Meu primeiro livro virtual

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Avelhantar





Viver e não ter a vergonha de ser feliz, assim disse o poeta-cantor.

Mas envelhecer é perder o viço, avelhantar...perder a frescura.

Se bem que tem cada velho fresco por aí....

Uma vida é cheia de tudo; não é vida, quando falta o tudo.

O que é tudo na vida?

Acho que tudo se resume em viver cada minuto como se fosse o último, tendo anseios e tentar vivê-los e se não conseguir , substituí-los por novos....e depressinha.

Continuar buscando aquele sonho . Como na seaara, nem tudo se colhe mas o que se tira dela sempre fortalece e ajuda a viver.

Cantar e cantar e cantar....

Perder o viço...Nada de perder o viço; conservá-lo sempre e há meios interessantes para fazê-lo.

Por exemplo, ter uma religião mas nunca usá-la como uma apólice de seguros; tenha forças para enfrentar as vicissitudes da vida, nunca busque refúgio em nenhuma religião. Tenha uma como meio para alcançar forças e ajudá-lo na busca da felicidade.

Nietzsche disse que quando se olha o tempo como se olha um abismo, o abismo fica de olho em você.

Um erro que todos cometem na vida é procurar um geriátra quando atinge uma idade mais avançada. Há que se procurar um na mocidade, para que ele oriente sobre a melhor maneira de se levar a vida a caminho da velhice.

Penso como o João Ubaldo Ribeiro, este negocio de melhor idade é bobagem, eufemismo tonto: chega-se à velhice mesmo.

Os avanços na tecnologia, na medicina em seus mais amplos segmentos estão à disposição de todos para uma velhice plena de forças e felicidade.

Mais do que manter o seu corpo saudável, mantenha a sua mente. O resto lhe será dado por acréscimo.

Como manter uma mente saudável.?

Primeiro mantendo o corpo e este lhe dará o apoio necessário para lutar. Nas artes em geral você encontrará o alimento para a sua mente.

Não sabe pintar? Tente a escultura. Tem uma voz desgraçada de ruim? Aprenda a tocar violão ou outro instrumento. Na literatura se não gosta de ler, aprenda a gostar.

Não demora esta fazendo poesia, escrevendo crônica ou conto, participando de concursos de literatura, recitando poesias em saraus. Dona Emília Goulart já ganhou concursos e escreveu livro. Está prontinha para a Academia de Letras.

Ganhadoras de concursos temos a Marianice Paupitz, a Wanilda Borghi, a Ana Zaher, o Anísio Canola.

Não vá para o além do combinado sem tentar; lute para ser feliz e quando for, vá com um sorriso no rosto. Coisa mais feia é defunto com cara de tacho.

Quer um exemplo: conheci uma senhora, viúva, à beira da depressão; nada a animava, a motivava. Um dia foi a um destes bailes de terceira idade arrastada por uma amiga. Na segunda vez não foi fácil convencê-la. Ta terceira já foi mais fácil e assim...

Um dia, quando estava saindo para o baile, o filho gritou:

-Mãe, o Tião telefonou. Mãeeeee, quem é o Tião?

-Cuida da sua vida, moleque; ora, mas que diabo!

E o filho viu a mãe indo lépida, com a bundinha arrebitada, ao encontro do baile...ou do Tião.

O sofrimento nos torna amargos, atrapalha a nossa saúde e sozinhos, não conseguimos encontrar nossos Tiãos ou Tianas, que algumas vezes são escolhas pessoais que devemos fazer para viver com dignidade. A solidão, o estar só não se coaduna com o ser social que somos.

Hoje, no mundo, os idosos ultrapassam a cifra de 20% da população e não adianta Estatutos que lhes protejam se não sacudirem o lombo e entrarem na nova era que lhes é apresentada.. É preciso que os idosos sintam a necessidade de defenderem os seus direitos, lutem para serem respeitados

Lute, caso necessite, por um trabalho decente.

Não necessita?

Uai, corra atrás de um bailezinho mesmo que não seja lá estas coisas....será um tanto quanto sacana se você quiser. Mas tudo bem, passa uns tempos no purgatório e zera a conta com Ele.


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciados blogueiros, site aracatubaeregiao.com.br e nova academia virtual poética brasileira


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ponto e vírgula




Folha da Região 19/10/2011
Caderno Vida Soletrando





O facebook e o blog são ferramentas; às vezes elas escapam das mãos e causam estrago. E como são pesadas, se atingem os pés ou a cabeça, dói pra dedéu.
Foi o que aconteceu...
Cristina, enfermeira padrão de um grande hospital de uma cidade do sul do país, casada, mãe de dois filhos adolescentes , por um destes desígnos da vida entrou no blog de Riberto, advogado aposentado, divorciado , residente em Manaus. Como se vê, uma no Arroio Chui e o outro longe dali. Comentário vai, comentário vem e descobriu-se uma afinidade: o amor pela literatura, sobretudo pela poesia.
Um dia uma proposta: quer duetar uma poesia minha, pergunta ela.
Ele aceitou.
Por email uma foi enviada, poesia de amor; havia algo mais “ escrito” nas entrelinhas. Há sempre em todas as poesias de amor, algo mais escrito entre elas. Riberto entrou no espírito da coisa , caprichou nas rimas e a cadência foi tanta que atingiu em cheio o coração de Cristina.
Correspondência vinda carrega de paixão e voltando com sobrecarga.
Coisas como : estou faminta de troca, de identificação com um homem que queira e se disponha a ler o meu coração ou ainda : tenho o amor que encontra no sexo uma de suas mais belas e concretas formas de expressão – a paixão.
O que começou com simples comentários no blog atingiu a ambos de forma avassaladora; sem ao menos saberem como eram fisicamente, uma paixão veio como um tsunami. Precisavam consumá-la ; entregarem-se era preciso.
Ela propôs encontrarem-se; ele titubeou...ela percebeu.
Mas como ele poderia aceitar sem pensar bem nas conseqüências? Ele, divorciado e só, nada teria a perder; poderia ganhar um coração cheio de amargura para carregar pela vida a fora. Ela, no entanto, se percebessem que não poderiam mais viver separados, teria a coragem necessária para dar às costas ao marido e aos filhos adolescentes, foi-lhe perguntado...foi a vez dela titubear.
Titubeou mas ficou magoada; não queria ouvir aquela pergunta. Ninguém gosta de perguntas para as quais não tem resposta.
Estabeleceu-se o conflito; as dúvidas que antes eram sufocadas pela alta temperatura erótica dos emails e msn com frases carregadas de palavras fortes , às vezes até chulas mas que davam a real imagem da orgia virtual que os dois aprontavam se sobrepuseram a tudo.
-Riberto, eu preciso fazer algo para mim mesma. Eu não posso mais protelar porque ser feliz e cuidar de mim mesma é algo urgente. Ao cuidar do meu coração estou também de alguma forma cuidando das pessoas a quem amo e que me amam. A minha hora chegou e é agora. Isso, no entanto, não significa que estou disposta a magoar,a ferir o homem que dedicou toda a sua vida a mim. Temos uma relação muito prazerosa, ele me valoriza demais e me cerca de amor....confia na relação sólida e bonita que a gente teve e tem.
Riberto estava a ponto de correr ao encontro dela e que fosse lá o que Deus quisesse mas ante ao descrito por ela, um fato se agigantava: ela queria muito mas balançava entre dois sentimentos fortes: a gratidão ao marido e o amor por ele...e que talvez nem amor fosse e sim uma desgraça de uma paixão sem tamanho.
Homem vivido, sabia que a fogueira da paixão tem poucos gravetos.
-Cristina, loucura eu não vou fazer. Não vou ser o artífice ,não vou ser a causa da sua desgraça. Precisamos dar um tempo para nós dois.
-Riberto, o que não posso fazer é me machucar, ir do céu ao inferno tão rapidamente. Não é justo. Obrigada por colocar-me frente à realidade e realmente não existe espaço para amar sem querer estar juntos e ficarmos juntos, pelo menos por enquanto...
-Cristina, talvez seja melhor, mesmo que sofrendo, colocar um ponto final na nossa história.
-Façamos assim Riberto, Por enquanto nada de ponto final...coloquemos um ponto e vírgula


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciados blogueiros.blogspot.com, site aracatubaeregiao.com. e nova academia virtual poética do Brasil.

domingo, 9 de outubro de 2011








O professor Pedro pediu-nos um texto para o encerramento do curso de crônicas; tema livre. Pensei:

- O cara sabe complicar. Dá logo um tema. Vou falar...vou falar sobre...

Olho na parede e lá está projetado PAUSA, PAUSA, PAUSA....

Verdade, estamos todos vivendo uma pausa nesta vida. Um intervalo no qual o que menos fazemos é preparar as coisas para a próxima etapa.

Poxa vida, preciso desenvolver o tema livre que o coiso pediu.

Quanta insensatez, quanto desamor , quanta fala de responsabilidade que....

Ah! Meu Deus, como esta mulherada fala. Como concentrar para escrever. Olha só a voz de gralha no ninho da Elaine Alencar. Depois vem a psicóloga, defensora dos índios e demais excluídos . Senhor, levai-as todas para o seu reino.

-Fiiiiilho, pensa bem, se atendo o seu pedido, como é que você e os seus irmão em Cristo vão fazer? Pensa bem, seu bu....filho.

-Tá Pai, verdade...deixa as minhas irmãs em Cristo por aqui mesmo mas por Cristo, que falem mais baixoooooooo....

Como estava dizendo, melhor escrevendo, esta vida nos foi dada para que nos façamos merecedores do céu através das boas ações , pelo amor ao próximo...

-Como amar o próximo quando ele esta próximo, falando como doida : Pai, dá uma olhada, melhor ,escutada na Marianice. Pensa que está sozinha aqui na sala. Amar o próximo de que jeito?

Bem continuando....

-Fala homem de neanderthal.

O cara quer um texto mas não me dá sossego para fazê-lo... Vai dar o curso em Lurdes, em Andradina, na China mas pô, dá um tempo.

Voltando na questão da pausa, aquele intervalo no qual deveríamos nos preparar para a vida eterna, acontece que poucos são os que....

-Quer saber de uma coisa, não vou escrever mais m...coisa nenhuma. Este povo não cansa de falar, um calor desgraçado e o café esperando na mesa, como disse o poeta.

-Pai, sabe de uma coisa, eita turminha boa esta do curso e que curso mais chique.Vou sentir falta desta cambada.

Fui.


Última tarefa pedida como encerramento do curso de crônica

terça-feira, 4 de outubro de 2011

DESTINO

 

“ Aos pés da santa Cruz, você se ajoelhou e em nome de Jesus, um grande amor você jurou...”

A história se repete e vai se repetir para sempre, porque como já disse o poeta “ o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações “

Pedros se apaixonarão por Marias, Marias se apaixonarão por Pedros...até que surja uma Joana para Pedro ou um Ricardo para Maria.

E então...

Raramente, acho, uma união se dá por um interesse menor, como por exemplo, a pura intenção de aumentar um patrimônio ou ainda com o objetivo de obter um visto de permanência.

Duas pessoas se encontram na vida e vão se descobrindo aos poucos até perceberem que não é só por belo par de olhos verdes ou azuis ou de pernas, ou ainda por causa de um colo espetacular ou um físico maronbado tipo Banderas.

Isso tudo ainda não é tudo. Existe como elemento aglutinador um quê que a gente não sabe o que é mas que é fundamental para que Pedro se apaixone por Maria e vice versa.

Assim envolvidos em enlevo, juram fidelidade eterna. Vinicius, o poetinha, completou sem medo de errar: eterna enquanto dure.

Mas aglutinar, segundo o mestre Aurélio, também pode significar justapor, por ao lado...e é ai que tudo acontece.

Se acontece de bom ou de ruim, mera questão de ponto de vista.

Pedro casou-se com Maria e tudo corria bem até que surgiu Joana.

Na justaposição , quem sobrou foi Maria...

Culpar a quem?

Deus?

Pedro?

Joana?

Maria?

Mas não tenham pena de Maria. Ela tomou o destino dos braços de Ricardo. No caso, o destino não acabou em desatino.

 

Trabalho para as aulaCópia de mão na cabeça de estruração  de textos ministrado pela professora Marilurdes Campezzi

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Invadidos e invasores


Foto de Antônio Assis/fotoReporter?AE



A origem dos Araçatubenses está lá no genocídio cometido contra os índios que habitavam a região, quando os trilhos foram caminhando, qual serpente peçonhenta, pela mata. Os índios não foram convidados para integrarem-se ao grupo no chamado processo civilizatório com o qual se ocupava efetivamente o território.
Houve o choque natural das culturas, dos interesses e o menos dotado de recursos sucumbiu... Sucumbiu ou se submeteu ao trabalho escravo na própria ferrovia, o que dá na mesma. Onde não foi assim?
A diferença para outras histórias de conquista é que não chegaram por aqui em cavalos velozes, brandindo pesadas espadas e cortando cabeças à granel, sodomizando conquistados...Se bem que, sei lá!
Não havia a intenção do genocídio, mas ele aconteceu porque defenderem-se era preciso....assim como navegar, cortar árvores para os dormentes, abrir a selva para o cavalo de aço cavalgar, construir as moradias para os trabalhadores era também preciso.
E onde estas coisas eram feitas? Na terra dos índios....Mas as terras eram dos índios mesmo ou eles a estavam ocupando; infelizmente o direito de propriedade estava nas mãos dos invasores pelo direito de conquista.Onde não foi assim?
Somos civilizados? Ah! então sabemos que a lei faculta em muitos casos revisão dos processos e, se for o caso, dar à sentença um efeito retroativo. Cometemos crime...Devolvamos as terras aos índios ou aos seus descendentes e vamos todos morar nos... nos... Vamos coisa nenhuma, eu sou tataraneto de índios. Vão vocês.
Os americanos, com suas consciências pesadas, hoje torcem pelos índios nos filmes e vibram quando o general Custer leva aquela bala no peito; imortalizaram o tal de Touro Sentado e o Cavalo não sei das quantas.
Nosso maior crime: aqui os índios foram aniquilados fisicamente e nem na história permaneceram. Os poucos que ainda estão por aí não são tratados com o respeito devido. O crime continua. O que os Australianos ainda hoje fazem com os aborígines? Então...
Mas poderia ter sido de outro jeito? É o progresso. O homem não poderia viver eternamente na idade da pedra lascada, tanto que veio a polida e assim até a decodificação do genoma, da nanometria e outras descobertas.
Não tem jeito, para que alguém ganhe, alguém tem que perder.
Agora só nos resta ser dignos daqueles que fizeram a nossa história. Invasores e invadidos fizeram-na. Estão em nosso DNA e somos um pouquinho de cada um.
Eu tenho o maior orgulho...

Curso de crônicas – senac - trabalho em sala de aula.

domingo, 18 de setembro de 2011

A CHUVA










A CHUVA


Na verdade a vida é uma dualidade. Temos o côncavo e o convexo e não fora assim, não haveria perpetuação da espécie...ou o malabarismo não seria para qualquer um, se é que me entendem.
Temos ainda o alto e o baixo, gordo e o magro, o preto e o branco, o feio e o bonito e finalmente os que querem e os que torcem contra.
Há um bom tempo que não chovia, a estiagem estava a destruir as plantações. Dava pena de ver os caroços de algodão se abrindo e o seu fruto secando sob a ação de um sol inclemente. A alface, quando colocava a carinha para fora, já era aniquilada ao lado do pé de almeirão que lhe fazia companhia na horta.
A freqüência às minhas domingueiras foi aumentando a tal ponto que o pároco temia não haver lugar para todas as suas ovelhas se acomodarem.
Não resistindo mais àquela situação a providência in extremis foi fazer a novena que exigia mais sacrifício dos seus participantes.
Munidos de grandes baldes ou outras vasilhas, os fiéis desceriam a grande ribanceira indo até o rio, rezariam dois rosários inteiros acompanhados de todas as canções sacras e depois subirem o grande aclive com as vasilhas cheias de água, apoiadas em rodilhas de pano no alto da cabeço ou nos ombros.
Não era raro alguém sucumbir ao cansaço e sair rolando ladeira abaixo, esparramando a água e colocando em risco todo o esforço dos participantes, pois o líquido seria para lavar o cruzeiro em frente da igreja.
Qual o motivo de tamanho sacrifício?
Acreditavam piamente que choveria, pois coincidência ou não, às vezes chovia.
Eles queriam que chovesse, precisavam da chuva.
-Pedrão, oia lá. A beataiada começou a rezar pra chover.
-Uai, a gente devia estar lá também, estamos precisando de chuva.
-Precisando de chuva o cacete, seu Zé mané.Dá uma olhada onde a gente mora. Veja só onde estão as nossas casas. Se a chuva vier no tamanho exato da novena toda a encosta vai rolar. Vai ser pedra sobre pedra e quero que a maior caia em cima de tu, seu cabra safado.
Eles não queriam, não precisavam de chuva.
Com a palavra o bom Deus. Ele que resolvesse a dualidade da vida que Ele mesmo criou.

Hamilton Brito, participante do curso de crônicas ministrado pelo professor Pedro, no Senac.