
Texto publicado na Folha da regiao
Caderno Vida - soletrando
27/04/2010
Mas eu, apaixonado pela música popular brasileira, muitas vezes fico mais impressionado com certas frases do que pelo conjunto da obra. Claro, gosto muito de my way, love is a manny splendored thing, a certain smile, unchained melody, a left my heart in San Francisco e outras.
Mas é em Limelight também conhecida como Luzes da Ribalta que Chaplin esnobou ao frasear: se o ideal que sempre nos acalentou. renascerá em outros corações.
Cartola em O mundo é um moinho diz:... o mundo é um moinho, vai triturar teus sonhos, tão mesquinho, vai reduzir as ilusões a pó” e termina com: quando notares estás à beira do abismo, abismo que cavaste com teus pés.
Assis Valente, que colocou fim à própria vida por achar que não era devidamente valorizado, em Boas Festas fraseou:...vê se você tem a felicidade pra você me dar” e não estando satisfeito colocou a linda: e assim felicidade eu pensei que fosse uma brincadeira de papel.
Eu tinha uma bronca do Sergio Bitencourt, sobretudo quando ele fazia tipo no programa do Flávio Cavalcanti, mas quedei-me ao seu talento quando deparei-me com a música Naquela mesa. Duas frases me impressionaram: e nos seus olhos era tanto brilho, que mais que seu filho, eu fiquei seu fã. A outra: se eu soubesse o quanto dói a vida, essa dor tão doída, não doía assim.
E não foi só em Naquela mesa que ele mostrou imenso talento, ainda tem Modinha. ... e nesse pouco ou quase nada, eu dizia o meu amor.. Lindo, tão lindo quanto: eu me perco nos teus passos e me encontro na canção.
Até Adelino Moreira, para muitos um compositor “menos” cotado, em Sinfonia da Mata colocou: sinfonia do riacho e da cascata, minha viola, completa a orquestração.
-Hein! Uai, eu gosto...Que coisa!
Já o amigo Aurélio Rosalino gosta de: é preciso a própria mágoa disfarçar assim, dissimulando a dor à sombra de um sorriso” na composição Se ela perguntar, de Jair Amorim.
O músico e professor Beltrão e a esposa Lúcia, até no gosto musical andam no mesmo passo. Indicaram: nos seus olhos fundos, guarda tanta dor” presente em Carolina, do Chico. Ainda: ai então, dar-te eu irei, um beijo puro na catedral do amor, do samba Jura, do grande Sinhô.
Festival da Record. A cantora Evinha defende uma composição de Paulinho Tapajós e Edmundo Souto, Cantiga pra Luciana e: Luciana, Luciana, sorriso de menina dos olhos de mar, Luciana, Luciana, abrace esta cantiga por onde passar “... minha filha chama-se Luciana.
Ah! Este seu olhar, de Tom Jobim: este seu olhar, quando encontra o meu, fala de umas coisas, que eu não posso acreditar. O danado estraçalha quando em Eu não existo sem você, diz: eu sei e você sabe, que a distância não existe, que todo grande amor, só é bem grande se for triste”
A estrada da música popular brasileira é bem sedimentada e nela, pontificam momentos de rara sensibilidade poética.
Como em Manhã de carnaval, de Luis Bonfá: das cordas do meu violão, que só teu amor procurou, vem uma voz, falar dos beijos perdidos, nos lábios teus. Que me perdoem os intérpretes brasileiros, mas a música nas vozes de Carla, Susan e Carmem Monegal, essa, brasileira e santista, da orquestra de André Rieu, é incomparável.
Para finalizar, aquela que dentre todas as frases é a que me traz forte emoção.
Só poderia ser do Chico. Chico que é Buarque de Holanda. Gente Humilde: e eu que não creio, peço a Deus por minha gente.
Ai: alguma coisa acontece no meu coração”
Sabem de que é?
Membrodo grupo experimental da academia araçatubense de letras