
Ao som de Straus, fiz uma viagem para dentro do meu eu para responder quem sou , que o espelho não revela.
Tema aparentemente fácil....só aparentemente.
Quem sou eu....os filósofos vêm há muito tentando responder à pergunta.
To be or not....
Quem eu sou ou não sou, o que o espelho mostra?
Mostra as minhas rugas e os meus cabelos grisalhos pressupondo uma vida muito difícil...fácil não foi, mas não tenho do que me queixar.
Geralmente o brilho dos olhos revela uma história; assim, com ele me preocupo não me permitindo jamais me fazer de vítima ou viver maldizendo Deus e o mundo.
Então o que o espelho não mostra e jamais mostrará são as amarguras pelas quais passei. Elas sempre teimaram em marcar meu rosto, mas nunca o permiti.
Sem que fosse acomodado ou conformado, posto que lutei com todas as minhas forças e recursos disponíveis, eu nunca chorei pelos sonhos não realizados.
Seria uma afronta a Deus ou a humanidade dizer que o espelho mostra realmente quem eu fui e quem eu sou?
Ego sun – eu sou e sou realmente o que sou.
Nas questões emocionais, que poderiam deixar marcas para o espelho mostrar, não as tenho, pois aprendi com o meu pai que se um anseio, um sonho não se realizou, substitua-o imediatamente para que não crie raízes na alma e marcas no rosto.
Se as frustrações emocionais não me marcaram, as materiais é que não conseguiriam fazê-lo.
Eu nunca chorei pelo carro novo não comprado ou pela casa sem piscina ou ainda pela viagem à Miami não feita. Tipo de coisas que deixam marcas em muitos...em mim o espelho se frustrou ao procurá-las.
Sabe, tenho orgulho do que vejo. Eu não posso usar máscara para mim mesmo.
No sarcófago verão uma face sorridente, até porque, coisa mais esquisita é defunto com cara de tonto.
Quando o espelho não mostra, nada revela é porque o ruim, o amargo ficou impregnado na alma....se você permitiu.
O que o espelho possa não mostrar, é o sujeito temente a Deus, agradecido, que não se cansa de dizer:
_Senhor, tenho tanto a agradecer e tão pouco a pedir
O espelho reflete uma imagem, mas quem faz a leitura dela sou eu...e eu me basto.
Hamilton Brito – trabalho de sala de aula - escrevivência


