quinta-feira, 26 de novembro de 2009


EU NAO VIM MORAR AQUI. EU SOU DAQUI.MAS VOCÊ, QUE VEIO, SEJA BEM-VINDO. EU, ENTÃO, NÃO TROUXE COMIGO MALAS E SONHOS; EU OS ELABOREI AQUI MESMO. MINHA RELAÇÃO COM A CIDADE É DE AMOR, MESMO QUANDO MEU CARRO CAI EM UM BURACO NO ASFALTO; NUNCA DIGO: CIDADE DESGRAÇADA. DIGO, PREF...DEIXA PRA LÁ QUE O HOMEM É AMIGO DO MEU AMIGO.QUANDO VOLTO DE UMA VIAGEM DEMORADA, SOBRETUDO NAS MADRUGADAS, ME EMOCIONO AO ADENTRAR-ME PELA AVENIDA BRASÍLIA, PASSAR PELO BOLA SETE...É BOM SABER QUE ESTOU EM CASA. AQUI ME SINTO EM PAZ, ME SINTO SEGURO.CHEGAR DE MANHÃZINHA E IR COMER UM PASTEL NA FEIRA. O QUE? BREGA? ...EU ACHO CHIQUE. SE EU FOR ASSALTADO, SERÁ POR UM ASSALTANTE AQUI DA CASA. CLARO QUE AQUI TEMOS AS NOSSAS MAZELAS : iIR A UM SARAU E ESCUTAR O HEITOR GOMES - O POETA DAS MULTIDÕES - RECITAR A SAGRADA BOCHECHA OU A MÃE NA ZONA. OS LIMITES QUE A CIDADE IMPÕE, NÃO ME FAZEM FRAQUEJAR; QUANDO PRESSINTO QUE PODE ACONTECER, ME VISTO DE GLADIADOR E ENCARO.PROCURO SEMPRE FORTALECER AS MINHAS RAÍZES COM AS PESSOAS QUE AMO...COM QUEM EU TOLERO, TAMBÉM.MINHA ALMA VOA ALÉM DOS PROBLEMAS QUE A CIDADEPOSSA TER E PERCORRE SEM TRAUMAS E TEMORES A NATUREZA, MESMO QUANDO A POEM FERIDA POR UMA FONTE , POR EXEMPLO....LUMINOSA? COMO AQUELA DA PRAÇA CENTRAL DA CIDADE.ARAÇATUBA, EIS AS RAZÕES PELAS QUAIS EU TE AMO: AQUI MANTENHO A ESPERANÇA E A FÉ. AQUI SINTO QUE PERCORRO CAMINHOS SUAVES. ASSIM, DIGO A VOCÊ QUE CHEGOU; FIQUE E VEJA AS BELEZAS QUE HÁ POR ESTAS MARGENS DO RIO TIETÊ.NOSSOS FILHOS ESTÃO CRESCENDO.NOVOS SONHOS ESTÃO SURGINDO E HÁ MUITO POR FAZER. SAIBAM; O FUTURO E O PRESENTE ANDAM JUNTOS POR AQUI, S/AP NOVOS TEMPOS E HÁ URGÊNCIA...TANTA FÉ NUNCA SE VIU. HÁ UM MUNDO DE RIQUEZAS E DE BELEZAS E, É SIM, É POSSIVEL SER FELIZ NESTAS MARGENS DO GRANDE RIO.ESTE, OUTRORA DOS BANDEIRANTES, AGORA É NOSSO. ELES EMPURRARAM AS NOSSAS FRONTEIRAS, TRAZER MAIS DESENVOLVIMENTO E PROGRESSO É, DORAVANTE, COM A GENTE.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

ISTO É PURA SORTE!

ISSO É PURA SORTE





Sai caminhando...

Onde ir, nem pensei.

Como ir?...caminhando.

Fui.

Como diz um palmeirense:

fui fondo.

Vocês sabem, palmeirense

é...é erudito.

Não mais que, de repente,

uma curva sinuosa.

Placa: curva perigosa.

Assim, aquele riozinho

não vi e

sua corredeira, também não.

Aquele ipê florido...nada.

Estava tal qual corinthiano

perdido no brasileirão.

é chamam essa inhaca

...de timão.

Mas, do lado da estradinha

quase perto da fonte

Vi o teu carro parado

...quebrado.

Tentei ajudar.

Parafuso, apertei.

Carburador, regulei.

A bobina, limpei.

Teu olhar em mim

notei.

Radiador , conferi.

Teu interesse, senti.

Encher o estepe, não deu.

Ah!teu sorriso...prometeu.

Esta estrada, que não era

da vida

minha vida, devolveu.

Veja que sorte:

Sai como palmereisense.

Caminhei como corintiano.

Como sampaulino

...voltei.



José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.

sábado, 31 de outubro de 2009

YES...IS A TRAMP



Nasceu lá para os lados do pantanal mato-grossense e veio para a cidade grande ainda menina.
Aquela vidinha que toda criança tem: grupo escolar,a casa, os amiguinhos e a vida...indo.
Mas se havia algo nela, era a capacidade de observar e comparar; foi percebendo que a casa da Juna, era mais bonita que a sua, que Luíza sempre tinha um vestido novo para sair, que o pai do Turcão tinha um carro novo.
Sobretudo, reparava no ar cansado da sua mãe, na falta de um sorriso mais amplo do seu pai e que sua irmã mais velha, evitava sair com as amigas e vivia trancada no quarto.
Sempre faltava um sapato melhor, uns trocos na carteira, um bilhete para o último ônibus.
Foi crescendo e cada vez se amargurava mais.
- Não sei o quanto vai me custar, mas comigo vai ser diferente; se a vida ou o destino querem fazer o mesmo comigo, estão enganados...aqui,o muro é mais alto.
Já na faculdade, conheceu Tibério. Tipinho mais tipinho, não seria possível...mas tinha dinheiro, grana, a chamada “ bufunfa”. Ai, pensou aquela nascida no pantanal, está a sua beleza.
-Oi Tibério, você já tem companhia para ir ao baile do diretório acadêmico?
Claro que não e ela sabia. Quem iria sair com uma coisa ruim daquelas. Foi alvo de risadinhas, de piadinhas e até comentários mais atrevidos:
Ei fofa! saiu com a placenta?
Ela...ah! sim, o nome dela é Cacilda. Então Cacilda pensou:
-Placenta ou não, vai resolver minha vida. Se pensam que vou passar a vida igual minha mãe e minha irmã, que se casaram com uns trastes, estão enganados.
-Cacilda, o ano que vem a gente se forma, eu retorno para a minha cidade e acho, então,que temos que conversar.
A sujeita se fez de desentendida e perguntou coma cara mais...mais deste mundo:
-Uai amor, conversar sobre o que ?
-Bem, eu te amo e você me ama, assim é natural que queiramos ficar juntos a vida inteira. A melhor maneira é a gente se casar.
-Eu te amo, você me ama...a sua famíla nos amará estando casados? Sou pobre ; eles não sabem nada sobre mim.
-Bem, eu não te disse, mas o meu pai faleceu e era viúvo. Sou filho único, o inventário foi concluído e sou dono da minha vida e dos bens que eu herdei. Só dou satisfação a mim mesmo.
-Oh! Querido, como eu lamento, como estou sofrendo por você.
Mas dentro do coração, se o ton...digo, o namorado pudesse , ouviria:
-Aleluia, aleluia, aleluia,aleluiaaaa!!!!!
O ano foi embora, a diplomação aconteceu e o casamento foi....com comunhão universal de bens.
E houve um fato importante. O noivo chamou para seu padrinho, um primo. Sujeito sarado, moreno, olhos verdes e um sorriso, daqueles que como se diz no pantanal, tirava pica-pau do oco.
Cacilda teve certeza que seriam felizes para sempre.
Não sei, teria sido por uma historia como essa que alguém fez a letra de That lady is a tramp?

José Hamilton Brito, membro da academia experimental de letras.




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PODER DA PALAVRA


PODER DA PALAVRA


Foi em GRANDE SERTÃO: VEREDAS que Guimarães Rosa escreveu que viver é perigoso.
Falar também pode ser.
Tem até aquele ditado que anuncia que quem fala o que quer, ouve o que não quer... isso, quando não recebe uma bala.
-Hein! Fala o que quer e ainda recebe uma bala, tá doido?
-Bala, do inglês Bullet, sua anta.
Alguém já disse que as pessoas não foram preparadas para escutar o que falam. São poucos os que “se escutam”; daí, o alto grau de desgraceira que o fato provoca.
Segundo o mestre AURÉLIO, palavra é a unidade mínima com som e significado, que pode, sozinha, constituir enunciado.
Ela pode sozinha fazer lindas coisas se houver a boa vontade das pessoas; assim, só usando verbos em ar: reatar, consolar, curar, educar, namorar. Todavia, se a pessoa não se escuta, podemos ter: destruir, desunir, mentir...
A palavra pode fazer com que surja o amor, mas também o ódio.
Um grupo de palavras pode redundar em Ave Maria, gratia plena, dominus tecum, benedicta tui in mullieribus et...
Uma palavra sozinha: tramp, morra... mas pode ser: amor, querida, mamãe, filha...
Ela pode dar confusão entre pessoas e entre povos; ela pode dar prazer à vida e fazê-la menos perigosa. Basta que nos ouçamos antes de dispará-la, pois ai ela pode ser bala... não a de chupar. Pensar para falar é fundamental.
Rubem Alves, citando Guimarães Rosa diz que feiticeiro é aquele que diz uma palavra e, pelo puro poder desta palavra, sem o auxílio das mãos, o dito acontece.
Entre os normais, quando a palavra é mal usada, acontece o dito e a desdita.
- Certo. Então o melhor é ficar de boca fechada, até porque segundo consta, com ela fechada, mosquito não entra e ainda que o silêncio é ouro e finalizando, se falar fosse mais importante que ouvir, a gente teria duas bocas.
Mas falar é preciso.
Sobretudo nos dias atuais que compõem a chamada era da comunicação.
Nunca as pessoas se comunicaram tanto; a tecnologia,favorecendo-a, aproximou fronteiras e a distancia está na tecla do enter.
Tem muita gente que se preocupa em falar bonito, quando deveria se preocupar com o pertinente, o correto; palavras de conforto e incentivo e fazer-se acompanhar de gestos e expressões que transmitam carinho. Quando houver motivo justo para um descontentamento, fazê-lo com parcimônia e respeito pelo próximo.
Apenas para não deixar de fora, nenhum lugar-comum, ainda temos o: é conversando que a gente se entende.
Mas não é somente falar, é preciso fazê-lo com coerência, com ênfase.
-Mano, o que é coerência?
-É conexão, harmonia entre as partes que compõem um todo, é a existência de um nexo entre os pensamentos.
-Ah! Tá. E o que é ênfase?
- Ênfase é energia, vitalidade, realce no jeito de falar; é triste ficar ouvindo uma voz monocórdica , como se estivesse em um Ora pro nobis...ora pro nóbis...
-Pois é mano, havia tudo isso, todos estes trens ai que você falou: energia,ênfase, realce na palavra adeus, no momento em que ela foi embora.
Não fosse o dom da palavra, quem sabe...
José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PURCINA DE ALMEIDA

PURCINA ELISA DE ALMEIDA

José Hamilton da Costa Brito

Purcina Elisa de Almeida é natural de São Manoel,no Estado de São Paulo. Nasceu em 01 de novembro de 1881. Filha de José Mariano de Almeida e Maria Jacintha de Jesus. Concluiu os seus estudos, em São Paulo, no colégio Caetano de Campos em 1917, e em 1918 foi nomeada a primeira professora efetiva de Araçatuba, no Grupo Escolar Cristiano Olsen. No dia 07 de janeiro de 1921 casou-se com Antônio Ribeiro. Teve uma filha, Júlia Guiomar Ribeiro Gomes e três netos, Purcina, Paulo Boanerges e Heitor Gomes....

E ASSIM SE FEZ PROFESSORA.

“A missão da gente na vida é encontrar e seguir o próprio sonho”, Anne LeClaire.
Pois foi o que dona Purcina fez.
Acho que estamos aprendendo com a cultura oriental a expressar o sentimento de gratidão e prestar reverência àquelas pessoas que nos antecederam e que, com sua energia, dedicação e espírito de luta, deixaram um grande legado.
Ontem, o livro “Nos Trilhos do Centenário” em homenagem, segundo o mestre Hélio Consolaro, aos pioneiros que apostaram em Araçatuba; hoje, uma homenagem mais do que justa aos professores.
Dona Purcina foi uma mulher admirável e resoluta que soube transformar as dificuldades em realizações; acreditou que podia converter os seus sonhos em realidade, ao longo da vida.Ela sempre foi a gestora da sua carreira. Se o envelhecimento pode ser considerado um obstáculo, sempre soube se adaptar às novas necessidades que a vida lhe ia impondo.
Se houve momentos de crise, soube aproveitá-los para se reorganizar e seguir em frente..., dizia não ter tempo para perder.
Angústias, tristezas e problemas, os mais diversos, que são da natureza humana, nunca fizeram dela presa fácil das adversidades. Enfim, não temia o futuro. Olhava sempre para a frente e não compartilhava do pessimismo que grassava entre alguns dos seus parceiros de magistério.
Aprendeu a ser calma e perseverante para lidar com sua vida e com a vida daqueles que a circundavam.Se a compaixão é inata no ser humano, nela então foi a característica mais marcante;preocupava-se com as dificuldades e com as dores dos outros.
Segundo palavras do neto Heitor Gomes – “o poeta das multidões” – Dona Purcina não foi à procura do seu futuro nas cartas do Tarô; buscou-o no trabalho árduo, na dedicação à sua família e à sua profissão.Ainda, segundo Heitor, ela foi a primeira professora formada de Araçatuba e, além do seu trabalho oficial no Estado, no qual se revelou estupenda alfabetizadora, dava aulas particulares.
E como era ser professora na região de Araçatuba, naqueles tempos? A cidade era carente de recursos materiais e culturais, se sustentava, sobretudo na atividade agropecuária.Foi o contexto no qual se sobressaiu Dona Purcina.
Foi pioneira no magistério Araçatubense e por suas mãos, passaram ilustres figuras da nossa sociedade contemporânea. E não aconteceu por acaso. Ela possuía a capacidade de ouvir e aceitar os seus alunos. Estabelecia com eles uma relação de simpatia; compreendia as suas ações e reações; aceitava ou recusava suas atitudes, mas sempre estimulando e incentivando... Possuía o dom da flexibilidade.
Para ela, o aluno era uma pessoa digna de confiança. E, como foi também uma grande professora, imortalizaram o seu nome como patrona do então GESC do Jardim Juçara, desde 1971. Foi o reconhecimento da sociedade Araçatubense pela sua abnegação.
Segundo Thomaz Handy : " A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos"
Assim se fez professora.

José Hamilton da Costa Brito, membro do grupo experimental da academia