei.
Deus, era o tipo certo da mulher errada.
Roubar um beijo de uma mulher daquelas..só eu.
Mas sou eu quem agora está aqui...assim
Na boca, nada ficou...
Na alma, enraizou.

NEM AO MENOS UM POEMA.


Foi vida de muita luta.
Até por descaminhos, eu caminhei.
Ambicioso, ter tudo...era meu lema.
E ainda cedo fui na busca...
O mundo é grande; eu, pequeno.
Mesmos com a mania de grandeza, cabíamos nele...
Filho, não perca o seu tempo.Olha o futuro...
Fazer a vida, único objetivo. Felicidade...
Na riqueza há felicidade que baste.
E assim, deste mundo provei o mel e o ferrão.
E se o venci, por certo, com o coração não foi.
Consciência? Quantas vezes a esqueci.
Mas agora vejo, adiantou ter sido assim
Tendo tudo, eu sei que nada tenho.
Fiz fortuna, fiz a fama, até amigos fiz...
Vi muitas terras, muitas fronteiras cruzei.
Deu tudo certo, quase tudo...só um senão.
E meu amigo, foi ai que eu errei.
Não tive amores, mulher alguma eu amei.
E agora, o passado está....no passado.
Não há remédio, o presente não se pode perenizar.
Ele, dizem tem este nome, pois o é.
E presente se agradece...
Agradece-lo como?
Este grito no silêncio do meu quarto
Diz que agora,agradecer ou reclamar, não vale a pena
Bem ao contrário do poeta Martinez
Nada restou...nem ao menos um poema

EH MOLEQUE !



Pensei...fiz...
Tênis nos pés, boné na cabeça...fui.
Ir onde?...onde eu me sentia bem.
Onde eu fazia o que gostava de fazer?
Tardes de pescaria...
Passeios ao longo do Baguaçu e Machadinho.
Nossa, poderia fazê-lo agora de olhos vendados.
Ou não...o asfalto, os carros...o progresso.
Depois das aulas no I.E., pernas pra quem te quero.
Era como se falava na época...
Chovendo ou não; maior impedimento: notas ruins...
Íamos...por onde andará o Shiniti. Borózinho, morreu.
Como tudo mudou!
Rios sujos, só nas enchentes; até catarata, tinha...
Sei lá, ficava atrás do curtume...por certo, canalizada.
Era pequenina...ficava num mundão que era nosso.
Arame farpado, horta do japonês,colonião, figueira
Nossa, a figueira...quantas aulas enforcadas...
Quantos pés-de-ouvido do padre ...sininho desgraçado.
Prainha, matadouro, bosteiro...
Ué, lá mesmo....nêgo, o tamanho dos bagres...
Até picada de cobra...Santo Deus.
Eu era feliz....só que eu sabia.
Nas enchentes. Não sei como ninguém morreu...Ele.
Nos atirávamos na correnteza atrás dos ingazeiros.
Levou minha infância, levou todos os meus amigos.
Inimigos, não tinha.
O que havia, era algum irmão jurando te matar...
Além do Shiniti e do Borózinho, o Paulo se foi...
E os ¨gemeos¨se foram também...
Cleusa, Neusa e Maristela ainda estão por ai...felizes? espero...
Mas uma coisa sei, o moleque em mim, ao morreu...


LIVRE ARBÍTRIO




Vem,vamos sair por ai
Hoje é domingo, o céu está de brigadeiro
Ir pela floresta até o rio...
Ver o que a natureza nos ensina.
Ficaremos quietos e imersos em contemplação.
Voçê verá os peixinhos nas águas limpas
Nos galhos, talvez um pica-pau
E nas flores, suspenso no ar, um bonito colibri.
Veja lá no pé daquela aroeira, um tatu-galinha
Uma árvore de gabiroba, uma maria-preta...
Tudo, para dar suporte à vida.
Concentre-se e sentirás a presença Dele.
Não é possível que tanta beleza tenha nascido do caos.
Tudo obedece a um projeto muito bem elaborado.
Até a morte é importante no processo da vida.
E a sobrevivência na natureza se faz sem ofensas e ódio.
Por isso se que diz que tudo acontece naturalmente
É...na natureza as coisas são assim.
E nós, como nos encaixamos neste esquema?
Na natureza, não existe insensatez...nossa maior característica.
Nela, tudo acontece como Deus fez.
Mas questiono: Ele não foi também nosso arquiteto?
E por quê então...
Será porque nos legou o livre arbítrio?
Algo que foi dado aos humanos para facilitar suas escolhas
Um meio para que selecionassem suas ações pela reflexão?
Então o livre arbítrio foi presente de grego?
E com ele nos tornamos os verdadeiros animais?
Sabe querida, no que somos diferentes? Na ambição...
Por causa dela nos esquecemos da nossa finalidade maior
Amar ao próximo como a nós mesmos.
Na natureza existe sentimento, existe amor?
Lá existe o natural e o natural é Deus.
E nós nos afastamos do natural...
Como diria Descartes: logo...
E ele não estando em nossas relações, voltamos ao caos
De onde, dizem, viemos




PRAGMATISMO


Até que não faz muito tempo.
...o processo de degradação...
como casa abandonada, esquecida
minh’ alma mostra a poeira, os fungos
e além do mofo...penumbra.
e incerteza...é, foi o que ficou.
De uma casa em decadência, muda-se.
Mas, de dentro da gente, como sair?
Então, fui ficando comigo...
Boa companhia pra mim, eu não era.
Enquanto o meu mundo rui
No entorno, a vida flui...
Na palmeira,,as maritacas fazem zorra.
Uma bola passa, jogada por uma criança
O casal de namorados...namora
Olha uma bicicleta chocando-se ao muro
Joelhos e braços lesionados
Cicatrizes que, já já, nem lembranças serão.
Ao passo que as minhas...
Lembro-me perfeitamente.
-bom dia, serviço de controle da dengue...
abri a porta da minha casa
coloquei uma ¨mosquita¨dentro dela.
Agora, os sintomas de uma doença sem cura...
Vieste como borboleta mas deixaste larvas
Meu coração foi criadouro propício.
Teu jeito, tua beleza...terminei infectado.
Eu era só,ocupaste os meus dias
Não tinha um amor, voçê o colocou em minha vida.
Sem fé, voltei a crer...egoísta, voltei a dividir.
E amei...sem limites, eu te amei.
Ninguém ama assim...nem em poesia.
A isso se chama pragmatismo.
¨só vou gostar de quem gosta de mim¨
se aparecer outra em minha porta
juro, vou ser prático...
abro a porta e deixo entrar.
E seja lá o que Deus quiser