Meu primeiro livro virtual

sexta-feira, 3 de julho de 2009

JURO QUE É VERDADE


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Na cidade havia uma família, dona de vários nichos de comércio; na verdade, eram quatro irmãos inteligentes, empreendedores e cada um à sua maneira. O mais velho, mais comedido e elegante; o segundo, mais inclinado ao primeiro; o terceiro gostava de uma "muvuca", ao terceiro.

De um negócio pequeno começado pelo pai, montaram um império comercial na cidade e região. Naquele tempo, o comércio cerrava as portas aos sábados, ao meio-dia mesmo; alguns funcionários ficavam ali por perto da loja, nos bares, tomando umas e outras, jogando um truquinho com os amigos e discutindo "miolo-de-pote" antes de tomarem o rumo dos lares.
Em um deles, chega ao bar o terceiro, acompanhado de um amigo também comerciante, com um plano "muvucal" já elaborado.
Chegaram rindo, falando sobre futebol e, aos poucos, foram elevando a voz, proferindo palavras ofensivas, e a coisa foi se agravando. Um senhor que estava por perto procurou chamá-los à razão, pediu que não discutissem, que aquilo era feio, etc, etc.
De repente, o terceiro saca de uma arma de fogo, aponta para o amigo e diz: "Vou te matar, desgraçado!".
Da palavra ao ato, dispara a arma. O cúmplice leva a mão ao peito, olhando com espanto. Uma mancha de sangue começa a aparecer. Imediatamente, vira a arma para o senhor que tentava serenar os ânimos e diz: "E mato você também!".
Bem na frente do bar ficava se sabe como, o ameaçado senhor passou por elas em desabalada carreira... estaria correndo até hoje.
Estaria. Correu pouco, pois ficou sabendo da treta.
Ficou sabendo que a briga não era briga, que a arma era de brinquedo e o sangue era mercúrio cromo, cujo recipiente, apertado pela mão, estourou e manchou a camisa.
Ficou mais de mês por ali, esperando os "muvuqueiros" aparecerem. Dizem que o facão que o homem trazia nas mãos era de considerável tamanho. O delegado, avisado do fato, nem tomou conhecimento, pois se não fosse daquela vez, haveria uma outra.


José Hamilton da Costa Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras

sexta-feira, 12 de junho de 2009

AINDA TE AMO






Soletrando: Ainda te amo!
José Hamilton da Costa Brito
Terça-feira - 02/06/2009 - 03h01

José Hamilton da Costa Brito


...e de repente o CD acabou.Silêncio...

só silêncio.

Não o percebi, sonhava.

O corpo ali na cama e a mente... por aí.

Voltei ao tempo.

Fui a um passado onde fui feliz....mais feliz.

Rememorei todos os amores,os possíveis e os não.

nos impossíveis: você.

Era princesa, eu, plebeu.

Assim, deu no que deu.

Mas o mundo dá voltas.

Em uma delas, te encontrei

.Hoje te vi.

Meu Deus, o tempo.

Ele não foi bom para nós,não foi bom para você.

Teus cabelos... brancos.

Teu porte de rainha?

Éramos crianças.

O tempo...

Hoje, ao te ver combalida chorei...

confesso, chorei.

Estamos a caminho do fim.

Vê lágrimas no meu rosto?

Serão por você, serão por mim?

não sei... acho...

acho que te amo... ainda


José Hamilton da Costa Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras

terça-feira, 19 de maio de 2009

CAIXA DE ENTRADA




Vida



SOLETRANDO
Soletrando: Caixa de entrada
José Hamílton da Costa Brito
Terça-feira - 14/04/2009 - 03h01

José Hamílton da Costa Brito é integrante do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras Araçatuba -

Antes Ricardo não tivesse acionado a sua entrada de e-mails.
Estava lá, silencioso e tenebroso:
From Mariana to Ricardo:
"Olha, sem mágoas e rancores, venho te dizer que preciso de um tempo para colocar meus sentimentos em ordem. Não há nada de errado com você.
Você é o que é e sempre será assim; eu, no entanto, preciso mudar.
Eu não sei qual a razão, mas ultimamente sinto a necessidade de me sentir amada, nunca foi tão forte desta maneira, e você, infelizmente, não percebeu. Também, uma relação de tantos anos.
Me recordo da primeira coisa que ouvi quando nos conhecemos: 'O amor é como uma fogueirinha, para permanecer acesa é preciso que, todos os dias, seja colocado um gravetinho'.
Onde estão os gravetinhos que você me prometeu?
Há algum tempo venho amadurecendo esta decisão e chegou a hora do adeus".
Na verdade, Ricardo já desconfiava e estava esperando o desfecho do caso. Os beijos já não eram os mesmos, o abraço não era tão apertado e, sobretudo, as palavras ditas não traduziam mais o sentimento que um dia os arrebatou. Apesar de estar esperando... bem, um adeus sempre é um adeus.
Palavras... tantas coisas lindas já foram transmitidas com uma perfeita ordenação delas.
Vinícius, Maria Luzia Vilela, Gonçalves Dias, Neruda, Consolaro, Cidinha Baracat, Rita Lavoyer, Tito Damaso, Dr. Glen... enfim, cá e lá as proferiram com maestria.
Mas Ricardo pensou: "Não fosse o dom das palavras e não haveria este adeus".
O que fazer?
Lembrou-se da voz aguda de Bienvenido Granda cantando: "Que seas feliz, feliz, feliz".
Ainda de Nosotros: "Eu juro que te adoro e em nome deste amor e por teu bem, te digo adeus". Mas foi com "My way", ao som de Fausto Papetti, que, chorando, adormeceu.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O DA BARSA




Zé Geraldo era levado da breca. Assim eram chamados os moleques endiabrados de antanho. Zé cresceu, se tornou comerciante... até poeta se tornou.
Mas continuou com o diabo no couro.
Um dia apareceu um vendedor de livros, aquele que vendia a Enciclopédia Barsa, tentando, no seu estabelecimento comercial, vender-lhe um exemplar.
Conversa vai, conversa vem e o negócio enrolado. Zé então lhe disse:
- Amigo, aqui não posso mais continuar a atendê-lo, estou muito ocupado; por favor, vá a este endereço que lá o atendo com mais atenção. Tenho interesse nos livros.
Assim combinados, Zé foi até a casa da sua amante, explicou-lhe que receberia a visita de um vendedor e pediu a ela que se insinuasse para o coitado, que era um chato
e necessitava de uma lição.
Disse-lhe ainda:
- More, assim que ele partir pra cima eu saio do banheiro e dou um flagra no desgraçado,
Hora aprazada chega o coitado.
-Entra, por favor, meu marido está no banho, mas é rápido, já ele te atende. Quer um café, uma bebida?
Serviu a bebida, escolheu um lugar no sofá bem ao lado do visitante, puxou o decote para baixo, subiu um pouco a saia e começou o jogo de sedução.
Zé, vendo que precisaria mais tempo, gritou lá de dentro:
-More, onde está o barbeador, vou aproveitar para fazer a barba.
Vendo que o maridão ainda demoraria um pouco, o cara partiu firme pra cima da mulher.
Não tinha acabado de agarrá-la, Zé saiu com um três-oitão, enrolado na toalha e gritando:
- Seu fdp, desgraçado, vou te matar.
Não se sabe como o sujeito saiu, levando o mostruário e sua maleta.
A última vez que foi visto, estava na Mandchuria.



segunda-feira, 13 de abril de 2009

SOMOS DECENTES ?

SOMOS DECENTES OU NÃO? O Aurélio dá decente como correto, digno, satisfatório, adequado.
Bem, se forçar muito não há no mundo um país inteiramente decente. Mas o que poderia caracterizar uma indecência?
Acho que o genocídio.
Palavra criada por Raphael Lemkin, judeu Polonês, juntando a raíz grega géneos mais caedere do latim que quer dizer família, tribo.
E muitas nações se fartaram em cometer este crime.
Apenas no século vinte, podemos citar o Timor Leste, quando a Indonésia deitou e rolou em cima da ex-colônia Portuguesa, queimando tudo e todos com Napalm.
Ainda a Bósnia, quando a antiga Iugoslávia se dividiu e os Sérvios provocaram mais de duzentas mil mortes e dois milhões de refugiados com mais de quarenta mil mulheres estupradas.
Esquecer como Ruanda com setecentas mil mortes e milhões de refugiados em uma briga étnica entre Hútus e Tútsis onde a arma letal foi o machado e o facão.
Ainda podemos citar a Armênia , o Camboja, a Ucrânia e como grand finale ,o massacre dos Judeus, sem falar no nazi sionismo que mais recentemente fez da suas.
Caramba, mas por que esta conversa agora?
Bem, o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Previdência, Waldir Pires, disse no velório do ex-deputado Márcio Moreira Alves: ¨Ele participou da batalha, que nós lutamos e perdemos, mas que continua hoje, de se construir um país DECENTE ¨
Está ai. Aqui nos temos, sim, gente morrendo nos corredores dos hospitais; temos os abortos cometidos por mulheres excluidas, na maioria, por não terem melhores condições sociais e, sobretudo, culturais; nossos bandeirantes mataram e escravizaram muitos indios... ...mas limpeza étnica?
Não me consta que tenhamos cometido este crime.
Então , prezado senhor, mercê de todos os desacertos cometidos, me vejo contra a sua postura.
Vocês conseguiram sim fazer um país decente.

quinta-feira, 12 de março de 2009

DIA DE PESCARIA


Vida

ARTIGO
Artigo: Dia de pescaria

José Hamílton da Costa Brito
Quinta-feira - 12/03/2009 - 03h01

José Hamílton da Costa Brito é integrante do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras

Qualquer fato ou nomes semelhantes não é mera coincidência. Os heróis existem e estão por aí: um deles sou eu. Três amigos, dois deles duros, compraram um motor de popa de cinco cavalos e, em um final de semana, tocaram para o Aruanã para uma pescaria.

Pescar no Paranazão com um motor cinco...

Chegamos ao destino por volta de três horas da tarde. E às cinco já estávamos no rio. Disse o Carlinhos, vulgo Peruzinho:

- Não podemos descer muito o rio, pois depois, com este motor, a gente só retorna o ano que vem.

Fomos testando os lugares conhecidos, armando alguns anzóis de galho, e nos distraímos; quando demos conta, estávamos longe do rancho. Já era noite e resolvemos voltar. Mais acima vimos uma galhada ideal para armar um anzol de galho. O Peruzinho, no timão, calculou mal e

o barco entrou muito na ramagem. Quando o Aílton levou a mão para amarrar o anzol, gritou: " Meu Deus, uma cobra me picou".

Imediatamente, fomos a socorro do amigo. Eu segurava o "sealed bean" – tem gente que não sabe o que é isto – e iluminei a infeliz mão. Realmente havia marca de sangue.

- Aílton, a cobra não te picou.

- Não, ela picou a tua mãe.

Não havia a marca característica, mas um risco onde havia algum sangue.

Não houve jeito, o homem estava nervoso. Fizemos o que foi possível e subimos o rio... com o motor cinco.

Bem, foi um drama; o macho choramingando, pedindo pra gente cuidar da família dele, fazer um belo enterro, etc, etc.

O amigo dormiu, passou-se um bom tempo. Aí, eu falei pro Peruzinho:

- Olhe o sono tranquilo do moribundo: há um risco de espinho e não uma picada.

Disse o Peru:

- Tô sabendo, a cobra mordeu o r... dele.

Continuamos a volta mais tranquilos. Ocorre que, quase chegando ao rancho, vimos, pela luz do farol ("sealed bean" é um farol ligado a uma bateria) um conhecido que negociava com motores de popa e paramos para tentar uma troca com aquela praga lerda do nosso motor.

O papo corria solto quando ouvi um resmungo:

- Eu morrendo aqui e estes FDPs vendendo o MEU motor de popa.

quinta-feira, 5 de março de 2009

de repente

De repente
Não mais.
Veio de onde?
Não sei.
Aconteceu...
Aconteceste.
E se foi.
De repente não mais
Agora...saudade.
No singular ou plural...
Ah! Banal.
Que coisa !!!!
Morreu ?
Nasceste
Em outro...para outro.
E eu, te enterro?
Deveria
Queria
Mas não consigo...
Diabo, que coisa

JOSÉ HAMILTON BRITO