Meu primeiro livro virtual

domingo, 20 de dezembro de 2009

...E EU QUE NÃO CREIO



Hoje, sábado , vou ao jornal e leio uma bela crônica: Sem brinquedos no natal.
O diálogo do bom velhinho com a menina é bonito e oportuno, posto que nestes tempos de natal , é preciso, como bem faz a cronista despertar nas pessoas, os melhores sentimentos que ficam colocados num cantinho, enquanto se luta, não só pela sobrevivência
mas também por uma melhor condição de vida, que uma mente aguçada e perspicaz, aliada a uma boa disposição para o trabalho, pode proporcionar.
Mas quando ele diz, generalizando,que os homens não se importam mais com os seus semelhantes, acho-o um tanto injusto.
Disse-o, certamente, porque a certa altura do texto, ele aconselha a menina a não olhar para trás; eu, como olho, vejo uma madre Tereza, de Calcutá, uma irmã Dulce, da Bahia e aqui mesmo em Araçatuba, um se-
nhor João Gomes Guimarães, um senhor Olegário Ferraz, uma senhora
Martina Rico, também Elza Zonetti e dona Maria dos Anjos Fileto e seu esposo Antônio. Pessoas que deram exemplo de dignidade e dedicação ao
próximo.
Citando-os, presto um tributo a todos aqueles que se lhes assemelham.
São pessoas que não ficaram olhando o próprio umbigo; até os acho mais interessantes que o Papai Noel; esse,aparece uma vez por ano. Aqueles, no seu dia a dia, se dedicavam a servir.
O mundo é o que sempre foi desde o dia do Boom. É lindo , segue o traçado do inteligent design..tá bom que nasceu do caos ! Pessoas, nessas figuras é que a roda pega. Algumas poderiam ter acompanhada a placenta para o descarte...bem, hoje em dia, não mais. Assim. Hitler, Mussolini, Waldomiro Diniz, Heitor Gomes, o fescenino : quando Deus os fez, os animais que estavam por perto não riram por respeito.
Concordo com a articulista, cada pessoa fará ou não do seu saco, a sua felicidade.
Em verdade vos repito o que disse outro: " é preciso usar a ciência
para explicar o mundo natural, mas ela não consegue explicar os valores
e a realidade da vida " . Eu não acredito que ela leve o homem ao ateísmo, como alguns pregam. Podemos crer sem que haja prática religi-
osa e podemos amar o próximo sem que tenhamos crença alguma...dai o
título epigrafado.


José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

MERDA



Eu queria ser

ou pensava...

Eu poderia ser

...não sei se dava!

Ser o seu amor,

mas não sabia

se você me queria

se você me amava.

O tempo corria

eu não me decidia

você não me via

e nem me enxergava.

Eu...ao respeito

não me dava.

...Fugia da raia.

O tempo passou

você , outro noivou

com ele se casou

e eu que te queria,

hoje estou aqui.

Poeta, fazendo poesia

....Merda!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Habib: Lição de vida e paz

O FESCENINO


Não, não é.
Ele começou timidamente, colocando uma palavra aqui, outra ali...jogava tudo no lixo.

Estava dificil conservar o que escrevia; mostrar para alguém, nem pensar.

Mas o moçoilo gostava, amava ler e escrever.

Lia todas as poesias e poemas que lhe caiam nas mão.

Um dia ficou sabendo que na cidade, havia um grupo de pessoas que se dedicava a ler e escrever, sobretudo, poesias e poemas , recebendo orientação de pessoas abnegadas e pos -

suidoras da sapiência literária.

-Ué, vou lá. Se tem quem ensina, vou aprender.

Colocou sua camisa xadrez, sua melhor calça, que estava um pouco curta e se mandou para o local que o jornal indicava. Ah! esqueceu de limpar a botina, tirar os vestígios do curral.

Chegou com o seu jeito de matuto, meio sem graça:

-Licença moça?

Foi convidado a ocupar uma cadeira na sala,parcialmen- te ocupada e ficou na " escuita", como mais tarde ele mesmo relatou.

A reunião começou,alguém falou sobre composição li -

terária e convidaram uma linda moça para falar sobre Olavo Bilac...logo sobre Olavo Bilac, seu poeta de cabeçeira. O rapaz ficou extasiado.

Na segunda reunião, não abriu a boca; nem na terceira e quarta. Mas na quinta, um professor, com jeito de invocado, chamou o novato para falar sobre uma tal de Roda Crítica.

-Ah ! vô não; ainda num to apreparado.

-Vem aqui que estou chamando.Que negócio é esse de vergo -

nha? vou te transformar em um poeta.Não é isso que você quer?

-É sim sinhô.

Bem, se era para perder a vergonha, era com ele mesmo; tinha facilidade para esse tipo de coisa. Não demorou muito e o sujeito não podia ver uma caixa ou tijolo, que já subia em cima para declamar. Nas reuniões ,o grupo só faltava

amarrá-lo para não tomar para si todo o tempo disponível. À medida que aprendia, ia, como se diz popularmente, tomando boca.

Mas como nesta vida tudo pode piorar, o rapaz começou a ser convidado para os saraus e eventos afins para dar mostras da sua...genialidade.

E foi ai que aconteceu.

Como tinha tendência ao fescenismo e sendo encorajado pelo mestre, aquele loiro invocado,lascou uma poesia, à qual deu o nome de Mãe na Zona.

Nem o Roberto Carlos, nos seus melhores dias, alcançou tomanho sucesso. De cara foi chamado de Poeta das Multidões. Como já disse, perder vergonha era com ele mesmo e então aumentou seu patrimônio literário com patinha lesbi-

ca , porquinhos transviados, sagrada lascívia e afins.

Mas se a inveja não mata...mata. Começou a cortação:

_ Que nada, o cara é um histrião, sujeito ignavo, um verdadeiro hebetista.

-Mas que diabo ! Do que estão me chamando ? tem a ver com bambi? Estão ofendendo minha mãe?

Vieram lhe socorrer, principalmente o antigo mestre, agora transformado em amigo do peito.

Citou-lhe, então, palavras de Rubem Alves:

" A vida é assim mesm0. É sempre possível deixar o barco

atracado ou só navegar nas baías mansas. Ai não há perigo de naufrágio. Mas não há o prazer do calafrio e do desconhe -

cido".

Malditas palavras; agora, cada vez que o grande poeta toma a palavra, o calafrio e o medo do desconhecido, é dos amigos.



José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.






















sábado, 5 de dezembro de 2009

SINHÔ


Meu pai, meu Deus, sinhô.

Onde foi qui eu errei?

O qui qu"eu fiz de errado?

Nunca Te senti ao meu lado.

Em mim, o Sinhô num morô.

Eu sempre vévi suzinho.

Neste mundão de meu Deus.

Mesmo assim, por Ti, isquicido

procurei pelos passos Teus.

Neste mundo du capeta

Cometi somente um erro:

Amar uma linda cabocla.

Sinhô? Não, num foi a Tereza.

Essi é um otro causo, meu Pai.

O meu foi lá cum Clotilde.

Sempre fui um homem cristão.

Procurei o caminho du bem.

...ensinou-me a santa maêzinha.

Desgraça foi querê uma zinha...

Sabe Pai, administra-se o coração

mas se o assunto é... perdão meu Pai

mas se o assunto é tesão?

U qui é qui um macho pode fazê?

Inda si eu num tivesse visto...

Meu peito num teria si partido.

...nem estaria aqui, a chorá.

Mas agora, meu Pai, u qui faço?

Na terra, felicidade, num tive.

No céu, futuro comprometido

pois cometi o maió dus erro.

Sim, o mesmo que se deu cum Tereza.

...No meu causo, nem u dotô fui chamá.

Fiquei vendo ali, bem quietinho

minha própria vida, agonizá.


José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras.
Poesia colocada em terceiro lugar no concurso de poesias "OSMAIR ZANARDI" promovido pela Academia Araçatubense de letras. Aqui, cumprimento a senhora Marianice Paupitz pela segunda colocação e o senhor, meu amigo, Marcolino Rosa como o grande vencedor.









segunda-feira, 30 de novembro de 2009

E AGORA?



E AGORA...


Era uma manha bonita; havia chovido um pouco, o que tornava fresco o dia e a pequena viagem mais agradável.

Mariana ia visitar os pais do seu marido, nada que ultrapassasse meia hora de viagem.

Mais na frente, um sinal de curva fechada.Diminuiu a marcha, esta com pleno controle da situação...ou pensou que estivesse.

O choque foi violento ; antes de perder a consciência, lembra-se perfeitanmente que não pediu nada parasi.Quando o primeiro socorro chegou,ainda encontrou -a balbuciando:

-Senhor, leve-me mas poupe o meu filho.

Segundo relatos de várias testemunhas, na maca em direção ao hospital, era o que repetia baixinho.

-Senhora, como está ? alguma dor, desconforto?

-Onde estou?

-A senhora sofreu um acidente, esteve em estado de coma por quatro dias mas agora o seu estado é estável. Deus foi misericordioso contigo.

_Doutor, o meu filho estava comigo no carro. Como ele está?

O médico se afastou e deu lugar ao marido de Mariana.Ele se aproximou, tomou as mãos da esposa, ficou olhando e nada disse...nem precisava.

Ela não gritou, não entrou em desespero, comportou-se com estoicismo.

O tempo foi embora , muitas coisas levou, só não levou a imensa tristeza que, aos poucos, acabava com Mariana.

Deixou-se definhar. O marido tentou de todas as formas ajudá-la, procurou especialistas...nada adiantou.

-Senhora, não sei em que situação estou aqui, se como padre ou como amigo. Não acredito que a morte do seu filho seja a única causa deste seu estado de abandono, do seu estado de aflição que a todos atinge, sobretudo, ao seu marido.

-A senhora sabe que a única certeza que temos na vida é que um dia morreremos; os pais não deveriam enterrar os seus filhos; aceito que é contra a natureza esse fato mas acontece todos os dias.

-Então o senhor acha que é a morte do meu filho que me consome? Posso garantir que não, senhor padre ou meu amigo.

-Eu pedi tanto ao meu Pai que poupasse o meu filho, que me levasse em seu lugar.Pedi com todas as forças da minha alma e com a sincerida que só uma mãe pode ter.

--Meu Pai não escutou ou se escutou, não quis atender-me.

-O que está me matando aos poucos, o que me aterroriza é que eu perdi a minha fé. Se nosso destino é retornar ao Pai e eu nao acredito mais nisso, onde encontrarei meu filho um dia?

_Padre, se não tenho mais fé em Deus, onde está o meu filho agora?


José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.






quinta-feira, 26 de novembro de 2009


EU NAO VIM MORAR AQUI. EU SOU DAQUI.MAS VOCÊ, QUE VEIO, SEJA BEM-VINDO. EU, ENTÃO, NÃO TROUXE COMIGO MALAS E SONHOS; EU OS ELABOREI AQUI MESMO. MINHA RELAÇÃO COM A CIDADE É DE AMOR, MESMO QUANDO MEU CARRO CAI EM UM BURACO NO ASFALTO; NUNCA DIGO: CIDADE DESGRAÇADA. DIGO, PREF...DEIXA PRA LÁ QUE O HOMEM É AMIGO DO MEU AMIGO.QUANDO VOLTO DE UMA VIAGEM DEMORADA, SOBRETUDO NAS MADRUGADAS, ME EMOCIONO AO ADENTRAR-ME PELA AVENIDA BRASÍLIA, PASSAR PELO BOLA SETE...É BOM SABER QUE ESTOU EM CASA. AQUI ME SINTO EM PAZ, ME SINTO SEGURO.CHEGAR DE MANHÃZINHA E IR COMER UM PASTEL NA FEIRA. O QUE? BREGA? ...EU ACHO CHIQUE. SE EU FOR ASSALTADO, SERÁ POR UM ASSALTANTE AQUI DA CASA. CLARO QUE AQUI TEMOS AS NOSSAS MAZELAS : iIR A UM SARAU E ESCUTAR O HEITOR GOMES - O POETA DAS MULTIDÕES - RECITAR A SAGRADA BOCHECHA OU A MÃE NA ZONA. OS LIMITES QUE A CIDADE IMPÕE, NÃO ME FAZEM FRAQUEJAR; QUANDO PRESSINTO QUE PODE ACONTECER, ME VISTO DE GLADIADOR E ENCARO.PROCURO SEMPRE FORTALECER AS MINHAS RAÍZES COM AS PESSOAS QUE AMO...COM QUEM EU TOLERO, TAMBÉM.MINHA ALMA VOA ALÉM DOS PROBLEMAS QUE A CIDADEPOSSA TER E PERCORRE SEM TRAUMAS E TEMORES A NATUREZA, MESMO QUANDO A POEM FERIDA POR UMA FONTE , POR EXEMPLO....LUMINOSA? COMO AQUELA DA PRAÇA CENTRAL DA CIDADE.ARAÇATUBA, EIS AS RAZÕES PELAS QUAIS EU TE AMO: AQUI MANTENHO A ESPERANÇA E A FÉ. AQUI SINTO QUE PERCORRO CAMINHOS SUAVES. ASSIM, DIGO A VOCÊ QUE CHEGOU; FIQUE E VEJA AS BELEZAS QUE HÁ POR ESTAS MARGENS DO RIO TIETÊ.NOSSOS FILHOS ESTÃO CRESCENDO.NOVOS SONHOS ESTÃO SURGINDO E HÁ MUITO POR FAZER. SAIBAM; O FUTURO E O PRESENTE ANDAM JUNTOS POR AQUI, S/AP NOVOS TEMPOS E HÁ URGÊNCIA...TANTA FÉ NUNCA SE VIU. HÁ UM MUNDO DE RIQUEZAS E DE BELEZAS E, É SIM, É POSSIVEL SER FELIZ NESTAS MARGENS DO GRANDE RIO.ESTE, OUTRORA DOS BANDEIRANTES, AGORA É NOSSO. ELES EMPURRARAM AS NOSSAS FRONTEIRAS, TRAZER MAIS DESENVOLVIMENTO E PROGRESSO É, DORAVANTE, COM A GENTE.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ISTO É PURA SORTE!

ISSO É PURA SORTE





Sai caminhando...

Onde ir, nem pensei.

Como ir?...caminhando.

Fui.

Como diz um palmeirense:

fui fondo.

Vocês sabem, palmeirense

é...é erudito.

Não mais que, de repente,

uma curva sinuosa.

Placa: curva perigosa.

Assim, aquele riozinho

não vi e

sua corredeira, também não.

Aquele ipê florido...nada.

Estava tal qual corinthiano

perdido no brasileirão.

é chamam essa inhaca

...de timão.

Mas, do lado da estradinha

quase perto da fonte

Vi o teu carro parado

...quebrado.

Tentei ajudar.

Parafuso, apertei.

Carburador, regulei.

A bobina, limpei.

Teu olhar em mim

notei.

Radiador , conferi.

Teu interesse, senti.

Encher o estepe, não deu.

Ah!teu sorriso...prometeu.

Esta estrada, que não era

da vida

minha vida, devolveu.

Veja que sorte:

Sai como palmereisense.

Caminhei como corintiano.

Como sampaulino

...voltei.



José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.

sábado, 31 de outubro de 2009

YES...IS A TRAMP



Nasceu lá para os lados do pantanal mato-grossense e veio para a cidade grande ainda menina.
Aquela vidinha que toda criança tem: grupo escolar,a casa, os amiguinhos e a vida...indo.
Mas se havia algo nela, era a capacidade de observar e comparar; foi percebendo que a casa da Juna, era mais bonita que a sua, que Luíza sempre tinha um vestido novo para sair, que o pai do Turcão tinha um carro novo.
Sobretudo, reparava no ar cansado da sua mãe, na falta de um sorriso mais amplo do seu pai e que sua irmã mais velha, evitava sair com as amigas e vivia trancada no quarto.
Sempre faltava um sapato melhor, uns trocos na carteira, um bilhete para o último ônibus.
Foi crescendo e cada vez se amargurava mais.
- Não sei o quanto vai me custar, mas comigo vai ser diferente; se a vida ou o destino querem fazer o mesmo comigo, estão enganados...aqui,o muro é mais alto.
Já na faculdade, conheceu Tibério. Tipinho mais tipinho, não seria possível...mas tinha dinheiro, grana, a chamada “ bufunfa”. Ai, pensou aquela nascida no pantanal, está a sua beleza.
-Oi Tibério, você já tem companhia para ir ao baile do diretório acadêmico?
Claro que não e ela sabia. Quem iria sair com uma coisa ruim daquelas. Foi alvo de risadinhas, de piadinhas e até comentários mais atrevidos:
Ei fofa! saiu com a placenta?
Ela...ah! sim, o nome dela é Cacilda. Então Cacilda pensou:
-Placenta ou não, vai resolver minha vida. Se pensam que vou passar a vida igual minha mãe e minha irmã, que se casaram com uns trastes, estão enganados.
-Cacilda, o ano que vem a gente se forma, eu retorno para a minha cidade e acho, então,que temos que conversar.
A sujeita se fez de desentendida e perguntou coma cara mais...mais deste mundo:
-Uai amor, conversar sobre o que ?
-Bem, eu te amo e você me ama, assim é natural que queiramos ficar juntos a vida inteira. A melhor maneira é a gente se casar.
-Eu te amo, você me ama...a sua famíla nos amará estando casados? Sou pobre ; eles não sabem nada sobre mim.
-Bem, eu não te disse, mas o meu pai faleceu e era viúvo. Sou filho único, o inventário foi concluído e sou dono da minha vida e dos bens que eu herdei. Só dou satisfação a mim mesmo.
-Oh! Querido, como eu lamento, como estou sofrendo por você.
Mas dentro do coração, se o ton...digo, o namorado pudesse , ouviria:
-Aleluia, aleluia, aleluia,aleluiaaaa!!!!!
O ano foi embora, a diplomação aconteceu e o casamento foi....com comunhão universal de bens.
E houve um fato importante. O noivo chamou para seu padrinho, um primo. Sujeito sarado, moreno, olhos verdes e um sorriso, daqueles que como se diz no pantanal, tirava pica-pau do oco.
Cacilda teve certeza que seriam felizes para sempre.
Não sei, teria sido por uma historia como essa que alguém fez a letra de That lady is a tramp?

José Hamilton Brito, membro da academia experimental de letras.




-

PODER DA PALAVRA


PODER DA PALAVRA


Foi em GRANDE SERTÃO: VEREDAS que Guimarães Rosa escreveu que viver é perigoso.
Falar também pode ser.
Tem até aquele ditado que anuncia que quem fala o que quer, ouve o que não quer... isso, quando não recebe uma bala.
-Hein! Fala o que quer e ainda recebe uma bala, tá doido?
-Bala, do inglês Bullet, sua anta.
Alguém já disse que as pessoas não foram preparadas para escutar o que falam. São poucos os que “se escutam”; daí, o alto grau de desgraceira que o fato provoca.
Segundo o mestre AURÉLIO, palavra é a unidade mínima com som e significado, que pode, sozinha, constituir enunciado.
Ela pode sozinha fazer lindas coisas se houver a boa vontade das pessoas; assim, só usando verbos em ar: reatar, consolar, curar, educar, namorar. Todavia, se a pessoa não se escuta, podemos ter: destruir, desunir, mentir...
A palavra pode fazer com que surja o amor, mas também o ódio.
Um grupo de palavras pode redundar em Ave Maria, gratia plena, dominus tecum, benedicta tui in mullieribus et...
Uma palavra sozinha: tramp, morra... mas pode ser: amor, querida, mamãe, filha...
Ela pode dar confusão entre pessoas e entre povos; ela pode dar prazer à vida e fazê-la menos perigosa. Basta que nos ouçamos antes de dispará-la, pois ai ela pode ser bala... não a de chupar. Pensar para falar é fundamental.
Rubem Alves, citando Guimarães Rosa diz que feiticeiro é aquele que diz uma palavra e, pelo puro poder desta palavra, sem o auxílio das mãos, o dito acontece.
Entre os normais, quando a palavra é mal usada, acontece o dito e a desdita.
- Certo. Então o melhor é ficar de boca fechada, até porque segundo consta, com ela fechada, mosquito não entra e ainda que o silêncio é ouro e finalizando, se falar fosse mais importante que ouvir, a gente teria duas bocas.
Mas falar é preciso.
Sobretudo nos dias atuais que compõem a chamada era da comunicação.
Nunca as pessoas se comunicaram tanto; a tecnologia,favorecendo-a, aproximou fronteiras e a distancia está na tecla do enter.
Tem muita gente que se preocupa em falar bonito, quando deveria se preocupar com o pertinente, o correto; palavras de conforto e incentivo e fazer-se acompanhar de gestos e expressões que transmitam carinho. Quando houver motivo justo para um descontentamento, fazê-lo com parcimônia e respeito pelo próximo.
Apenas para não deixar de fora, nenhum lugar-comum, ainda temos o: é conversando que a gente se entende.
Mas não é somente falar, é preciso fazê-lo com coerência, com ênfase.
-Mano, o que é coerência?
-É conexão, harmonia entre as partes que compõem um todo, é a existência de um nexo entre os pensamentos.
-Ah! Tá. E o que é ênfase?
- Ênfase é energia, vitalidade, realce no jeito de falar; é triste ficar ouvindo uma voz monocórdica , como se estivesse em um Ora pro nobis...ora pro nóbis...
-Pois é mano, havia tudo isso, todos estes trens ai que você falou: energia,ênfase, realce na palavra adeus, no momento em que ela foi embora.
Não fosse o dom da palavra, quem sabe...
José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PURCINA DE ALMEIDA

PURCINA ELISA DE ALMEIDA

José Hamilton da Costa Brito

Purcina Elisa de Almeida é natural de São Manoel,no Estado de São Paulo. Nasceu em 01 de novembro de 1881. Filha de José Mariano de Almeida e Maria Jacintha de Jesus. Concluiu os seus estudos, em São Paulo, no colégio Caetano de Campos em 1917, e em 1918 foi nomeada a primeira professora efetiva de Araçatuba, no Grupo Escolar Cristiano Olsen. No dia 07 de janeiro de 1921 casou-se com Antônio Ribeiro. Teve uma filha, Júlia Guiomar Ribeiro Gomes e três netos, Purcina, Paulo Boanerges e Heitor Gomes....

E ASSIM SE FEZ PROFESSORA.

“A missão da gente na vida é encontrar e seguir o próprio sonho”, Anne LeClaire.
Pois foi o que dona Purcina fez.
Acho que estamos aprendendo com a cultura oriental a expressar o sentimento de gratidão e prestar reverência àquelas pessoas que nos antecederam e que, com sua energia, dedicação e espírito de luta, deixaram um grande legado.
Ontem, o livro “Nos Trilhos do Centenário” em homenagem, segundo o mestre Hélio Consolaro, aos pioneiros que apostaram em Araçatuba; hoje, uma homenagem mais do que justa aos professores.
Dona Purcina foi uma mulher admirável e resoluta que soube transformar as dificuldades em realizações; acreditou que podia converter os seus sonhos em realidade, ao longo da vida.Ela sempre foi a gestora da sua carreira. Se o envelhecimento pode ser considerado um obstáculo, sempre soube se adaptar às novas necessidades que a vida lhe ia impondo.
Se houve momentos de crise, soube aproveitá-los para se reorganizar e seguir em frente..., dizia não ter tempo para perder.
Angústias, tristezas e problemas, os mais diversos, que são da natureza humana, nunca fizeram dela presa fácil das adversidades. Enfim, não temia o futuro. Olhava sempre para a frente e não compartilhava do pessimismo que grassava entre alguns dos seus parceiros de magistério.
Aprendeu a ser calma e perseverante para lidar com sua vida e com a vida daqueles que a circundavam.Se a compaixão é inata no ser humano, nela então foi a característica mais marcante;preocupava-se com as dificuldades e com as dores dos outros.
Segundo palavras do neto Heitor Gomes – “o poeta das multidões” – Dona Purcina não foi à procura do seu futuro nas cartas do Tarô; buscou-o no trabalho árduo, na dedicação à sua família e à sua profissão.Ainda, segundo Heitor, ela foi a primeira professora formada de Araçatuba e, além do seu trabalho oficial no Estado, no qual se revelou estupenda alfabetizadora, dava aulas particulares.
E como era ser professora na região de Araçatuba, naqueles tempos? A cidade era carente de recursos materiais e culturais, se sustentava, sobretudo na atividade agropecuária.Foi o contexto no qual se sobressaiu Dona Purcina.
Foi pioneira no magistério Araçatubense e por suas mãos, passaram ilustres figuras da nossa sociedade contemporânea. E não aconteceu por acaso. Ela possuía a capacidade de ouvir e aceitar os seus alunos. Estabelecia com eles uma relação de simpatia; compreendia as suas ações e reações; aceitava ou recusava suas atitudes, mas sempre estimulando e incentivando... Possuía o dom da flexibilidade.
Para ela, o aluno era uma pessoa digna de confiança. E, como foi também uma grande professora, imortalizaram o seu nome como patrona do então GESC do Jardim Juçara, desde 1971. Foi o reconhecimento da sociedade Araçatubense pela sua abnegação.
Segundo Thomaz Handy : " A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos"
Assim se fez professora.

José Hamilton da Costa Brito, membro do grupo experimental da academia



terça-feira, 20 de outubro de 2009

...SORRINDO

Artigo publicado na Folha da Região
Caderno VIDA - Soletrando
dia 22 de outubro de 2009
...Sorrindo


Melhor ser analfabeto.
Quanto mais a gente lê, mais fica sabendo de coisas esquistas.
Marco Antônio saiu do seu escritório de advocacia, passou no piano-bar e tomou o seu lugar de sempre.
-Boa tarde, doutor, como foi o seu dia hoje?
-Oi, boa tarde Carmelo, até que não foi mal. Amigo, manda o de sempre. Quem atira no meio, não erra.
O bar-man se afastou. Marco Antônio pegou sua revista preferida, um semanário de boa tiragem , abriu na última página e começou a ler seu articulista predileto: A ARTE DE MORRER era o tema.
Nele era relatado o caso de um conhecido crítico de música, apaixonado por Villa-Lobos e que ia dar uma palestra sobre o grande maestro. O sistema de som começou a tocar FLORESTA AMAZÕNICA. O crítico ficou extasiado, deu um suspiro e caiu morto. Morreu porque se emocionou com algo que era belo e que amava.
Era uma morte semelhante a uma outra: a de Bergotte, personagem de Marcel Proust, que em uma exposição de arte, fica extasiado com VISTA DE DELF, de Johannes Vermeer e passa para o degrau de cima, na hora,
Estava absorto lendo a matéria, quando foi interrompido pelo garçom, que trazia a bebida.
-Luizinho, será que é possível a gente morrer, assim, de repente, só por olhar algo ou alguém de muita beleza?
-Acho que não, doutor. Posso provar.Uai, fosse isso verdade, tanto o senhor como eu, já teríamos ido "pros quiabos" quando a sua namorada entra ali pela porta,
-Opa! Olha o respeito...
=Doutor, toda afirmação precisa levar junto um argumento de prova. Foi o senhor mesmo quem me ensinou. Não vem, não...
O advogado pediu uma salada completa como entrada, um Le Corti, um chianti clássico da região da Toscana; depois, salmão ao molho de alcaparras, pois resolvera jantar. Chegando em casa, iria após breve descanço, estudar um processo de inventário dos mais intrincados.
-Luizinho, vê a minha despesa, por favor.
Após os acertos e de ter tomado um último drinque, se dirigiu para o carro, mas ainda ouviu do garçon:
=Cuidado doutor, não vá se emocionar.
No caminho para casa, vendo uma farmácia, resolveu ver como estava a sua pressão.
-Olha, vou atender o senhor mas as farmácias não estão mais prestando o serviço à população.Sabe como é, se podem complicar as coisas para o povo, por que não fazê-lo, não é mesmo?
Pressão normal; tranqüilo, foi para casa. Até se esqueceu da matéria lida.
Após o banho, tendo vestido o roupão que lhe agradava, ligou o som para ouvir Harry Jerome e acomodou-se no sofá.
A música era moonlight serenade; Marina, sua namorada, gostava de fazer amor ouvindo a canção.
Ele também gostava muito.
Por volta das onze horas, a santinha, que tinha a chave da casa, entrou e o encontrou deitado, sereno.
Tinha um sorriso nos lábios.

José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

TUDINHO


TUDINHO

Até que a manhã
Não era tão feia assim.
Mas... um vislumbre
Algo não vai bem!
O selinho...quase nada.
Um sorriso sem graça
Sintoma de desgraça...
-Eu preciso te falar
Confessar, não há mais jeito.
Quase um plágio...
É só ouvir o Roberto
Lembro aquele adeus!
A mão foi acenando
Ainda te vejo, partindo.
Agora, este teu email...
Que se repete a toda hora
Mas te pergunto: agora?
Agora, não quero mais
Curti em silêncio a desdita
Sofri a dor mais maldita
mas consegui te esquecer.
Agora, com esta cara lambida
Você vem pedir aconchego
No seio dos braços meus?
Escuta bem o que te digo
Vá pro diabo que te carregue
Mas passa em casa, primeiro
Esqueço tudo, tudinho
guardo as mágoas, num cantinho
pra te amar, mais uma vez.


José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

CANÇÃO DE AMOR

Canção de amor

Os olhos... tinham uma cor de...sei lá, acho que Deus ainda não revelou ao homem um adjetivo que possa descrever tanta beleza.
A boca, lábios carnudos; os cabelos pretos e levemente ondulados desciam sobre os ombros, qual singelos fios de água, correndo pelas pedras.
O corpo... não era apenas uma questão de simples simetria. Passava mais que isso. Estava mais para sinfonia. N ao uma daquelas tipo Nona, daquele alemão , primo do Alzheimer e sim uma lembrando Vivaldi, bem suave. Olhando para ele, ouviam-se os querubins e serafins sussurrando uma canção de amor.
Depois chamam de fetiche a fixação por determinada parte do corpo. Alguns, mais tontos, gostam de pés e mãos... eu acho que mamei pouco.
Se há um lugar na terra no qual quero morrer, este é em um colo de mulher; melhor, daquela mulher. Ainda nem tão mulher assim. O criador ainda trabalhava naquele corpo de menina-moça e vocês sabem como Ele é generoso quando escolhe uma para tornar realmente bela.
Já tentei compará-la com tantas coisas: com uma flor, com a estrela mais brilhante, com a ravina mais verde, com o canto do pássaro mais canoro, com um sorriso de criança, com a dignidade de um rosto marcado pelo tempo.
Aqueles olhos... seriam verdes? Olhos verdes, já disse um poeta, são traição. O modo direto de olhar, a firmeza em sustentá-lo revelavam, no entanto, dignidade de caráter.
Pernas longas em um corpo longilíneo mostrando um equilíbrio entre as belas partes que compunham um todo mais que perfeito.
Não vou dizer que é uma deusa para não desmerecê-la; as deusas que conheço, inclusive aquelas mais bonitas da mitologia grega ou romana, ficam a lhe dever. As do mundo contemporâneo, as chamadas fashion, top model ou sei lá mais o que... tadinhas.
Cristo, que mulher é essa?
Então, estou aqui tentando descrevê-la, mas não encontro palavras. Comprar um dicionário? não vai adiantar.
Existem mulheres que são a imagem viva do pecado; o que ela passa não tem nada a ver. O Criador não daria a ela esse papel, mas eu adoraria pecar com ela, mesmo que tivesse de queimar eternamente em todos os fogos de todos os infernos e ter ainda como castigo, torcer pelo Corinthians.
São tantos os detalhes perfeitos. Pintá-la como descrevê-la só mesmo, só mesmo... só mesmo quem? Deus já a fez, retratá-la cabe a nós e nós, pobres de nós...
Se eu pudesse pararia o tempo, prendê-la-ia; mandaria em seu coração, penetraria na sua alma e faria das nossas vidas, uma linda canção de amor.


José Hamilton da Costa Brito, membro do grupo experimental da academia experimental de letras.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

...acabou.




Era um sítio de duzentos alqueires; uma fazenda. Ficava nas margens de um rio com águas cristalinas e celeiro de bons peixes.
Uma casa de único cômodo, chão de terra batida , abrigava o velho Antenor, sua mulher Gervásia, o filho Tarcísio e a filha “ di menor”, Tereza.
Perto da casa um poço, que não era raso e mais distante, um chiqueiro. Quando fazia muito calor, o cheiro dos porcos e seus detritos entravam pela alma.
Infelizes?
Que nada.
Relógio e despertador eram obsoletos ali; o velho galo e o canto das maritacas no seu vai-e-vem mostravam o início de um novo dia, que de novo...
Cafezinho no fogão, cigarro de palha, um enroladino atrás da orelha e outro na boca, a foice na cacunda e lá iam, menos a “ di menor” para o roçado.
E assim eram todos os dias; feriado eles mesmo escolhiam quando fazer. Geralmente, pegavam a jardineira e iam para a vila fazer as compras daquilo que não produziam.
De tarde, ao voltar para a casa, pai e filho paravam no rio, cavucavam umas minhocas e sempre havia uma fritura ou ensopado na panela.
Duas coisas não conheciam: fartura e falta do essencial. É pouco, quase nada, mas muitos por este mundão de Deus não têm.
Todos os dias, ai pelas oito da noite, a lamparina era apagada e a paz reinava no pedaço. Como tinham muito amor para trocar mas não o faziam, cada um se ajeitava com sua esteira em um canto e...boa noite pai, boa noite mãe, a benção.
-Pai, to cansado dessa vida.
-Ah! Sabe que não penso em mim, que já me acostumei e não saberia viver em outro lugar, mas penso em você e, principalmente, na sua irmã. Que futuro tem a menina, vivendo assim.
-Intão, pai. O que a gente vai fazer. Dinheiro a gente não tem nem para mudar. Eu quero ir para a cidade. Gosto daqui . Onde mais eu posso pegar meus peixes, ouvir o canto do xororó, o galo-da-campina, o jaó, ver um por do sol como o daqui, pai?
-Fio, pega a jardineira amanha e vai lá na cidade; procura o cumpadi Zelão, fala se ele pode te arrumar aquele quartinho dos fundos inté você arrumá um emprego. Antonce nóis aluga uma casinha, eu arrumo tomem um emprego, sua mãe pode trabaiá nas casas de família e a gente se arruma ; com o tempo a coisa vai miorá.
Assim pensaram, assim fizeram. Logo o emprego foi arrumado, a casinha alugada, o pai foi ser guarda de posto de gasolina, a mãe lavava e passava “pra fora” e a menina entrou para a escola.
Mas quem trazia mais dinheiro para a casa, era o filho.
-Fio, onde é o seu emprego?
-Ah!Pai, trabalho com uns amigos, sou vendedor ambulante. Ganho comissões. Com pouco tempo, pai, arrumo nossa vida.
-Deus te abençoe, fio.
Realmente, em pouco tempo, até carro, um fusca velho mas em bom estado, o rapaz comprou.
E a vida ia bem, muito bem...
Até que um carro com as cores vermelha, preta e branca, parou na porta... Tarcísio foi levado.
-Pai, e agora, a gente volta pro mato? Eu não quero, pai.
-Fia, to muito desgostoso. Nossa vinda pra cidade, só trouxe desgraça. Aqui não é lugar pra gente.
-Mas pai, quero estudar, ser alguém nesta vida. Lá na roça, o que vai ser de mim.
Não teve jeito. Voltaram. A roça os recebeu de volta... e no rio, um corpo, foi encontrado, boiando...era o corpo de uma moça.


José Hamilton Brito, mmbrodo grupo experimental da academia araçatubense de letras.

domingo, 4 de outubro de 2009

EDILEUSA





Naquela manhã, Edileusa não acordou legal.
- Quibe desgraçado.
Era uma jovem desinibida, acostumada a ganhar no grito; palavreado remonta ao cais onde seu pai trabalha.
Cresceu no meio de homens e mulheres rudes; os de sua idade, eram um grande desafio para a sociologia
Caçula, cozinhava, lavava as cuecas e as calcinhas impregnadas dos fluidos dos irmãos e irmãs adolescentes.
Se mandava tudo à merda, desaforo e até alguns tapas do pai.
- Pô, depois vem o padre dizer que tudo acontece porque Deus quer... Quis levar minha mãe?! Mando esse padre...
A vida corria em sua rotina.
Namorado?
- Quem vai querer namorar uma merda de garota igual a mim, com uma família de ignorantes.
Foi jogar o lixo em um terreno baldio e viu. Devia ter uns cinco ou seis anos mais que ela; alto, cabelos loiros... e sarado.
- Deus, se tudo acontece porque o Senhor quer, manda este sujeito para cima de mim... encaro.
O carinha jogou o pacote dentro do terreno e Edileusa, o dela, em cima dele.
-Perdão, não tenho pontaria.
- Perdôo, mas presta atenção na próxima vez.
- Qual é o seu nome?
- Mariano.
- Mariano, vai pra puta que te pariu.
O que Deus jogou, Edileusa rebateu de primeira.
O Criador não desistiu. Uns três ou quatro dias depois, dançava na discoteca da Associação dos Amigos do Cais. Estava lá o Mariano.. sorriu para ela.
-Maldito, se me convida para dançar, vou mandá-lo para... o meio do salão e corro atrás.
Um sorriso, um vou te levar pra casa, um ta bom, u”a mão na mão, u”a mão naquilo, um aquilo na mão e a vida seguiu o seu santo curso.
Edileusa amou com paixão e assim foi amada. Gentilezas, expressões e gestos de carinho, nem pensar... e era o que recebia de Mariano.
- Hoje recebi o salário; comprei o jogo de cozinha para a nossa casa.
Assim foi pedida em casamento. Ela vinha se esquivando aos desejos dele aos seus próprios e tomou uma decisão.
- Amor, se você quiser dou o que você quer.
- Legal! Você comprou?
-Uai, que história é essa de comprou.
-O CD do Leonardo que eu quero?
-Escuta aqui, seu filho... que cacete de Cd...vai pro diabo.
O “beicinho” criou um clima de deixa disso, vem pra cá. Os zíperes se abriram, as casas dos botões ficaram vazias e o amor se deu. Nas preliminares parecia uma brisa suave. Logo depois, verdadeiro tornado.
Alternando brisas e tornados o tempo passou, a casa foi montada e chegou o grande dia... quer dizer, o dia do casamento. O grande dia havia acontecido há algum tempo.
E foram felizes.
- Amor, tá esquisito; uma azia, sei lá que diabo é isso...
-Ah! Não dá nada, não. Toma um trem qualquer para o estômago, que logo passa.
- A gente vai no pesque-pague?
-Claro. Se arruma logo; você na frente do espelho é uma desgraça. Vai logo tomar seu banho.
-Vai primeiro . Fico um pouco mais aqui na cama; terminando, me chama.
Mariano no banho, ia conversando com Edileusa, que respondia às suas perguntas.
-Amor, esqueci a toalha; dá uma , por favor.
-Edileusa, a toalha, amor.
- Cacete, vai me trazer a toalha ou não?
-Edileeeeeuuuusaaaa!!!!!!!!!!!
- Desgraçada, dormiu.
Sim, ela tinha dormido.
O sintoma que parecia ser um transtorno estomacal ou hepático... não era.
José Hamilton da Costa Brito é membro do grupo experimentl da Academia Araçatubense de Letras

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

...IGUAL A VOCÊ



...IGUAL A VOCÊ


Você não olha nos meus olhos

É por causa da sabedoria popular:

O olho é o espelho da alma.

Do que você tem medo?

Será que esconde um segredo

Que não é para eu saber ?

Não tenha essa preocupação

pois as coisas de um coração

se mostram em inúmeros sintomas.

provocam efeitos colaterais

e quando a gente percebe

esconder, já não dá mais.

Por exemplo, presta atenção

aqueles teus beijos de língua

se transformaram em selinho

os teus agarras sarados

viraram meros tóquinhos

e do orgasmo, outrora, pontual

não há vestígio, não há sinal.

Enquanto o meu corpo se saceia

o teu famoso tesão...escasseia

Era um puro amor, quase divino

agora é uma merda, amor de cretino

Não há mais nada a fazer

então, pega o teu rumo, querida

Vá em busca da felicidade

Existem outras mulheres no mundo

Eu vou buscar, na verdade, uma

uma que seja igualzinha a você


JoséHamilton Brito, membro grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras.


EU SABIA


EU SABIA


Eu sabia...advinhava.

pudera, eram tantos os sinais.

Nossos olhares...distantes.

Nosso humor...inconstante.

Um sei lá...um não sei o quê!

Intervalos bem maiores

...no ir e vir.

por boa que fosse a piada

...apenas um sorriso.

Nunca mais a gargalhada...

Enfim...não havia mais nada

Mostrando existir um amor.

Os grandes, os maiores sinais

Vieram do aparelhinho

O tal do celular.

Eu...atendendo sem graça.

Você atendendo mais longe...

Era um tal de: dá licença?

A fortalecer a crença

De que algo acontecia.

E fui tendo a certeza

Um sonho comum, se perdia.

Então, em fio de vóz

falando, até por nós, você disse:

Vamos manter a nossa amizade

Nos encontraremos se houver desejo

Não vamos perder o ensejo...

Hoje, os amigos fazem amor.

O que me resta, pensei eu...

Antes pouco do que nada.

Mas, ao pensá-la em outros braços

Tropecei nos meus próprios passos

E nunca mais me levantei


José Hamilton da Costa Brito é membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras.











quarta-feira, 23 de setembro de 2009

EU QUERIA



VEJO VOCÊ , DERRUBADA
EU QUERIA ENTENDER

O QUE ACONTECEU...

QUAL A PARTE DO CAMINHO
ONDE VOCÊ SE PERDEU...

RECORDO O JEITO ELEGANTE

AQUELE OLHAR INTRIGANTE

PROTÓTIPO DE GRANDE DEUSA.

O TEU QUEIXO EMPINADO

OLHAR, ACIMA DO HORIZONTE

MOSTRANDO UM CERTO DESDÉM.

AGORA, O QUE EU VEJO?

GRANDE, IMENSO DESAFIO

TRAZÊ-LA DE NOVO PRA VIDA

E NELA, CONTIGO GOZAR.

FAZÊ-LO DE TODOS OS JEITOS

ESQUEÇER OS TEUS DEFEITOS

E VER VOCÊ, DE NOVO,SORRIR

RECORDO OS MOMENTOS VIVIDOS

ESCUTO OS TEUS LOUCOS GEMIDOS

E SINTO, TUA UNHA, RASGANDO

NA MINHA CARNE ,PENETRANDO

DEUS DO CÉU! COMO AGUENTAR?

NOS COMBATES, EM CIMA DA CAMA

OU AINDA, EMBAIXO DA ESCADA

... A TARA QUE VOCÊ MOSTRAVA

A VIDA A CORRER, NÓS ...A AMAR.

E, SEM SABER O POR QUÊ

AGORA, DEUS, O QUE SE VÊ

O QUE FOI QUE ACONTECEU?

ONDE VOCÊ SE PERDEU...

ESTA ROUPA, DESLEIXADA

ESTA PELE, MAL CUIDADA

CABELO, NINHO-DE-GUAXE

OS TEUS QUILOS...PARA MENOS

UMA QUESTÃO DE SOMENOS

A TUDO EU POSSO AJEITAR.

SÓ PRECISA VOCÊ QUERER...

E TEREMOS, OS DOIS, JUNTINHOS

MUITO TEMPO PARA O AMOR
SEJA O SENTIR OU O FAZER

IGUAL AO QUE A GENTE FAZIA

DIA E NOITE, TODO DIA

TUDO... TUDINHO, NOVAMENTE

IR E TE LEVAR À LOUCURA

DEIXANDO DE LADO A FRESCURA

DO ISSO OU AQUILO, EU NãO FAÇO

POSSUÍ-LA DE TODAS AS MANEIRAS

FAZENDO TODAS AS BESTEIRAS

E MAIS O QUE VOCÊ QUISER

...TORNÁ-LA DE NOVO, MULHER

E AO CHEGAR O FIM, AFINAL

ESTANDO NO JUIZO FINAL

OUVIR DAQUELE QUE NOS CRIOU:

"VOCÊS PECARAM NA TERRA

MAS NINGUÉM AMOU TANTO ASSIM

POR ISSO, QUERIDOS FILHOS,

FIQUEM AQUI, BEM PERTINHO DE MIM"



Membro do grupo experimental da Academia Araçaubense de letras.











TEU NOME



t

TEU NOME



tem o jardim, como fim

receber das mãos do Senhor

Lindas flores

de todas as espécies

Cada uma, tendo um valor.

São vermelhas, brancas, azuis

Há em conchas,pétalas e afins

nascem aqui, ali...nos confins

enfeitando este mundo de Deus.

No terreno da minha existência

Tive rosas, lírios , hortências

Cravos, margaridas e açucenas

nada mais...só flores, apenas.

Lembro da elegante verbena

a lindinha do meu belo jardim

Há uma com o dom de curar

como a famosa dama-da-noite

cujo extrato tomado em doses

faz a lerda libido, atuar

oportuno, falando em amor

a linda margarida, citar

é a flor do aquariano

pór simbolizar a inocência

retratando a paz e a vida

uma, oh! sagrada doçura

a mais importante, enfim

tem o perfume do incenso

como qual agradeço ao Senhor

ter me dado a suprema ventura

de amar a florzinha mais pura

esta que leva o teu nome

....amor.



José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras








terça-feira, 22 de setembro de 2009

A LISTA


A LISTA


Ainda há pouco um telefonema...esses telefonemas no meio da noite!!!
- Lastimo comunicar que o padre Cláudio, faleceu.
Por um laço de gratidão, sempre pensei mais no amigo, que no padre; não o via há tempo.
Ele faz parte de um passado onde só havia uma máquina produtora de sonhos, nada ainda de realizações, a não ser, cumprir s compromissos do dia-a-dia. Tudo e todos se foram, como sempre foi na minha vida: só eu a ficar.
Isso até pode ter o seu lado positivo, afinal...
Afinal, o que eu preservei, além da saudade...
Nada foi o que eu sonhei mas eu me reconheço no espelho do tempo, cuja face eu vejo agora...nada é o que eu achei que seria: mas o que vejo me agrada.
Acho que não joguei nada fora. O tempo foi levando sem me pedir licença.
Mistérios..,nem os dogmáticos. Nunca me preocupei com mistérios, entendê-los ! O melhor em mim sempre me acompanhou, não sou melhor agora porque sou o que sempre fui.
Nunca fui de condenar mentiras. Acho que elas ajudavam a viver. Quantas situações embaraçosas uma boa mentira ajudou a evitar. As canções que nunca cantei , não as canto agora também...não me considero um sobrevivente. Sou mais que isso. Seria desmerecer o meu passado, tudo e todos os que estiveram comigo no caminho da minha vida, se me julgasse um mero sobrevivente.
Nunca tive segredos. Sempre fui um livro aberto e não era escrito em grego.Para o bem ou para o mal, sempre procurei a transparência...mesmo mentindo algumas vezes.

Minhas mentiras caíram sobre mim mesmo, daí estar em paz.

Ah! de uma coisa eu tenho a mais absoluta certeza, assim como Deus existe: todas as pessoas que me amavam, ainda me amam...estejam onde estiverem.


José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras


CAMINHOS SUAVES




POR CAMINHOS SUAVES


Eu não vim morar aqui.
Eu sou daqui... mas você, que veio, seja bem vindo.
Eu, então, não trouxe comigo malas e sonhos; eu os elaborei aqui mesmo.
Minha relação com a cidade é de amor, mesmo quando meu carro cai em um buraco no asfalto; nunca digo: cidade desgraçada. Digo, pref... Deixa pra lá que o homem é amigo do meu amigo.
Quando volto de uma viagem demorada, sobretudo nas madrugadas, me emociono ao sair da Marechal Rondon e adentrar-me pela Avenida Brasília, passar pelo Bola Sete... É bom saber que estou em casa. Aqui me sinto em paz, me sinto seguro.
Chegar de manhãzinha e ir comer um pastel na feira. O que? Brega? ...eu acho chic. Se eu for assaltado, será por um assaltante daqui.
Claro que aqui temos nossas mazelas: ir a um sarau e escutar o Heitor – Poetas das Multidões – recitar “sagrada bochecha” e” mãe na zona”.
Os limites que ela me impõe não me fazem fraquejar; quando sinto que pode acontecer, me visto de gladiador e encaro.
Procuro sempre fortalecer as minhas raízes com as pessoas que amo... Com quem eu tolero, também.
Minha alma voa além dos problemas que a cidade
possa ter e percorre sem traumas e temores pela natureza , mesmo quando a ela fica ferida, como por exemplo, por uma fonte... luminosa???, Como aquela da praça central da cidade.
Araçatuba, eis as razões pelas quais eu te amo; aqui mantenho a esperança e a fé... Aqui sinto que percorro por caminhos suaves.
Assim, digo a você que chegou: fique e veja as belezas que há por estas margens do Tietê. Nossos filhos estão crescendo, novos sonhos estão surgindo e há muito por fazer.
Saibam, o futuro e o presente andam juntos por aqui, são novos tempos e há urgência... Tanta fé, nunca se viu.
Você que não veio, venha; você que está aqui, fique.
Há um mundo de riquezas e de belezas e é sim, é possível ser feliz nestas margens do grande rio. Ele, outrora dos Bandeirantes, agora é nosso. Eles empurraram as nossas fronteiras... trazer desenvolvimento, progresso é, doravante, com a gente.

Membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de letras

COISAS DO SACI


-Pedrinho, pega o cavalo e vai buscar o pai, ele chega na jardineira das duas.
Cavalo, meio de transporte nas noites que iam para a vila, uns quilômetros longe da fazenda. Havia um mata-burro e mais afastada, uma grande e velha figueira... E na velha figueira...
Cristiano, um mulato desdentado, dizia que ali tinha um “trem quarqué”:
- -Mininu, passando na figueira, parece que o cavalo fica pesadão, que tem "arguém" na garupa, um bafo quente na nuca... diabo de coisa danada, sio!
E toma gozação.

- É o teu namorado que morreu, vem dar um passeio contigo pra matar saudade.
- Oia sio, num brinca ...
Um dia, Pedrinho, tarde da noite e só, sentiu um frio na espinha, o cabelo arrepiou. De repente, o trote do cavalo ficou esquisito e não adiantou dar na espora... tinha algo ou alguém na garupa.
- Minha Nossa, quem está ai? È o capeta?
- - Não, sou o filho dele. Quando perdi a perna, meu pai, desgostoso, foi morar em Brasília e me deixou aqui na figueira.



José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia Araçatubem]nse de Letras.







O TAPETE VERMELHO


O tapete vermelho


Mas que coisa! Você tem a maldita mania de querer diferente de todo mundo.
Ser diferente, fazer a diferença... qual o erro?
Se todos fossem iguais, qual a graça? A não ser que sejam iguais a você... Você não, o cara! Sai fora, meu.
Lá nas multinacionais nas quais trabalhei, os iguais fizeram a mesma coisa a vida inteira... o diferente era promovido, era mais notado.
Apresentava resultados diferentes porque estudava mais, se esforçava mais, observava mais, conhecia as melhores técnicas, era mais persuasivo e tinha um melhor gerenciamento das suas atividades; por essas qualidades, produzia mais.
Assim como na vida profissional, na pessoal, os diferentes são tratados de maneira especial; nem precisam competir muito pela atenção dentro do seu círculo.
No meio de uma turma, a lindinha nota o carinha porque ele é igualzinho aos demais? Nada disso! Por ser diferente, foi notado.
Sem ser diferente, não há como se destacar.
- Ah! Eu não sei; não tenho queda pra “Cidão”...
Geralmente, pessoas que pensam assim, têm a autoestima comprometida. Não se conhecem e não aparecer, é autodefesa.
Vivemos em um mundo dinâmico. competitivo; os círculos de amizades, as pessoas com as quais nos relacionamos.vão sim influenciar
Decisivamente em nossas vidas... elas nos indicam, nos recomendam.
Assim como não só do pão viverá o homem, não só nos.
Valores éticos e morais se apoiará quem queira realmente competir e vencer.
É preciso mais... Muito mais. Em um exame de seleção de candidatos, um tatuado, um barbudo, um introspectivo, um antisocial terá problemas de aceitação.
A menos que seja altamente criativo, demonstre grande inteligência e perspicácia, alto nível de determinação, qualidades que fazem a felicidade dos entrevistadores, conseguirá o emprego... são poucos os que possuem essas qualidades...a maioria é igual a um caminhão de...”Corinthianos”.
_ “Está bom do jeito que eu sou, não quero mudar”... Bobagem!.
Mude, seja diferença. Usando uma expressão “novíssima”: saia da vala comum.
As pessoas são umas diferentes das outras; faça da sua, uma diferença maior, obedecendo aos seus valores e fixando-se em seus objetivos. Quer dizer, armazene características que possam te ajudar no segmento de vida escolhido. Se você conseguir ser um profissional querido e respeitado é porque antes você atingiu um nível de aceitação muito alto no conceito dos seus.
No plano social, como conseqüência, será para você o mais lindo tapete vermelho.
Procure ser diferente e faça a diferença.



José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academian Araçatubense de Letras
Crônica publicada na Folha da Região - dia 24 de setembro de 2009 - Caderno VIDA - Soletrando.



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

UM AMOR BEM ASSIM



MEU AMOR POR VOCÊ

É UM AMOR BEM ASSIM

TEM O JEITO DO LÍRIO

A COR DA AÇUCENA

O PERFUME DA VERBENA

A ELEGÃNCIA QUE A ROSA TEM.

PARECE UM FIO DE ÁGUA

DESCENDO NA CORREDEIRA

ENTRE ARBUSTOS

...E PASSARINHOS.

NA PAZ E NA HARMONIA

MEU AMOR POR VOCÊ

É UM AMOR BEM ASSIM.

SILÊNCIO NA MADRUGADA

CONTEMPLAÇÃO DE POR DO SÓL

SORRISO DE CRIÃNÇA

ENFIM...É TUDO DE BOM.

É ASSIM QUE O MEU AMOR É

É UM AMOR BEM ASSIM


réplica


by RITA LAVOYER


MEU AMOR POR VOCÊ

É UM AMOR BEM ASSIM

UM AMOR ASSADO

AMOR EXTRAVASADO

TEM JEITO DE CARNE

TEM COR DE DESEJO

É CHEIO DE GOZO

ELE É LABAREDA

QUE INVADE AS ENTRANHAS

ENTRE AS ANCAS, O NINHO

ONDE PEDE REPOUSO

O TEU PASSARINHO

PARA FAZER ALVOROÇO.

MEU AMOR POR VOCÊ É ASSIM:

É BOMBA QUE EXPLODE

E PURA EMOÇÃO

É O SÓL SOBRE A LUA

EM TEMPO DE NÚPCIAS

É O GOZO E O PRAZER

É A CERTEZA DE CRER

QUE É TUDO DE BOM

O MEU AMOR POR VOCÊ

É ASSIM...

É ASSADO....APAIXONADO


tréplica


by José Hamilton


AH ! SE ESTE AMOR FOSSE ASSIM

AMOR ASSADO, EXTRAVASADO...

AMOR ASSSIM NÃO EXISTE...

NAO SEI, ENTÃO

POR QUE INSISTE....DESISTA.

NÃO ACREDITO EM VOCÊ

INVADE ENTRANHAS !!!

VOCÊ E TUAS MANHAS...

QUANDO VAI APRENDER?

NAO ADIANTA, QUERIDA

NÃO ACREDITO EM VOCÊ

OUTRO DIA, JÁ DISSE

QUE O MEUPASSARINHO

PRECISA POUSAR.

QUE A TERMA É DESCENDENTE

E JÁ NAO CONSEGUE VOAR

...EU AQUI ME DESPENCANDO

ENQUANTO VOCÊ FALA DE ANCAS

NÚPCIAS E PRAZER

E EU SÓ QUERENDO UM CARINHO

ME AQUECER NO TEU NINHO

EM TI...REPOUSAR


final


by RITA LAVOYER


MAS ELE AINDA É AMOR EXTRAVASADO

ACREDITA EM TI

ABRA A TUA GAIOLA

ESTE TEU PASSARINHO

AINDA PODE CRESCER.

ESTE AMOR EXISTE SIM

EU NÃO VOU DESISTIR

ESTE TEU PASSARINHO

SÓ PODE CRESCER

AQUI...DENTRO DE MIM.

NÃO ACREDITA NO TEU PODER?

DÊ-ME UMA CHANCE

EU SOU FEITICEIRA

O MEU CALDEIRÃO

ESTÁ CHEIO DE MANHA

...CHEIO DE TRANSA.

ESTÁ CHEIO DE GLÓRIA.

EU MEXO E REMEXO

RESSUSCITO DEFUNTO

A QUALQUER DIA

A QUALQUER HORA

SE O TEU PASSARINHO

PRECISA POUSAR

POIS QUE POUSE EM MEU LAR

EU SOU UMA SANTA

SOU TODA ALTAR

ME ADENTRE AS ANCAS

ME ACHE O FIM

ENTRA AQUI, PASSARINHO

DEPOIS, SAI VOANDO

...COMO UM QUERUBIM


jOSÉ hAMILTON DA COSTA BRITO E RITA LAVOYER SÃO MEMBROS DO GRUPO EXPERIMENTAL DA ACADEMIA ARAÇATUBENSE DE LETRAS.


















terça-feira, 8 de setembro de 2009

RONDANDO COM A MÚSICA






Rondando com a música

“ Se o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações”. Charles Chaplin.

A história musical de Araçatuba é muito bonita, tão rica em talentos, que só um iniciado não consegue enxergar tanta gente boa fazendo música da melhor qualidade.
Não só o Chico Buarque, Bonfá, Gil, Caetano, Pixinguinha e outros, dignificaram a canção brasileira.
Ah! Araçatuba não faz nada que se aproveite em matéria de produção musical, nossos músicos deixam a desejar, é o que se ouve por ai.
Façamos uma ronda pela nossa música, então.
Vamos citar, como começo de prosa, um que se fez médico, mas já nasceu seresteiro: o doutor Renato Costa Monteiro... Sem dúvida, o maior nome na seresta desta cidade. Na medicina se ombreou com feras da sua época: Dr.Cotrim, Dr.Cardilli, Dr.Uchoa, Dr.Katsuda e na música brilhou tanto quanto.
Seu nome é respeitado, clinicando ou cantando . Com seus amigos Carlinhos, Geraldo, Dornelas, Rufino, Veriano Bispo, formou um belo grupo de seresta poetizando as noites, seja na cantina Bella Nápoli ou na Newton”s Pizzaria, principalmente
Possui o maior e melhor repertório; passeia facilmente por Pixinguinha, Adoniram, Guilherme de Brito, Chico Buarque, Ataulfo Alves e seleta companhia. Chão de estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa é a música da sua vida. Quer que os amigos a cantem na sua despedida....
Ouso dizer que a música “Sentimental demais” de ERvaldo Gouveia e Jair Amorim, foi escrita tendo o médico-seresteiro como fonte inspiradora, tamanha a sua sensibilidade.
São tantos: Maestro Brandini e , com ele, o excelente pistonista Jurandir Croti - o Jura - vindo de Gervásio e sua Orquestra , do Paraná, para brilhar nos carnavais de Araçatuba. Há quem se lembre ainda do saxofonista Milton.
Manfredini, o grande maestro de “Os Guanabaras” onde pontificava o pistonista Moacir.
Dona de belíssima voz e inesquecíveis performances: a Meire, cantando no Bola-Sete.
Marcou época o conjunto “The Yellows” com Rafa, Carlinhos, os irmãos Arthur e Dorival e Giba. Esses correram mundo, mostrando excelentes músicas em casamentos, bailes de debutantes e de formaturas; há que serem citados os conjuntos Corda e Vozes e o Tuba trio.
Quem gosta de boa música, pode ver Kadá, Bola, Querô , César Menezes, Mazzini, Mauro Brito, Marcelo Amorim, o violão “xonado” do Jorginho, o professor Beltrão e seus companheiros do Clube da Seresta.
Aos sábados, entre meio dia e cinco horas, ali na esquina da Torres Homem com a Chiquita Fernandes, Dr. Renato se apresenta com o exímio violonista Mário Eugênio, que integrou o famoso Astros do Amanhã, do saudoso Edson Gabariti, o Bolinha. Mário, gentilmente, acompanha quem queira mostrar talento... E os há, em quantidade e qualidade: José Soares, Militão, ainda o Giba, mostrando que o tempo não diminuiu seu grande talento.
É o sonho do grande médico-seresteiro: que o gosto pela seresta sempre renasça em outros corações.

José Hamilton Brito, membro do grupo do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras

Crônica publicada na Folha da Região - dia 10 de setembro de 2009 - Caderno Vida -Soletrando

terça-feira, 1 de setembro de 2009

...OU QUASE


...OU QUASE

José Hamilton Brito



No umbral
um passarinho.
No céu a lua
No horizonte
um clarão do sól
que nascia
O nascer
O morrer
Assim
se alternando.
de qualquer modo
a natureza...ali.
e você?
você...onde você está?
quais as ruelas
quais os descaminhos
por quantos ninhos...
tuas praias
...de cascalhos.
teu chão
...sem assoalho.
um céu sem sol
nem tua lua
tem fase.
....e comigo
você foi feliz
...ou quase.



__________________________

Um último beijo e você se foi. Depois...o primeiro soluço, o primeiro desejo insatisfeito, primeira saudade no peito, o primeiro wisk,o segundo, o terceiro...cigarros e cinzas.

Há um nada entre mim e você...um horrivel grito do silêncio é o que há.

Eu fui o teu engano mas você nao foi o meu. Diga, comigo...onde você se enganou.

Quero ser menos eu e mais você.Quero amar-te mais que a mim. Estar conTigo no fim....e muito além.

O vento vinha em lufadas...como ondas de um mar. A natureza parecia existir só para mim....só parecia.




MEMBRO DO GRUPO EXPERIMENTAL DA ACADEMIA ARAÇATUBENSE DE LETRAS







segunda-feira, 24 de agosto de 2009

,,,so fazer




...só fazer




Tarde de outono

Folhas secas...caindo.

Por acaso, um ocaso

...em mim.

A vida,passando.

Eu...esperando.

Espera sem fim.

E você...assim.

Estava certa,

Te esperaria

até o fim.

Milagres acontecem?

Aconteceu...

Ou você, de mim

se condoeu.

Foi amor,foi pena?

Nem quero saber.

queria ser minha.

Não queria amor

...só fazer.

Na penumbra do quarto

o primeiro botão...

nem sei o certo

...nem quero saber.

Te amei.

...não.

Fiz o amor que você queria.

E o que eu,em transe

consegui fazer.

Mas entre gritos,sussuros

e ais...

pedias : quero mais...

Nunca dois corpos ficam assim

...fundidos.

Nunca um convexo

e um côncavo

se aceitaram tanto.

E eu te dei o que tinha

e o que não tinha...tentei.

O teu último gemido

ecoa em minha alma.

segue os meus passos.

e o meu corpo...

que ainda pede o teu.

...que se foi.

como deveria ter ido

este desejo-amor

que sinto por você.


José Hamilton Brito, membro dogrupo experimental da academiabaraçatubense de letras





quinta-feira, 30 de julho de 2009

AGORA ESTA SAUDADE


Agora, esta saudade!

No pátio, um jardim; no jardim, uma fonte; na fonte, uma estátua deNossa Senhora de Fátima; nos braços estendidos da santa, um passarinho.
...um tiro.
Eis um passarinho estendido no... não, não estendido, mas boiando, e tingindo com o seu sangue a água cristalina.
Onde, quem atirou?
Em um seminário, e quem atirou foi um padre, professor de Gramática Latina e diretor disciplinar.
O desgr... digo, o santo padre tinha uma espingardinha de pressão e, nas noites de insônia, ficava
atirando nos gatos pelo bosque de eucaliptos que havia em torno do colégio. Durante o dia,
do seu quarto, ficava atirando nospassarinhos que pousavam nos braços da santa.
Foi assim. O menino, de família religiosa, coroinha, resolveu que seria padre e, junto com outros,
foi encaminhado pelo bondoso monsenhor, que a tudo deu jeito.
Só um se ordenou.
Lá, a vida transcorria entre orações, estudos e práticas desportivas e intelectuais. Não davam
oportunidade para um pecadinho, por menos safado que fosse.
Exemplo: na hora do banho.
Havia o primeiro apito para tirar a roupa; o segundo, abrir o chuveiro e banhar-se; o terceiro, fechar a água e enxugar-se; o quarto, abrir a porta do banheiro. Não dava tempo para... para nada.
Se o seminarista ficasse três dias sem comungar, lá vinha o diretor espiritual: "Fiiiilho, por que
não está comungaaando? O filho está em pecaaado?".
E a gente pecava. Ora, como pecava.
No carnaval, havia o retiro. Três dias sem poder conversar. Incomunicabilidade absoluta. Só
rezar. Formávamos grupo de dois ou três e circulávamos fazendo nossas orações, mais ou menos assim:
"Ave Maria cheia de graça... pô, você quase me arranca a perna naquela dividida... bendita sois
vós entre... cacete, você é um frouxo... Santa Maria, mãe de Deus... frouxo é o teu pai, você que é um cavalo... e bendito é o fruto... ah! vá pro diabo...".
Aproximando alguém, a gente rezava. Ao afastar, conversa mole. Depois, a gente confessava e
no próximo ano... o mesmo pecado.
Na capela, oração e recolhimento. Na rua ao lado, um bloco de carnaval na maior zoeira. Um
dia, montaram uma quermesse e do dormitório a gente escutava o Carlos Gonzaga "mandando ver" na Diana e uma tal de "A cerejeira não dá rosa, não". Nunca mais esqueci essa música. Na quaresma, solenidades na Catedral.
Bispo, monsenhores, padres ricamente paramentados. Quem não participava da liturgia no altar
ia para o coral de três ou quatro vozes. Quem já participou de um coral juvenil cantando "Adeste Fidelis" sabe do que falo. Até hoje o "zóio" fica molhadinho.
No teatro, encenamos Pueri Hebreorum, Henrique IV, Barrabás. Nunca soube que o danado tivesse um filho, mas eu fiz o papel. Treta do padre Cláudio.
No cine paroquial, encenamos uma ária de Verdi: "Vá Pensiero".
Não me ordenei. Mas lucrei muito. A formação que lá recebi me ajudou muito no curso de Letras
e, depois, no Direito. Me ajudou, sobretudo, orientando a minha vida.
Agora... bem... agora...


José Hamilton Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras

terça-feira, 21 de julho de 2009

UAI,FOI PRAGA!


FOI PRAGA


Ta bom... foi praga.
Não, não sei quem jogou.
...mas pegou.
Família pequena.
Fundo do sertão.
Pai, mãe, menina.
...um irmão.
Modelo padrão
A vida... corria.
Menina... crescia.
Beleza de se vê.
Será? Foi o capeta?
Ou o sei-lá-o-quê?
Na hora da ordenha
...um bezerro manhoso.
Da peia, escapou.
A vaca... enraivou.
E lá no curral
Bem no lamaçal
Um corpo... ficou.


José hamilton brito
Grupo experimental

A SECA


A SECA


A seca
A água secou.
Acho até
Nem Deus notou.
Nem lágrima.
Mas o sertão
...chorou.
O milho... já era
E sem a seara
A fome vingou.
Nem nuvem...
Nem novena...
Rezadeira ?
Escondeu-se
A menina?
...se perdeu.
Ninguém cuidou
...dos seus.
...nem Deus.
Pé no chão
Bicho no pé
...e na barriga.
Vida... perdida!
Missão cumprida
E o homem
...soçobrou.
Acho que ele
Nem Deus amou.


José Hamilton brita
Grupo experimental

terça-feira, 7 de julho de 2009




Cidades

ARTIGO

Caro amigo leitor

Vera Lúcia Garcia Galdeano
Quinta-feira - 21/02/2008 - 03h01

Vera Lúcia Garcia Galdeano,

colaboradora desta Folha, é professora em Birigüi e escreve neste espaço às quintas-feiras

Quero utilizar-me deste artigo para falar com todos os meus leitores desta coluna e responder a todos os cumprimentos aos meus escritos. Sinto-me cada vez com mais responsabilidade em proferir meus pensamentos. Eles são balizados,

analisados e comentados, e isto é algo de muita alegria para mim, que tento pensar a vida de uma forma diferente, que é a de enfrentar os problemas sem muitos conflitos, pois os conflitos só agravam as situações e postergam as resoluções. Para isto, os estudos e as pesquisas ilustram nossa vida.

Lendo grandes romances, analisamos a vida e a história de outros para aplicar aqueles conhecimentos adquiridos em nossas vidas.Quando falo em grandes leituras, não falo de livros de auto-ajuda que prescrevem receitas tão não aplicáveis a nossa realidade. Cada um tem sua história e é sobre ela que tem que surgir a análise de nossas ações. Um grande livro para se começar sendo um bom leitor e ver que a grande felicidade está nas coisas mais corriqueiras e simples é “O Fio da Navalha”, de Somerset Maugham; “Os Ratos”, de Dyonélio Machado, tem o mesmo valor.A leitura flui e o prazer de cada folha lida se acresce às demais. Não seja um leitor ávido, seja um leitor ruminante, aquele que lê poucas páginas, mas as saboreia como se fossem um manjar dos deuses. Pensar no que lê, refletir até concluir o porquê das ações dos personagens. Em que a época contribuiu para que os fatos fossem daquela maneira e não de outra. O local interferindo nas ações, as personagens que causam ação e reação. Enfim, o conflito como se é dado, as razões e se for aberto o final para que você busque o melhor, o seu final. Seja como um advogado abnegado que não descansa até chegar à mais satisfatória verdade. Um livro conhecido por todos e por esta razão pode ser debatido com muitos amigos, é “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Será que Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Será mesmo que todos os homens trazem dentro de si a saga de terem sido traídos um dia? Seria Bentinho o protótipo do homem traído, tão decantado e cantado nas músicas breganejas? Ou seriam as mulheres tão dissimuladas, capazes de levarem os homens àquele martírio vivido por Dom Casmurro, o Bentinho? Também “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, que desperdiça toda a vida em busca de conservar a sua fazenda e deixar herdeiros para manter seu capital. Seus atos se tornam tão cruéis que ao se perguntar "se eu pudesse recomeçar... Para que me enganar seria do mesmo modo". Conclui que a profissão deixou-o um bruto.E assim, lendo, vamos aprendendo a analisar a vida. Esta é a grande razão da literatura romanceada. Diferencia-se da literatura científica que aponta soluções, caminhos exatos. Levanta hipóteses, apóia as pesquisas e desenvolve novas tecnologias. Mas voltemos aos meus leitores aqui representados, na figura de José Hamilton da Costa Brito, que por e-mail comentou meu artigo da semana anterior, intitulado “Amor”. Ele pergunta sobre meu cunhado, que teve a oportunidade de muito nos ajudar nos anos oitenta, quando passamos por terríveis problemas. Era assim mesmo como descreveu meu querido leitor, a pessoa de José Galdeano. Pronto a atender a todos, a nos ilustrar com seu conhecimento. Prefiro aqui transcrever o dito, intitulado "Uma Pergunta", pois acredito que assim o sentimento fica mais verdadeiro e as colocações ficam mais claras. “Senhora, lendo o teu artigo Amor (Folha da Região, 14/2, Cidades, B2) - em um dos parágrafos, a senhora fala da ação do abraço como fator de liberação da ocitocina... Revi um quadro várias vezes repetido na minha vida profissional, ou seja, vi um amigo, representante de laboratório farmacêutico chamado José Galdeano me explicando questões de anatomia, farmacologia e fisiologia, posto ser ele experiente e eu iniciante no ramo. Lendo o artigo e ligando os sobrenomes, achei que a senhora pode ter alguma laço de parentesco com o meu finado amigo... Tem? Tendo, meus parabéns, pois ele era um grande homem e um muito bom amigo.”Este é um grande leitor, foi capaz de se transformar em leitor sujeito. Foi capaz de unir a sua história de vida ao discutido no artigo. Ainda mais, capaz de traduzir-se em grande escritor, traduziu em poucas palavras todo grandioso sentimento e agradecimento por alguém que de uma forma tão singela ajudou-o a construir sua carreira profissional. Poucos são capazes de tal grandeza. Lembrem-se que, em nossa sociedade patriarcal, os homens, os chamados meninos homens, foram educados a não demonstrarem seus sentimentos. As mulheres, sim, podiam chorar e lamentar-se. Talvez seja por isto que elas se lamentam tanto, dos maridos, dos filhos, do trabalho e até mesmo de sua existência. Tenho visto muitas pessoas que ao final de suas vidas só contabilizam perdas. É como se fosse uma existência de perdas e mais perdas, incapazes de falar dos ganhos. Como aqueles agricultores que, se está chovendo, está estragando a plantação; se faz sol, é a seca a causadora dos estragos. É como nunca tivessem uma colheita ou uma safra com bons resultados.Que todos sejam tão estudiosos, tão sabedores e capazes de compartilhar seus conhecimentos com os amigos encontrados na história da vida como José Galdeano, e que todos sejam tão grandes e humildes para reconhecer os amigos como o José Hamilton da Costa Brito.

Para ler a matériadiretamente no jornal clique nas imagens acima.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

JURO QUE É VERDADE


clique na imagem para ampliar e lerl


Na cidade havia uma família, dona de vários nichos de comércio; na verdade, eram quatro irmãos inteligentes, empreendedores e cada um à sua maneira. O mais velho, mais comedido e elegante; o segundo, mais inclinado ao primeiro; o terceiro gostava de uma "muvuca", ao terceiro.

De um negócio pequeno começado pelo pai, montaram um império comercial na cidade e região. Naquele tempo, o comércio cerrava as portas aos sábados, ao meio-dia mesmo; alguns funcionários ficavam ali por perto da loja, nos bares, tomando umas e outras, jogando um truquinho com os amigos e discutindo "miolo-de-pote" antes de tomarem o rumo dos lares.
Em um deles, chega ao bar o terceiro, acompanhado de um amigo também comerciante, com um plano "muvucal" já elaborado.
Chegaram rindo, falando sobre futebol e, aos poucos, foram elevando a voz, proferindo palavras ofensivas, e a coisa foi se agravando. Um senhor que estava por perto procurou chamá-los à razão, pediu que não discutissem, que aquilo era feio, etc, etc.
De repente, o terceiro saca de uma arma de fogo, aponta para o amigo e diz: "Vou te matar, desgraçado!".
Da palavra ao ato, dispara a arma. O cúmplice leva a mão ao peito, olhando com espanto. Uma mancha de sangue começa a aparecer. Imediatamente, vira a arma para o senhor que tentava serenar os ânimos e diz: "E mato você também!".
Bem na frente do bar ficava se sabe como, o ameaçado senhor passou por elas em desabalada carreira... estaria correndo até hoje.
Estaria. Correu pouco, pois ficou sabendo da treta.
Ficou sabendo que a briga não era briga, que a arma era de brinquedo e o sangue era mercúrio cromo, cujo recipiente, apertado pela mão, estourou e manchou a camisa.
Ficou mais de mês por ali, esperando os "muvuqueiros" aparecerem. Dizem que o facão que o homem trazia nas mãos era de considerável tamanho. O delegado, avisado do fato, nem tomou conhecimento, pois se não fosse daquela vez, haveria uma outra.


José Hamilton da Costa Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras