ARTIGO PULICADO NO JORNAL
FOLHA DA REGIÃO
CADERNO VIDA - D2
dia 10 de março de 2009
- SOLETRANDO - artigo@folhadaregiao.com.br
Ricardo, de repente, estava com o bolso cheio de dinheiro....e sem emprego. Qual a providencia nessas ocasiões? Sem dúvida, buscar logo uma nova ocupação e se possível, tão boa como a anterior.
Mas qual o que...
-Não quero nem saber...” se eu morrer amanha..." hoje eu vou viajar, completou, usando a mesma melodia.
E foi assim, como esse pensamento, tirado de uma letra de samba que tomou a decisão.
-Pai, vou conhecer Paris.
-Tá doido, filho. Desempregado e vai viajar para a Europa. Quando você voltar, vai estar mais duro que...bem, hoje em dia, não sei mais.
-Olha meu velho, vou trazer uma nora francesa, muito da linda e doida, daquelas que saibam dançar o can can.
O pai duvidou, a princípio achou que era da boca para fora mas de repente.
-Pai, leva-me para pegar o avião em São Paulo?
_Uai, eu falei que iria...
Quando chegou no aeroporto de Paris, sentiu até falta de ar; não acretitava, aquilo era muito mais do que imaginava.
-E agora, meu Pai, o que faço, por onde começo.
Pegou um táxi, tentou conversar com o motorista:
-Mon amie, je sui três fatigué. Je querrô um bonne hotel.
-oui, oui.
Enquanto o táxi percorria as ruas, foi vendo: primei-
Ro a famosa Torre Eiffel, os grandes magazines, até chegar ao hotel. Nem descansou direito.Banhou-se, colocou uma roupa limpa e rua.No saguão, pensando que estava no Brasil, perguntou em tom , lá alto, aqui natural, como chegava ao metrô. Logo foi admoestado:
-Docteur, silence; qui est-ce!
-Cacete, povinho cheio de frescura.
Comprou um carnê do metrô e começou a turnê pelo centro. Champs Ellysées; chegou à Estação Charles De Gaulle Etoile, dando logo de cara com o Arco do Triunfo...gelou, quase caiu das pernas. Mas precisava delas e continuou.Logo mais o largo Place de la Concorde.
-Monsieu, pardon...
-Hein! não entendo. Je ne parle pas votre...não, não estou falando...diabos!
Não entendia muita coisa...mas via, que cego o tonto não era.
Alta, cabelos pretos, olhos mais verdes que o mais verde das águas do mar, o sorriso era uma canção de ninar.
-Por favor, entendes a minha língua?
-Sim, eu faço curso de línguas e estudo a sua. Se você quiser , eu posso servir de cicerone, assim pratico um pouco.
-Que lindo, então aqui é o Jardin des Tuilleries, Musée du Louvre. E assim ela foi mostrando.No outro dia, encontraram-se novamente e pela Rue de la Varenne chegaram até Museu Rodin. Também conheceu o Musée D’Orsay. Atravessou o Senna pela ponte de pedestres Solferino e tirou varias fotos.
Ainda teve tempo de conhecer Église de Sacre Coeur e mais um dia se foi.
Convidou a deusa para passar a noite com ele no Reginne...
-Você não acha que é prematuro, nos conhecemos há pouco. N’est-ce pás, monsieur?
-C' est vrai, madame...
-Bem, já que concordou, eu aceito.
O coitado quase teve um infarto.
-Escuta, você sabe dançar o can can?
Ela sorriu um sorriso que parecia mais um hino ao amor que um sorriso e disse:
-Filho, acorda, você me pediu que te chamasse as oito.
José Hamilton da costa brito, membro do grupo experimental da academina araçatubense de letras.