Meu primeiro livro virtual

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ESCREVIVÊNCIA








E o troféu MUITO OBRIGADO de 2011 goes to.......Maria Aparecida Baracat, a dona Cidinha, Presidenta da Academia Araçatubense de Letras.
Um dia este troféu foi para o Professor Hélio Consolaro por ter criado o grupo experimental da mesma Academia.
Sou otimista quanto ao rumo da cultura literária em nossa cidade enquanto pessoas como estas existirem e conseguirem ter junto delas outros abnegados.
“ Quando eu morrer, minhas memórias vão se perder. Mas não quero que se percam. Tenho de dá-las para alguém que tome conta delas. Aí me vem a aflição por escrever. Quando escrevo. estou lutando contra a morte. A morte das coisas que o meu amor ajuntou e que vão se perder quando eu morrer”
Assim disse Rubem Alves em Se eu pudesse viver minha vida novamente....
Mas não vão mesmo, pensou dona Cidinha...não vão se perder meeeeesmoooo enquanto depender de mim.
Não iria depender só dela porque a Marilurdes Campezzi, a Cecília Vidigal Ferreira, a Yara Pedro, o Dr.Glenn Wood se uniram ao projeto. Alias a Marilurdes – Lula - coordena um grupo de estudos sobre textos lá mesmo na Academia.
Pensando, agiram e agindo criaram o Escrevivência.
Como o feliz nome já diz, as pessoas que o integram escrevem sobre as suas vivências, sobre fatos que marcaram as suas vidas e o fazem sem nenhum constrangimento por terem atingido a maturidade que as libertam de preconceitos e outras coisas do gênero. O grupo existe para pessoas com idade de 60 anos e acima.
Todas as quintas feiras de cada mês ele se reúne na sede da Academia ali na Joaquim Nabuco, 210, 19h30.
Cria-se um ambiente propício ao recolhimento com uma música suave, dá-se um tema para ser pensado e depois as pessoas falarão sobre ele.
Um deles , no qual a choradeira rolou solta, foi o Pai. Sugeriu-se até que a Academia fornecesse caixas de lenços. Alguns dos escreviventes foram descobrir depois de muito tempo que os seus pais eram apenas pais e não heróis garbosos cavalgando cavalos brancos e colocaram no texto sem o menor constrangimento. Uma pessoa com menor idade talvez tenha esta convicção, mas revelar para outras que acabaram há pouco de conhecer e sobretudo para si mesmas? Sei não.
Li que Franz Kafka escreveu uma carta para o seu pai, mas não teve coragem de enviá-la. Não era só ele que tinha cisma do velho. Muita gente tem, a considerar o que foi revelado naquele pequeno grupo. Nota-se nas entrelinhas uma tensa relação que existiu entre alguns pais e seus filhos.
Outro tema abordado com empenho foi Deus, coordenado pelo Doutor.Glenn Wood ; alguns criacionistas mostram nesgas de evolucionistas. Eu, por exemplo.
A Acadêmica Yara Pedro coordenou o grupo e deu como tema: O baile que você gostaria de ter ido. Notou-se uma certa inclinação em revelar mais do que poderia ser revelado. A tentação de contar sobre aquele neguinho (a) que apareceu assim assim, foi grande.
Cecília Vidigal Ferreira, aquela que sabendo, compartilha, coordenou o grupo no tema: O que eu gostara de receber ou dar de presente. A maioria preferiu dar que receber.
Só eu preferi receber.
-O que?
-ah! Um certo sorriso que alguém me deu em um baile de debutantes há pelo menos...deixa pra lá. Mas eu gostaria de revê-lo.
E assim os temas vão se sucedendo a cada encontro , com a coordenação dos membros da Academia: que água eu gostaria de ser, o retorno, a amizade,.
A gente se reúne , conversa, escreve, canta quando a Marilurdes Campezzi , a Lula, lança mão do pinho ou a dona Manuela Trujilo, a mãe da música de raiz de Araçatuba, canta uma das suas preferidas.
Um luxo para o qual os de sessenta anos estão convidados e a eles dou um conselho: revisem o seu passado e conte. Por isso é que dizemos que no grupo se faz psicoterapia literária.
Uma lágrima que caia é uma mágoa a menos no coração , uma marca a menos no rosto e um sorriso que se eterniza


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciadosblogueiros.blogspot.com .site aracatubaeregiao.com e Nvavpb (academia virtual poética do Brasil.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O que a mamãe faz aí?




Era uma tarde de outono, folhas amarelas pelo chão e Bernardo caminhando naquele lugar. Os pingos da chuva, como não havia sol, eram apenas pingos de chuva e não pérolas pendentes dos galhos. Sentou ali na relva molhada, entre aqueles canteiros retangulares e leu um nome...irmã do seu amigo Luiz.
-Luizinho, cadê você moleque?
_O meu irmão não está, saiu para jogar bola lá no campo do Salesiano.
- Ah! Filho...Ficou de passar em casa, com a bicicleta e me deixou na mão. Agora tenho que correr, senão me deixam de fora.
Das peladas das ruas às pescarias de bagre lá no chiqueirão perto do rio, passaram a infância.Mariana, irmã do amigo, continuava envolvida com sua brincadeiras de meninota e nem ligava para o que o irmão e seus amigos faziam.
O tempo foi passando, os primeiros fios de barba aparecendo e Mariana já não mais com as suas brincadeiras . A lua e o sol se revezavam no céu mas a beleza de Mariana era crescente e constante.
-Moleque desgraçado, não respeita a irmã do melhor amigo?
Lembra-se perfeitamente. Um dia estava brincando de médico e paciente com ela. Estava fazendo um exame no corpo dela quando o tapa na orelha veio sem avisar.
Levaria todas as surras do mundo dadas pelo pai dela mas a surra que a vida lhe dera, estava impossível de suportar.
No começo a aproximação foi difícil. Mariana o via como aquele moleque de outrora, eterno bebê Johnson, como o chamava e nenhuma esperança lhe dava.
Um dia, fazendo o clássico na mesma sala , arrumou uma encrenca com um colega que estava dando em cima dela.
_ Você não é nada meu, seu chato. Não sou sua namorada.
-Ainda não, magrela.
Aí que ficava tudo danado. Quando a chamava de magrela, o que ela tinha na mão, jogava. Um dia jogou o apagador da lousa. Três pontos na cabeça.
Ele foi fazer medicina na capital, ela direito...também lá.
Escolas próximas, as respectivas pensões não eram longe uma da outra e os encontros foram se tornando freqüentes. Como só tinham um ao outro da mesma cidade, amparavam-se nas horas de saudade de casa...depois perceberam que não era bem por isso.
-Eu amo você, Mariana.
-Bernardo, não consigo entender o porquê, mas eu amo você também... E você nao presta , amor.
Embasados nas suas respectivas culturas específicas, estudavam-se à luz da medicina e do direito. Como não chegavam a uma conclusão...
-Vou avisar o seu pai que vamos casar.
-Está vendo como você não presta.Você não vai avisar, vai é pedir minha mão em casamento.
- Tá, eu peço a sua mão então. Já tenho o resto.
-Cachorro, filho da...
_Mariana, se for homem como vai se chamar nosso filho.
- Será mulher e vai se chamar Lorena.
Casaram-se...Adveio um câncer no seio. Não deu tempo de Lorena chegar.
-Papai, o que mamãe está fazendo aí?


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciadosblogueiros.blogspot.com. site aracatubaeregiao.com.br.

sábado, 17 de dezembro de 2011

ERA LÁ

Era lá

A noite ainda dava os seus últimos bocejos e na linha do horizonte um clarão anunciava o início de um novo dia; uma ou outra estrela teimava em permanecer como que aguardando o início de um grande espetáculo.

Marlene abaixou a luz dos faróis deixando as lanternas acesas, pois se não era dia ainda, noite também não era.

Trafegava por uma estrada bem cuidada, de três pistas que ofereciam segurança para os usuários.

Estava cansada, ansiosa por um posto destes de beira de estrada, pensando em um cafézinho e dar uma esticada nas pernas. Afinal, já havia rodado 750 quilômetros e outros 130 precisavam ser “ engolidos”

Mas ia feliz. Recém formada em medicina, havia escolhido uma pequena cidade no interior de Santa Catarina para montar o seu consultório quando reunisse o numerário, trabalhando como contratada do hospital da cidade.

Solteira, havia deixado a mãe aos cuidados da irmã mais velha, professora do ensino médio na cidade onde nascera; ela havia contribuído muito para a sua formação, dando-lhe os recursos que faltavam , posto serem os seus proventos como vendedora de carros, insuficientes.

Quando se deu conta, trafegava por uma avenida beira mar vendo as ondas se quebrarem nos rochedos; gotículas de água chegavam ao seu rosto, mas não suspendeu os vidros do carro pois a sensação de vida nova começou a tomar conta dos seus sentidos.

Dirigiu com cuidado, pois via o paredão à sua esquerda e o asfalto estava molhado; qualquer descuido, qualquer vacilo na direção e... Deus me livre.

Ali estava o seu presente e o seu futuro e se fosse tomar por base a paisagem que se descortinava à sua frente e às informações que tinha sobre a cidade e o hospital, seria um futuro radiante. Tentar fazer uma medicina mais humanizada era o seu objetivo.

Mas pensando no futuro, voltou ao passado.

A primeira imagem foi a do pai, funcionário de uma revenda de automóveis, vendedor conceituado que lhe dando todas as informações, possibilitou mais tarde que ela viesse ganhar o seu sustento e o da mãe, uma vez que o pai, vítima de violento infarto, virou espírito de luz.

Viu-se como normalista, usando aquele uniforme de saia azul e camisa branca; a irmã já fazia o científico mas depois optou pelo magistério. Optou nada, foi obrigada pois não havia dinheiro suficiente para que um dia pudesse ostentar um belo número do Conselho Regional de Medicina.

Com a irmã formada e casada dando-lhe o suporte necessário , prestou vestibular para medicina e de antemão sabia que se passasse, iria arrumar um problemão na vida, pois achava não ser justo sacrificar seus parentes para poder ser médica. Passou, pensou em desistir e teve que levar a maior esculhambação do cunhado, justo dele, que pensava, não iria gostar de ajudá-la nos estudos.

No terceiro ano do curso quase a coisa se complica. Conheceu uma verdadeira praga morena, 1.80 de altura, cabelos pretos, olhos verdes e sonhadores, um sorriso que matava mais que formicida Tatu e não demorou vieram as ânsias de vômitos, as tonturas, as vontades de comer gabiroba as quatro horas da manhã.

Não pensou um instante em si, mas no sacrifício inútil da família. Seu professor de obstetrícia, homem dado mais ao pragmatismo que aos princípios morais e éticos fez a sugestão e ela aceitou na hora.

De repente, uma freiada mais brusca; um cachorro saiu da mata em velocidade e atravessou a pista.

Epa! Preciso tomar cuidado. Fico pensando na morte das bezerra, descuido e se....Deus me livre.

Viu perfeitamente, como se estivesse acontecendo de novo, o seu baile de formatura. A família orgulhosa dela. Quando dançava com o cunhado, sentiu que o fazia com o pai. Sentiu o seu cheiro, os carinhos que ele fazia nela...ele sorria.

-Olá papai, você por aqui, como é bom te ver .

Não era aqui....era lá.

...

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

A AMIZADE


ESCRIVIVÊNCIA
Tema : A amizade
Amigo, colega, conhecido...
Conheci todos os tipos.
Os colegas e conhecidos...o nome, pelo menos da grande maioria, se foi com os passos do tempo. Também colegas de trabalho, das peladas nos campinhos de futebol, das caminhadas noturnas, do tiro de guerra.
Dos amigos, não me esqueço. Um deles, o senhor João Gomes Guimarães, deu-me as primeiras noções de responsabilidade quando fui para o mercado de trabalho, na ainda construção da Creche santa Clara de Assis.
Como sou ex-seminarista, este foi um tempo marcante na minha vida. Levado pelas mãos do monsenhor Vitor Ribeiro Mazzei, de quem era coroinha acompanhante pelos batizados e casamentos realizados nas fazendas e vilas da região. Uma vez, ante o tempo danado de ruim, o piloto perguntou se ele era amigo do Homem, porque a coisa ficou feia. Ele sorriu e disse para não termos medo. Eu não tive.
No seminário vejo nitidamente a figura do Joaquim Cardoso, hoje meu cunhado, do padre Cláudio da Silva, que faleceu como pároco de Braúna recentemente, do Arnaldo Amantea, cujo pai explorava o bar do Araçatuba ba clube em seus áureos dias, do Bento Batistela, aposentado como juíz de direito, do monsenhor Pazzeto, um reitor que dava amor e pancada na medida exata.
Mas antecedendo ainda a todos eles, ali no pedaço entre a General Glicério e a Bandeirantes...ali está ainda todo o pedaço de mundo que eu amei um dia e que evito passar para que meu coração não doa.
Numa esquina, a família Furukawa – Tuneo, Lídia, Maria, Suzui.Na outra, César e sua irmã Yara Pedro, hoje Acadêmica. Em frente à minha casa, senhor Zair e dona Maria, esta uma das mulheres mais elegantes que eu conheci.Pais do meu amiguinho Paulo e da Neusa. Quase cinqüenta anos depois a vejo caminhando no calçadão da Marechal e saiu uma poesia: acho que te amo...ainda. Mas é um amor daquele passado, dos amigos, de uma época áurea da minha vida. Chego a pensar, das nossas vidas pois éramos realmente felizes.
No campo profissional, o Vanni, meu gerente em um laboratório farmacêutico, que demitiu-me por força de uma circunstância, mas me disse: se a coisa melhorar, te busco de volta. Disse e fez.Mais tarde assumi o posto que um dia foi seu..
Aí, veio a aposentadoria.
Fiquei à deriva, a beira de uma de uma depressão mesmo.
Li no jornal da cidade que um grupo ligado à Academia Araçatubense de Letras procurava pessoas que quisessem integrá-lo para estudos literários. Entrei e fiquei; não demorou, amei.
Comecei a equilibrar de novo as minhas emoções vislumbrando que poderia ser feliz ali.
Em seguida, conheci um grupo de seresteiros através do Aurélio Rosalino, o grupo Amigos da Seresta e mesmo com os emails cruzando os céus do meu Brasil com as broncas do Beltrão, coordenador musical, pelas atravessadas musicais, vi que a minha felicidade se solidificava..
Vislumbrei que as gotas iniciais de felicidade se transformaram num aguaceiro danado e vou aproveitá-la enquanto a minha última onda não chegue à praia ou a algum rochedo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O que eu gostaria de receber ou dar de presente


ESCREVIVENCIA

COORDENAÇÃO - CECÍLIA VIDIGAL FERREIRA

O que eu gostaria de receber ou dar de presente?

Na verdade é dando que se recebe já diz premissa famosa...E nem foi deixada por Deus, mas por um político safado lá da terra das araucárias. O desgraçado distorceu o ensinamento deixado pelo Senhor.

Sou de uma família onde dar presente não era uma constante, só nos aniversários e no natal e nem adiantava esperar carrinhos, brinquedos, radinho de pilha, bicicleta e afins...Roupa e tome roupa.

Assim atingi a idade adulta e levei comigo o hábito; não percebi a frustração provocada, aquela que eu próprio sentira um dia.

Um presente para mim?

Quem sabe voltar aos velhos tempos dos brinquedos de rua, guerras de estilingue feitas com mamonas, pescarias no baguassu onde pegávamos os mais incríveis bagres sentados na porteira do chiqueiro, nas buscas daquelas árvores pequenas que davam uma forquilha perfeita para os nossos estilingues.

_ Como se chamava a pequena árvore?

-Bem, ela chamava-se....Eita, não posso falar aqui, sio!

Mas voltar e deixar os que amo...Nem pensar.

Coisas materiais...Nenhuma delas me fascina; como já disse , não tê-las não provoca raízes na minha alma e assim, evito as cicatrizes na minha face.

Aprendi que presente é igual dar pinga. O desgraçado do presenteado raramente gosta da “ mardita”.

Explico: uma vez um CEO de um laboratório farmacêutico no qual trabalhei telefonou- me e disse:

-Zé, to sabendo que na tua região são produzidas pingas de ótima qualidade; traga-me uns dois ou três garrafões.

Ah! Vamos agradar quem manda. Fui até uma cidadezinha aqui perto, peguei a mais famosa , levei pra São Paulo; depois da reunião do dia, antes do jantar, o “homi” pediu a caninha.

Nossa mãe, o que passei para ir da garagem até ao apartamento do chefe, tentando passar desapercebido com os garrafões, foi uma luta.

_É Zé, boazinha...

- Boazinha chefe é a....viu?

Então, fico matutando aqui: o que eu gostaria de ganhar...

Dar é complicado. Além de....Bem, se dá um Azzarô, queriam um Kenzo, se dá um Fiorucci queriam um não sei o quê e você se decepciona. Acho que é por isso que dizem que dar...Dói.

Pensando.....

Ah! Se eu pudesse pedir a Deus um presente, gostaria de reviver uma cena.

_ Fala filho, qual é?

-Vai dizer Pai, que o Senhor não sabe?

_ Se soubesse não estaria perguntando, idiota.

- Pai, lembra-se daquele baile de debutantes no qual eu fui padrinho dela, lembra quando dançávamos a valsa? Então, gostaria de rever o sorriso que ela me deu.

sábado, 19 de novembro de 2011

O SUPREMO ARQUITETO


Escrevivência

Coordenação: Dr. Glenn Wood

O supremo arquiteto

Há muito o homem busca responder: quem sou eu ? Qual a minha origem e a do mundo em que vivo?

Quem eu sou e o que o espelho não mostra, julgo ter respondido em trabalho anterior.

Quanto à minha origem, à nossa origem, o problema se complica porque duas vertentes tentam dar uma explicação: os criacionistas e os evolucionistas.

Aqueles buscam respostas na fé : eu acredito e por ai vai. Estes buscam respostas na ciência, mas a ciência explica até um certo ponto.Ela não pode dar respostas para o que ela não sabe, mas o que sabe está provado. Conseguiu-o pelas experiências feitas, pelos erros e acertos verificados através da busca do seu objeto de estudo. Método experimental, base da ciência...ah! como se você não soubesse...

Mas por que em um mundo racional, pragmático como o contemporâneo, a fé é uma força considerável?

Porque em remotas épocas resolvia-se um problema com o uso das mitologias, das seitas e o aspecto místico era o único considerado. Não vai longe, o mundo já tinha caminhado bastante e os índios brasileiros denominaram de Caramuru o sujeito que disparou uma arma para amedrontá-los. Novos Caramurus nascem todos os dias. Foi uma época pródiga na produção de contos e lendas fantasiosas...continua?

Como a religião é um fenômeno cultural transmitido, quando se muda de religião a sacanagem se dá contra os antecessores e não contra qualquer religião. Eu poderia mudar de religião, não o faço em respeito aos meus pais, pois qualquer uma responde ou não às minhas necessidades espirituais. Se bem que necessidades espirituais nao seja um tema ainda bem esclarecido em mim. As materiais, eu que não corra atrás pra ver.

O homem é um afobado de nascimento, quer respostas imediatas para as suas questões e não pode esperar que a ciência aos poucos vá lhe revelando coisas. Exemplo simples: o dejá vu. Sabe-se que se trata de um fenômeno de descompasso entre as sinapses e assim tem-se a sensação da repetição do fato. Se não é isso, fale lá com os estudiosos alemães. Antigamente o motivo era: estive aqui em vidas anteriores.

Uma criança nasce paraplégica e está pagando por erros na vida passada. Qual erro? Ninguém sabe. O homem não condena ninguém sem dizer: você infringiu a lei tal e por isso vai pagar assim e assim. O homem “ bolou” seu esquema melhor que Deus, o Dele...

Afinal José, você crê ou não em Deus?

Claro, que não sou idiota. Vai que existe um lá e Ele me diz:-

-E agora negão, como ficamos. Te perdôo ou te mando lá com o Consa, com o Ventura, com o Heitor Gomes....

Kazuo Murakami , um dos codificaram o genoma disse que ciência e religião podem conviver pacificamente e eu aceito bem isto. Até por precaução.

Deus me atende nas coisas insubstanciais, naquelas que constituem o meu lado imaterial como a paz da minha alma, um conforto quando tudo, inclusive a ciência não pode me atender...

-Uai, você crê em alma, fala em Deus... Você é um materialista de merda.

-Tá, então não é alma, não é espírito....acho que é então a minha inteligência, o meu intelecto ou afim.

Mas se Deus sabia que ia dar este bode danado por que permitiu que aquele safado do Darwin saísse com toda a teoria da evolução?

Dando-me a inteligência e a faculdade de pensar fez com que eu optasse pela evolução.

Pergunto, Ele pode me cobrar alguma coisa?

-Ah, então foi Deus quem deu inteligência, permitiu que o Dawin...então existe um Deus?

Eu nunca disse que não existe um Deus; apenas não uso o seu nome em vão, não o utilizo para fazer demagogia e dar uma de santinho, como é comum ver. Tenho raiva destas frases que estão usando nos carros: Deus é fiel. Deus é tão fiel que vai me perdoar por tão angustiante dúvida. Por ter um pé no bote e outro no barranco.

Put....puxa vida, só faltava não ser.

Outra bobagem: você não precisa pertencer a nenhuma religião mas somente seguir uma doutrina; de certo a sua doutrina, a que você elaborou, grande teólogo da humanidade.

Resumindo a ladainha: se estou com constipação intestinal, tomo um laxante. Se preciso de grana, corro atrás....se estou aflito por ter sonhado com a minha neta que estuda longe de mim, rezo uma ave Maria e me sinto tranqüilo...depois telefono para ela., claro.

Fé e religião convivem bem em mim ou não?


Hamilton Brito, grupo experimental da academia araçatubense de letras.


Trabalho em sala do grupo ESCREVIVÊNCIA com coordenação do acadêmico Dr.GlennWood

Escrevivência

Coordenação: Dr. Glenn Wood


sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Quem sou eu que o espelho nao mostra



Ao som de Straus, fiz uma viagem para dentro do meu eu para responder quem sou , que o espelho não revela.

Tema aparentemente fácil....só aparentemente.

Quem sou eu....os filósofos vêm há muito tentando responder à pergunta.

To be or not....

Quem eu sou ou não sou, o que o espelho mostra?

Mostra as minhas rugas e os meus cabelos grisalhos pressupondo uma vida muito difícil...fácil não foi, mas não tenho do que me queixar.

Geralmente o brilho dos olhos revela uma história; assim, com ele me preocupo não me permitindo jamais me fazer de vítima ou viver maldizendo Deus e o mundo.

Então o que o espelho não mostra e jamais mostrará são as amarguras pelas quais passei. Elas sempre teimaram em marcar meu rosto, mas nunca o permiti.

Sem que fosse acomodado ou conformado, posto que lutei com todas as minhas forças e recursos disponíveis, eu nunca chorei pelos sonhos não realizados.

Seria uma afronta a Deus ou a humanidade dizer que o espelho mostra realmente quem eu fui e quem eu sou?

Ego sun – eu sou e sou realmente o que sou.

Nas questões emocionais, que poderiam deixar marcas para o espelho mostrar, não as tenho, pois aprendi com o meu pai que se um anseio, um sonho não se realizou, substitua-o imediatamente para que não crie raízes na alma e marcas no rosto.

Se as frustrações emocionais não me marcaram, as materiais é que não conseguiriam fazê-lo.

Eu nunca chorei pelo carro novo não comprado ou pela casa sem piscina ou ainda pela viagem à Miami não feita. Tipo de coisas que deixam marcas em muitos...em mim o espelho se frustrou ao procurá-las.

Sabe, tenho orgulho do que vejo. Eu não posso usar máscara para mim mesmo.

No sarcófago verão uma face sorridente, até porque, coisa mais esquisita é defunto com cara de tonto.

Quando o espelho não mostra, nada revela é porque o ruim, o amargo ficou impregnado na alma....se você permitiu.

O que o espelho possa não mostrar, é o sujeito temente a Deus, agradecido, que não se cansa de dizer:

_Senhor, tenho tanto a agradecer e tão pouco a pedir

O espelho reflete uma imagem, mas quem faz a leitura dela sou eu...e eu me basto.

Hamilton Brito – trabalho de sala de aula - escrevivência

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

...e a estrela




A estrela não nasceu estrela
mas na vida se fez como tal
vinda de uma corte realeza
sempre muito afeita à beleza
sobretudo a da vida literária.
assim desceu ao reino dos mortais
sua luz brilhante iluminou cantos
Distribuiu cultura e encantos
E se fez igual aos que são iguais
Como nunca se fez de rogada
Semeou por toda a seara
E fez sim um mundo melhor
Mas de repente a estrela sumiu
Foi novamente brilhar entre os seus
Da sua simpatia, ficou a saudade
Mas ela não fez por maldade
Acho que cansou de se doar
Tudo bem , saberemos entender
E agora a vemos de longe
Tal qual uma estrela no céu
O universo é fruto de um buum
Que continua a se expandir
E antes que ela desapareça de vez
Não nos furte de um último sorriso
Antes do seu momento de sumir.

Hamilton Brito, membro do GE da academia Araçatubense de letras, ciados blogueiros,site aracatubaeregiao e NOVAVPB

Avelhantar





Viver e não ter a vergonha de ser feliz, assim disse o poeta-cantor.

Mas envelhecer é perder o viço, avelhantar...perder a frescura.

Se bem que tem cada velho fresco por aí....

Uma vida é cheia de tudo; não é vida, quando falta o tudo.

O que é tudo na vida?

Acho que tudo se resume em viver cada minuto como se fosse o último, tendo anseios e tentar vivê-los e se não conseguir , substituí-los por novos....e depressinha.

Continuar buscando aquele sonho . Como na seaara, nem tudo se colhe mas o que se tira dela sempre fortalece e ajuda a viver.

Cantar e cantar e cantar....

Perder o viço...Nada de perder o viço; conservá-lo sempre e há meios interessantes para fazê-lo.

Por exemplo, ter uma religião mas nunca usá-la como uma apólice de seguros; tenha forças para enfrentar as vicissitudes da vida, nunca busque refúgio em nenhuma religião. Tenha uma como meio para alcançar forças e ajudá-lo na busca da felicidade.

Nietzsche disse que quando se olha o tempo como se olha um abismo, o abismo fica de olho em você.

Um erro que todos cometem na vida é procurar um geriátra quando atinge uma idade mais avançada. Há que se procurar um na mocidade, para que ele oriente sobre a melhor maneira de se levar a vida a caminho da velhice.

Penso como o João Ubaldo Ribeiro, este negocio de melhor idade é bobagem, eufemismo tonto: chega-se à velhice mesmo.

Os avanços na tecnologia, na medicina em seus mais amplos segmentos estão à disposição de todos para uma velhice plena de forças e felicidade.

Mais do que manter o seu corpo saudável, mantenha a sua mente. O resto lhe será dado por acréscimo.

Como manter uma mente saudável.?

Primeiro mantendo o corpo e este lhe dará o apoio necessário para lutar. Nas artes em geral você encontrará o alimento para a sua mente.

Não sabe pintar? Tente a escultura. Tem uma voz desgraçada de ruim? Aprenda a tocar violão ou outro instrumento. Na literatura se não gosta de ler, aprenda a gostar.

Não demora esta fazendo poesia, escrevendo crônica ou conto, participando de concursos de literatura, recitando poesias em saraus. Dona Emília Goulart já ganhou concursos e escreveu livro. Está prontinha para a Academia de Letras.

Ganhadoras de concursos temos a Marianice Paupitz, a Wanilda Borghi, a Ana Zaher, o Anísio Canola.

Não vá para o além do combinado sem tentar; lute para ser feliz e quando for, vá com um sorriso no rosto. Coisa mais feia é defunto com cara de tacho.

Quer um exemplo: conheci uma senhora, viúva, à beira da depressão; nada a animava, a motivava. Um dia foi a um destes bailes de terceira idade arrastada por uma amiga. Na segunda vez não foi fácil convencê-la. Ta terceira já foi mais fácil e assim...

Um dia, quando estava saindo para o baile, o filho gritou:

-Mãe, o Tião telefonou. Mãeeeee, quem é o Tião?

-Cuida da sua vida, moleque; ora, mas que diabo!

E o filho viu a mãe indo lépida, com a bundinha arrebitada, ao encontro do baile...ou do Tião.

O sofrimento nos torna amargos, atrapalha a nossa saúde e sozinhos, não conseguimos encontrar nossos Tiãos ou Tianas, que algumas vezes são escolhas pessoais que devemos fazer para viver com dignidade. A solidão, o estar só não se coaduna com o ser social que somos.

Hoje, no mundo, os idosos ultrapassam a cifra de 20% da população e não adianta Estatutos que lhes protejam se não sacudirem o lombo e entrarem na nova era que lhes é apresentada.. É preciso que os idosos sintam a necessidade de defenderem os seus direitos, lutem para serem respeitados

Lute, caso necessite, por um trabalho decente.

Não necessita?

Uai, corra atrás de um bailezinho mesmo que não seja lá estas coisas....será um tanto quanto sacana se você quiser. Mas tudo bem, passa uns tempos no purgatório e zera a conta com Ele.


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciados blogueiros, site aracatubaeregiao.com.br e nova academia virtual poética brasileira


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Ponto e vírgula




Folha da Região 19/10/2011
Caderno Vida Soletrando





O facebook e o blog são ferramentas; às vezes elas escapam das mãos e causam estrago. E como são pesadas, se atingem os pés ou a cabeça, dói pra dedéu.
Foi o que aconteceu...
Cristina, enfermeira padrão de um grande hospital de uma cidade do sul do país, casada, mãe de dois filhos adolescentes , por um destes desígnos da vida entrou no blog de Riberto, advogado aposentado, divorciado , residente em Manaus. Como se vê, uma no Arroio Chui e o outro longe dali. Comentário vai, comentário vem e descobriu-se uma afinidade: o amor pela literatura, sobretudo pela poesia.
Um dia uma proposta: quer duetar uma poesia minha, pergunta ela.
Ele aceitou.
Por email uma foi enviada, poesia de amor; havia algo mais “ escrito” nas entrelinhas. Há sempre em todas as poesias de amor, algo mais escrito entre elas. Riberto entrou no espírito da coisa , caprichou nas rimas e a cadência foi tanta que atingiu em cheio o coração de Cristina.
Correspondência vinda carrega de paixão e voltando com sobrecarga.
Coisas como : estou faminta de troca, de identificação com um homem que queira e se disponha a ler o meu coração ou ainda : tenho o amor que encontra no sexo uma de suas mais belas e concretas formas de expressão – a paixão.
O que começou com simples comentários no blog atingiu a ambos de forma avassaladora; sem ao menos saberem como eram fisicamente, uma paixão veio como um tsunami. Precisavam consumá-la ; entregarem-se era preciso.
Ela propôs encontrarem-se; ele titubeou...ela percebeu.
Mas como ele poderia aceitar sem pensar bem nas conseqüências? Ele, divorciado e só, nada teria a perder; poderia ganhar um coração cheio de amargura para carregar pela vida a fora. Ela, no entanto, se percebessem que não poderiam mais viver separados, teria a coragem necessária para dar às costas ao marido e aos filhos adolescentes, foi-lhe perguntado...foi a vez dela titubear.
Titubeou mas ficou magoada; não queria ouvir aquela pergunta. Ninguém gosta de perguntas para as quais não tem resposta.
Estabeleceu-se o conflito; as dúvidas que antes eram sufocadas pela alta temperatura erótica dos emails e msn com frases carregadas de palavras fortes , às vezes até chulas mas que davam a real imagem da orgia virtual que os dois aprontavam se sobrepuseram a tudo.
-Riberto, eu preciso fazer algo para mim mesma. Eu não posso mais protelar porque ser feliz e cuidar de mim mesma é algo urgente. Ao cuidar do meu coração estou também de alguma forma cuidando das pessoas a quem amo e que me amam. A minha hora chegou e é agora. Isso, no entanto, não significa que estou disposta a magoar,a ferir o homem que dedicou toda a sua vida a mim. Temos uma relação muito prazerosa, ele me valoriza demais e me cerca de amor....confia na relação sólida e bonita que a gente teve e tem.
Riberto estava a ponto de correr ao encontro dela e que fosse lá o que Deus quisesse mas ante ao descrito por ela, um fato se agigantava: ela queria muito mas balançava entre dois sentimentos fortes: a gratidão ao marido e o amor por ele...e que talvez nem amor fosse e sim uma desgraça de uma paixão sem tamanho.
Homem vivido, sabia que a fogueira da paixão tem poucos gravetos.
-Cristina, loucura eu não vou fazer. Não vou ser o artífice ,não vou ser a causa da sua desgraça. Precisamos dar um tempo para nós dois.
-Riberto, o que não posso fazer é me machucar, ir do céu ao inferno tão rapidamente. Não é justo. Obrigada por colocar-me frente à realidade e realmente não existe espaço para amar sem querer estar juntos e ficarmos juntos, pelo menos por enquanto...
-Cristina, talvez seja melhor, mesmo que sofrendo, colocar um ponto final na nossa história.
-Façamos assim Riberto, Por enquanto nada de ponto final...coloquemos um ponto e vírgula


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciados blogueiros.blogspot.com, site aracatubaeregiao.com. e nova academia virtual poética do Brasil.

domingo, 9 de outubro de 2011








O professor Pedro pediu-nos um texto para o encerramento do curso de crônicas; tema livre. Pensei:

- O cara sabe complicar. Dá logo um tema. Vou falar...vou falar sobre...

Olho na parede e lá está projetado PAUSA, PAUSA, PAUSA....

Verdade, estamos todos vivendo uma pausa nesta vida. Um intervalo no qual o que menos fazemos é preparar as coisas para a próxima etapa.

Poxa vida, preciso desenvolver o tema livre que o coiso pediu.

Quanta insensatez, quanto desamor , quanta fala de responsabilidade que....

Ah! Meu Deus, como esta mulherada fala. Como concentrar para escrever. Olha só a voz de gralha no ninho da Elaine Alencar. Depois vem a psicóloga, defensora dos índios e demais excluídos . Senhor, levai-as todas para o seu reino.

-Fiiiiilho, pensa bem, se atendo o seu pedido, como é que você e os seus irmão em Cristo vão fazer? Pensa bem, seu bu....filho.

-Tá Pai, verdade...deixa as minhas irmãs em Cristo por aqui mesmo mas por Cristo, que falem mais baixoooooooo....

Como estava dizendo, melhor escrevendo, esta vida nos foi dada para que nos façamos merecedores do céu através das boas ações , pelo amor ao próximo...

-Como amar o próximo quando ele esta próximo, falando como doida : Pai, dá uma olhada, melhor ,escutada na Marianice. Pensa que está sozinha aqui na sala. Amar o próximo de que jeito?

Bem continuando....

-Fala homem de neanderthal.

O cara quer um texto mas não me dá sossego para fazê-lo... Vai dar o curso em Lurdes, em Andradina, na China mas pô, dá um tempo.

Voltando na questão da pausa, aquele intervalo no qual deveríamos nos preparar para a vida eterna, acontece que poucos são os que....

-Quer saber de uma coisa, não vou escrever mais m...coisa nenhuma. Este povo não cansa de falar, um calor desgraçado e o café esperando na mesa, como disse o poeta.

-Pai, sabe de uma coisa, eita turminha boa esta do curso e que curso mais chique.Vou sentir falta desta cambada.

Fui.


Última tarefa pedida como encerramento do curso de crônica

terça-feira, 4 de outubro de 2011

DESTINO

 

“ Aos pés da santa Cruz, você se ajoelhou e em nome de Jesus, um grande amor você jurou...”

A história se repete e vai se repetir para sempre, porque como já disse o poeta “ o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações “

Pedros se apaixonarão por Marias, Marias se apaixonarão por Pedros...até que surja uma Joana para Pedro ou um Ricardo para Maria.

E então...

Raramente, acho, uma união se dá por um interesse menor, como por exemplo, a pura intenção de aumentar um patrimônio ou ainda com o objetivo de obter um visto de permanência.

Duas pessoas se encontram na vida e vão se descobrindo aos poucos até perceberem que não é só por belo par de olhos verdes ou azuis ou de pernas, ou ainda por causa de um colo espetacular ou um físico maronbado tipo Banderas.

Isso tudo ainda não é tudo. Existe como elemento aglutinador um quê que a gente não sabe o que é mas que é fundamental para que Pedro se apaixone por Maria e vice versa.

Assim envolvidos em enlevo, juram fidelidade eterna. Vinicius, o poetinha, completou sem medo de errar: eterna enquanto dure.

Mas aglutinar, segundo o mestre Aurélio, também pode significar justapor, por ao lado...e é ai que tudo acontece.

Se acontece de bom ou de ruim, mera questão de ponto de vista.

Pedro casou-se com Maria e tudo corria bem até que surgiu Joana.

Na justaposição , quem sobrou foi Maria...

Culpar a quem?

Deus?

Pedro?

Joana?

Maria?

Mas não tenham pena de Maria. Ela tomou o destino dos braços de Ricardo. No caso, o destino não acabou em desatino.

 

Trabalho para as aulaCópia de mão na cabeça de estruração  de textos ministrado pela professora Marilurdes Campezzi

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Invadidos e invasores


Foto de Antônio Assis/fotoReporter?AE



A origem dos Araçatubenses está lá no genocídio cometido contra os índios que habitavam a região, quando os trilhos foram caminhando, qual serpente peçonhenta, pela mata. Os índios não foram convidados para integrarem-se ao grupo no chamado processo civilizatório com o qual se ocupava efetivamente o território.
Houve o choque natural das culturas, dos interesses e o menos dotado de recursos sucumbiu... Sucumbiu ou se submeteu ao trabalho escravo na própria ferrovia, o que dá na mesma. Onde não foi assim?
A diferença para outras histórias de conquista é que não chegaram por aqui em cavalos velozes, brandindo pesadas espadas e cortando cabeças à granel, sodomizando conquistados...Se bem que, sei lá!
Não havia a intenção do genocídio, mas ele aconteceu porque defenderem-se era preciso....assim como navegar, cortar árvores para os dormentes, abrir a selva para o cavalo de aço cavalgar, construir as moradias para os trabalhadores era também preciso.
E onde estas coisas eram feitas? Na terra dos índios....Mas as terras eram dos índios mesmo ou eles a estavam ocupando; infelizmente o direito de propriedade estava nas mãos dos invasores pelo direito de conquista.Onde não foi assim?
Somos civilizados? Ah! então sabemos que a lei faculta em muitos casos revisão dos processos e, se for o caso, dar à sentença um efeito retroativo. Cometemos crime...Devolvamos as terras aos índios ou aos seus descendentes e vamos todos morar nos... nos... Vamos coisa nenhuma, eu sou tataraneto de índios. Vão vocês.
Os americanos, com suas consciências pesadas, hoje torcem pelos índios nos filmes e vibram quando o general Custer leva aquela bala no peito; imortalizaram o tal de Touro Sentado e o Cavalo não sei das quantas.
Nosso maior crime: aqui os índios foram aniquilados fisicamente e nem na história permaneceram. Os poucos que ainda estão por aí não são tratados com o respeito devido. O crime continua. O que os Australianos ainda hoje fazem com os aborígines? Então...
Mas poderia ter sido de outro jeito? É o progresso. O homem não poderia viver eternamente na idade da pedra lascada, tanto que veio a polida e assim até a decodificação do genoma, da nanometria e outras descobertas.
Não tem jeito, para que alguém ganhe, alguém tem que perder.
Agora só nos resta ser dignos daqueles que fizeram a nossa história. Invasores e invadidos fizeram-na. Estão em nosso DNA e somos um pouquinho de cada um.
Eu tenho o maior orgulho...

Curso de crônicas – senac - trabalho em sala de aula.

domingo, 18 de setembro de 2011

A CHUVA










A CHUVA


Na verdade a vida é uma dualidade. Temos o côncavo e o convexo e não fora assim, não haveria perpetuação da espécie...ou o malabarismo não seria para qualquer um, se é que me entendem.
Temos ainda o alto e o baixo, gordo e o magro, o preto e o branco, o feio e o bonito e finalmente os que querem e os que torcem contra.
Há um bom tempo que não chovia, a estiagem estava a destruir as plantações. Dava pena de ver os caroços de algodão se abrindo e o seu fruto secando sob a ação de um sol inclemente. A alface, quando colocava a carinha para fora, já era aniquilada ao lado do pé de almeirão que lhe fazia companhia na horta.
A freqüência às minhas domingueiras foi aumentando a tal ponto que o pároco temia não haver lugar para todas as suas ovelhas se acomodarem.
Não resistindo mais àquela situação a providência in extremis foi fazer a novena que exigia mais sacrifício dos seus participantes.
Munidos de grandes baldes ou outras vasilhas, os fiéis desceriam a grande ribanceira indo até o rio, rezariam dois rosários inteiros acompanhados de todas as canções sacras e depois subirem o grande aclive com as vasilhas cheias de água, apoiadas em rodilhas de pano no alto da cabeço ou nos ombros.
Não era raro alguém sucumbir ao cansaço e sair rolando ladeira abaixo, esparramando a água e colocando em risco todo o esforço dos participantes, pois o líquido seria para lavar o cruzeiro em frente da igreja.
Qual o motivo de tamanho sacrifício?
Acreditavam piamente que choveria, pois coincidência ou não, às vezes chovia.
Eles queriam que chovesse, precisavam da chuva.
-Pedrão, oia lá. A beataiada começou a rezar pra chover.
-Uai, a gente devia estar lá também, estamos precisando de chuva.
-Precisando de chuva o cacete, seu Zé mané.Dá uma olhada onde a gente mora. Veja só onde estão as nossas casas. Se a chuva vier no tamanho exato da novena toda a encosta vai rolar. Vai ser pedra sobre pedra e quero que a maior caia em cima de tu, seu cabra safado.
Eles não queriam, não precisavam de chuva.
Com a palavra o bom Deus. Ele que resolvesse a dualidade da vida que Ele mesmo criou.

Hamilton Brito, participante do curso de crônicas ministrado pelo professor Pedro, no Senac.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CONFITEOR






Você é realmente livre?

Perguntaram-me e sinceramente acho que sou mas confesso que às vezes...

Temos liberdade de fazer tudo o que nos dá na cabeça?

Na verdade, sempre que se assume um comportamento ético, o cidadão está abrindo mão da sua liberdade para obedecer o código de conduta que a sociedade elaborou através dos tempos e no qual ele ,livremente, se inseriu. Poderia não tê-lo feito, como muitos.

Ele é livre para obedecer ou não ao contrato social e ai reside o exercício do livre arbítrio.

Então, não acredito em destino, que seria aquela sucessão de fatos que podem ocorrer ou não, considerados como resultado de causas independentes da vontade do homem.

Se eu escolho e gerencio bem o meu projeto de vida, as causas independentes que possam ocorrer e que possam prejudicá-lo serão frutos de variáveis ligadas à mecânica social nos seus mais diversos aspectos e nunca algo que remeta a ter sorte, fado , fortuna.

Exemplo: uma poupança arduamente conseguida ser abatida por uma situação econômica adversa, para mim, não tem nada a ver com sorte.

Assim use bem a sua liberdade, até porque, como disse Jean Paul Sartre: “ estamos condenados a ser livres “.

Nossa liberdade é dócil; a indócil, como disse Shakespeare “ é domada pela própria desgraça “

E como pode ser esta desgraça?

Pode vir na forma de um voto mal dado em uma eleição.

As eleições estão chegando.O tempo que no separa dela não é bastante para as nossas reflexões, para uma pesquisa bem elaborada sobre o nome com maior probabilidade de uma boa gestão da coisa pública. Se eu escolho bem, após demorada análise, diminuo as probabilidades de variáveis negativas que possam prejudicar meu próprio projeto de futuro.

A história da cidade não está ligada apenas às pessoas que circunstancialmente a tenham dirigido , mas a todos os seus habitantes. Se há culpados pelos erros cometidos, somos todos.

Quando se lê certos editoriais sobre as ações de governo , fica-se a pensar que ...não há governo.

Outro dia li que ele sabe arrecadar mas não sabe evitar roubos como se fosse só sua atribuição, fazê-lo. Um governo, somos toda a sociedade constituída. Se há falcatruas, malversação da coisa pública é preciso que se tenha em mente que não só o executivo é governo. O Legislativo e o judiciário também são.

Temos ainda um instituto jurídico chamado AÇÃO POPULAR que é um instrumento que pode ser usado por qualquer cidadão que esteja na posse dos seus direitos políticos, sempre que julgar que o patrimônio público esteja ameaçado. Pouquíssimos o usam.

Mas pode-se evitar tudo isso votando bem, usando da liberdade de decidir pela melhor opção mas é um exercício que se desenvolve progressivamente, durante toda uma vida.Usar de uma convicção responsável nas nossas decisões não é coisa de momento. É preciso praticá-la.

Se você é um eleitor jovem, pense nisso. Depois, ficar pelos bares da vida , pelos jornais e outras mídias, denegrindo a imagem de qualquer governo , não adianta nada. Não foi você quem escolheu mas foi o seu pai, seu irmão, é a sociedade à qual você pertence.

O seu carro caiu em buraco , quebrou a roda, o eixo ...o culpado pode ter sido você. Primeiro porque não brecou a tempo. Depois porque não soube votar.

Como se pode ver: é simples.

Omissione?....mea culpa?

Mea não....tua.

Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras, ca ciablogueiros.blogspot.com,site aracatubaeregião.com.br e Novapvb-associação poéticavirtual do Brasil

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O BÁCULO

MARIANA


Mariana


A bolsa sob os olhos são lagrimas guardadas. Um dia, você as enxugará para mim. Engraçado, logo eu que pensei ser frio, calculista, um fugitivo das emoções.
De repente e com muita freqüência me pego pensando em como tudo começou.
Foi em uma tarde partícularmente quente, passou um vento esquisito levando nuvens escuras que se formavam. Levou-as para as bordas do mundo que eu via. Pensei: dia mais chato, parece até que vai acontecer coisa ruim. Tenho certeza absoluta de ter ouvido uma voz:
-Amor, me espere; eu estou a caminho.
Em todos os meus sonhos e eles são sempre os mesmos, ouço-te perfeitamente.
Mas naquele dia, pensei:
-Uai, está a caminho...vai para onde?
A grande estrada que sempre trouxe o que eu quis, agora invertia a mão de trânsito...e eu sem saber.
Mas enquanto não inverteu.Aquele vestido rodado e aquele par de sapatos com saltinho. Eles não me lembram a Celly Campelo, lembram mesmo você. Ele moldava o teu corpo longilíneo. A graça que havia no conjunto...
Fomos para o salão, tocava um fox. Mas no momento que enlacei-te a orquestra começou a tocar “ tu és, divina e graciosa, estátua majestosa, do amor...”
-Malditos, tiraram as palavras da minha boca.
Você sorriu...eu tento, mas não consigo esquecê-lo. Quero desesperadamente esquecer ao tempo que luto desesperadamente para que isso não aconteça...dá-se o nome de conflito.
Dançamos silentes, como naquela música diz.
Fiz um gracejo, você me beliscou...sinto ainda a dorzinha. Duas coisas que ficaram gravadas no meu DNA: o sorriso e a dorzinha. Isso e mais aquilo e aquel’outro compondo em mim a mais bela poesia: Mariana.
A voz do tempo vem com o vento, dizendo: não mais...
Mas outra, diz baixinho:
-Não dá bola para o vento, ele é uma besta quadrada. Ele segue o seu percurso e nada percebe, não sabe de nada, o tonto. Ele marca somente um espaço, não o preenche com nada. Nós o preenchemos com nossas esperanças, nossos desejos de rever o que um dia amamos.Para tanto Deus nos deu um coração e nos os completamos com o amor que Ele nos ensinou.
Quer saber, se não fosse para te ver novamente, juro, gostaria de ficar por aqui mesmo.

Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011




Só um par, mais nada



Era uma casinha , um bangalô ; ficava do meio de um terreno bem arborizado, um vasto gramado verde enfeitado por canteiros bem arranjados de flores. Via-se um balanço, indício de que ali morava uma criança ou
alguém com a alma equivalente.
Os vizinhos morriam de inveja...diabo, como eles conseguem?
Nunca ninguém ouviu um grito, um falar alto que fosse. O casal era visto, estava sempre abraçado, sorrindo; acenavam pra todos, eram cordiais e hospitaleiros.
Não que fossem de receber com constância, mas quando o faziam, eram finos, elegantes, sóbrios. Érica e Hélio eram assim
Ele, com uma carreira já engatilhada de médico. Era cardiologista. Ela, uma assistente social das mais conceituadas e queridas.Ambos, reconhecidos pela competência e responsabilidade profissional...Eram muito meticulosos.
Um dia, coincidentemente, tiveram que, atendendo às suas responsabilidades profissionais, se ausentarem; ele, para um congresso médico na capital do Estado. Ela, para fazer a auditoria em uma das praças mais longínquas da sua sede.Ambos ficariam vários dias ausentes de casa e afastados um do outro.
-Qual de nós chegará primeiro?
-Bem, eu não sei, disse ela. No meu caso, depende dos pepinos que encontrar pela frente. Já o seu, tem dia marcado para terminar.
-Se o congresso terminar no dia programado, te telefono e se você não chegou, dou uma esticada até a casa da mamãe.
Assim acordados, foram e felizes.
No retorno, como os seus vôos, faziam conexão, terminaram a viagem juntos. Quinze dias haviam se passado.
Não se sabe o porquê, mas, dias depois, cada um tomou um rumo na vida.
No banheiro, havia um par de chinelos a mais.



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

...E EU QUE NãO CREIO




Li a bela crônica da jornalista e acadêmica Célia Villela “ sem brinquedos no natal”.
O diálogo do bom velhinho com a menina é bonito e oportuno, posto que nestes tempos de natal é preciso despertar nas pessoas os melhores sentimentos, adormecidos durante um ano de muita luta , na busca não só da sobrevivência mas também da melhor condição de vida que uma mente aguçada,perspicaz aliada a uma grande capacidade de trabalho pode oferecer.
Mas quando ele diz que os homens não se importam mais com os seus semelhantes, acho-o um tanto injusto.
Como esquecer uma madre Tereza, de Calcutá ou uma irmã Dulce, da Bahia, um João Gomes Guimarães , um Olegário Ferraz, uma dona Martina Rico ou dona Elza Zonetti e ainda uma dona Maria dos Anjos Fileto e seu marido Antônio?
Citando esses nomes, presto o meu tributo a tantas pessoas abnegadas e anônimas por este mundão de meu Deus, que se importam sim, com os seus semelhantes.
Aproveito o ensejo para lembrar-me daqueles que se preocupam com a formação intelectual das pessoas, posto estar escrito que não só do pão viverá o homem. Neste contexto o meu agradecimento à Academia Araçatubense de letras que mantém o grupo experimental, incentivando o amor pela literatura. Nas figuras do professor Hélio Consolaro, Maria de Lourdes Campezzi, Cecília Vidigal Ferreira, Yara Pedro, Professora Maria Luzia Vilella e professor Tito Damazo que estão mais próximos do grupo, o nosso muito obrigado aos demais.
Elas não olharam para o próprio umbigo; inclusive , as acho mais produtivas que o papai Noel, que só aparece uma vez por ano. Elas, no dia-a-dia, se preocuparam e ajudaram a quem lhes procurassem. Existe o político que deveria ter acompanhado a placenta para o descarte ( hoje não mais) mas temos os bons, temos as pessoas que acreditam que o melhor é amar o próximo.
Então, o mundo é o que sempre foi deste o momento do BOOM.
O mundo é lindo, segue meticulosamente o traçado do design que Ele elaborou. Já algumas pessoas: Hitler, Mussolini, Valdomiro Diniz, Heitor Gomes, quando Deus as fez, os animais que estavam por perto, caíram na gargalhada.
Outro conceito do bom velhinho que coloco para análise é o de não olhar para trás. Se ele próprio tivesse feito isso não teria esquecido as pessoas que citei acima e tantas outras que se lhes assemelham.Eu olho sim para o passado; lá estão pessoas que eu amo e outras que admiro e que me deram exemplo de uma vida digna.
Por fim, cada pessoa fará ou não do seu saco, a sua felicidade.
A jornalista escreve uma bela crônica sobre o bom velhinho, cria um clima de fraternidade e pureza posto o diálogo ter sido com uma menininha, coloca conceitos que possam ser analisados e fica claro que é preciso usar a ciência para explicar o mundo natural. Mas que ao mesmo tempo, ela, a ciência, não consegue explicar os valores e a realidade da vida. Mas não acredito que a ciência leve ao ateísmo, como pregam alguns.
Podemos crer sem que haja prática religiosa e podemos amar o próximo sem que tenhamos crença alguma...dai o título acima.

Membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

sábado, 23 de julho de 2011

Sarau dos blogueiros? ah! tá....


Sarau do escritor



O dia 25 de julho é dedicado ao escritor. A Secretaria da Cultura realizou um evento literário comemorando a data e deu-lhe o nome de sarau dos blogueiros. Para o sucesso do empreendimento contou com a colaboração, digamos, presença dos blogueiros, do grupo experimental da Academia Araçatubense de letras e da própria Academia.
Contamos, digo contamos porque estivemos participando da realização junto com o professor Consolaro,com a acadêmica Cecília Vidigal Ferreira, com Wanilda Borghi, Elaine Alencar, Ana Almeida, Marianice Paupitz, Emília Goulart, com uma boa divulgação tanto da Folha da Região quanto de outras mídias, como do site aracatubaeregiao.com.br e do blog cidadão Araçatuba e da própria ciadosblogueiros.blogspot.com.
O recinto estava lotado, a freqüência foi ótima e quem não foi, perdeu....Mas quem foi?
Bem, os blogueiros de Araçatuba não prestigiaram um evento que levou o seu nome; claro, alguns foram, mas no universo dos que poderiam ter ido....Que vergonha!
Da Academia só a Cecília Ferreira porque o Consa estava lá como Secretário da Cultura. Sim, muitos têm motivos para não terem comparecido. Uns, viajando. Outros idosos ou doentes, outros respondendo naquele momento por compromissos profissionais...mas só a Cecília? Só meia dúzia de blogueiros?
Fica provado que falar em cultura é muito diferente de fazê-la. No evento, tivemos um garoto de treze anos, o Pedro. Levou o seu livro já editado, mostrou orgulhosamente o seu blog. Queria conhecer membros da Academia de Letras...só conheceu dois.
-Mas Seo Zé, quantos são os acadêmicos.
_ Uai Pedro, são estes dois que você conheceu; não liga não meu filho, eles valem por um montão.
Fico meio agastado porque vejo professor tristonho; dedica-se à cultura, é criticado mais que elogiado, dá a cara à tapa e aqueles que lhe são afins pelos laços da cultura não o prestigiam, ignoram os eventos que a sua secretaria organiza...que coisa, meu!
_ Ah! Mirto, deixa pra lá. Fala nada não.
Fala nada não?....fala nada não e a coisa perpetua-se? Sei que vão descer a ripa em mim, mas se não falo, não durmo; fico rolando na cama e uma voz falando nos meus ouvidos: não falou de meeeedo, não falou de meeeeedo...
E os blogueiros querendo entrar na Academia....ainda bem que tiveram suas pretensões barradas. Não iriam inovar em nada estando lá.


Hamilton Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras, da ciadoblogueiros.blogspot.com e do site aracatubaeregiao.com

quarta-feira, 20 de julho de 2011

subjetiva...se a ciência diz que é.!


Subjetivo é...tá!


Estava ouvindo um programa esportivo e o jornalista disse que a dor é subjetiva.
Bateu um sei lá o que e fui procurar no google algo a respeito e encontrei que realmente toda dor é subjetiva e que “ os biologistas sabem que os estímulos causadores da dor são capazes de lesão tecidual e que assim a dor é aquela experiência que associamos com lesão tecidual real ou potencial”.
Mas aprendi que a dor se divide em aguda e crônica; a primeira vem em um pico e pode até desaparecer e a outra é continua, mais persistente e que o limiar da dor difere de um para outro; assim, sabe-se que o oriental a suporta melhor que o ocidental. Então a capacidade de suportá-la seria de ordem subjetiva....mas ela, a dor?
Mas a dor está associada a um “processo destrutivo atual ou potencial dos tecidos que se expressa através de uma reação orgânica e emocional”
Processo destrutivo de tecidos...é a causa da dor.
Nas aulas de anatomia aprendemos uma palavra que ajudava a lembrar o conceito de inflamação: VERTUCADOR.
Tem uma aí no momento? Não tendo, imagine e vejamos:
a- ela apresenta uma vermelhidão....VER.
b- existe aí um tumor- edema -......TU
c- ele, o tumor, apresenta-se com
temperatura mais elevada-calor...........CA
d- - existe dor no local............DOR
Logo, inflamação é um processo edematoso, apresentando como característica uma vermelhidão e dor no local.
Aquele tumor influindo sobre as terminações nervosas no local, causa a dor....mas e a subjetividade, onde está?
O que é subjetivo? Vejamos o que diz o mestre Aurélio.
Subjetivo. Adjetivo: relativo ao sujeito, existente no sujeito, individual, pessoal, particular, passado unicamente no espírito de uma pessoa.
“ a intensidade com que pessoas diferentes sentem e reagem a situações semelhantes causadoras de dor é variada...”
Isso faz a dor ser subjetiva?
Então porque a terapêutica não determina posologias medicamentosas pertinentes à condição particular, pessoal, individual de cada paciente? O muito que faz é estabelecer posologias diferentes para faixas etárias e recomendações para pacientes especiais, como gestantes...e nada mais.
A dor é subjetiva, mas o tratamento é objetivo?
Por exemplo: um indivíduo introvertido e outro extrovertido; entre eles, existe uma orientação diferente de fatores subjetivos e não pelo aspecto objetivamente dado, segundo a literatura médica.
Será que não estão confundindo dor moral, mágoa, pesar, aflição com dor como a de dente, de cabeça, provocada pela quebra de um braço.
Entendo como dor subjetiva à dor do curintiano, que não ganha bulhufas nenhuma e cada um sente na intensidade do seu próprio fanatismo, mas uma dor de dente...subjetiva?!
Mas se a ciência diz, o que posso fazer?
Posso criar pêlo em ovo, como estou fazendo agora.


Membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, ciados blogueiros.blogspot.com, aractubaeregiao.com e acdemia virtual poéica brasileira.

domingo, 10 de julho de 2011

NÃO VOLTE




Ontem você não veio.
Hoje, creio, não virá também.
Há muito percebo o indício
É mais um sinal de alerta.
Mas o que posso fazer...
O que eu fiz para evitar?
Você chegou e foi entrando
Todos os espaços, ocupando
Tornei-me vítima de mim mesmo
Ao te amar sem limite, preconceito.
Agora isso: ontem você não veio
Hoje, provavelmente, não virá.
Eu nesta ânsia pulsante da espera.
Mas o que eu espero de você?
Os teus beijos, de há muito, frios
O teu olhar nada diz, está vazio
E amor, você já não faz como antes.
Aquela entrega endoidecida
Aqueles suspiros longos, ensandecida
Hoje já não somos dois amantes...
Pois é, hoje você não veio
Já não tinha aparecido ontem
Não podemos voltar à nossa essência?
Tenha pelo menos a decência
Não veio ontem e não veio hoje
...Então não volte nunca mais.
Atenda ao meu pedido, não me negue
e vá pro diabo que te carregue.

Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras,
do site aracatubaeregiao.com , da ciadosblogueiros.blogspot.com e academia virtual poética do Brasil.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Parece mas não é, ou...





Costumamos ser muito exigentes com quem nos presta serviços e esquecemo-nos que ali naquele profissional existe um ser humano...E dentre eles figuras inigualáveis.
Uma destas, conheci lendo o livro Dono da Vida, obra de Morton Thompson, história verdadeira de um brilhante médico em Viena e em Budapeste na década de 1850: Ignácio Semmelweis.
Dedicou a sua vida a erradicar a febre puerperal que ceifava vidas por pura ignorância e intolerância dos profissionais médicos da época.
Na febre puerperal, após o parto a mulher sentia dores no abdômen, que inchava, havia febre intensa, delírio e essa doença matava muitas delas.. Os médicos traziam nas mãos fragmentos de outros procedimentos, como autópsias realizadas e isso provocava a febre.
Uma providência simples, mas que jogou contra ele toda a fúria dos ilustres de então: fazer simplesmente a assepsia das mãos ao tratar de uma paciente gestante.
A coisa era tão terrível que aquelas que iam ter filhos, preferiam tê-los nas ruas que nos leitos do hospital, pois a chance de sobreviverem era maior.
Uma passagem marcante: tendo sido escalado por seu mentor para cuidar de uma criança cuja morte era inevitável - esse fato não lhe foi revelado - o diagnóstico e terapia foi deixado a seu critério. A criança, como sabido que aconteceria pelo seu mentor, faleceu. Felipe se sentiu culpado e quis abandonar a medicina.
Disse-lhe o mestre: Felipe, por mais que um médico saiba, jamais saberá tudo e por conta do pouco que ele desconhece, pessoas continuarão a morrer e a nascer. Então faça uso do que você sabe, volte para o consultório e para o hospital porque assim você irá aliviar muitas dores e evitar que muitas lágrimas sejam derramadas.
Fui durante muito tempo propagandista de laboratório farmacêutico e tinha como tarefa visitar hospitais para propaganda e vendas de nossos produtos; tínhamos acessos aos pontos dentro dos hospitais.
De certa feita, esperando para falar com uma enfermeira responsável pela padronização na ala da pediatria, percebi um casal sentado em um banco perto da sala de cirurgia.
Como se descreve o desespero?
Confesso que não sei. Eles se buscavam com o olhar, mas nada encontravam um no outro. As mãos, crispadas, parecia que iam se fundir.
O tempo foi passando e só fazia aumentar a tristeza deles e a minha. Pensei em ir embora, deixar para outra hora...Mas eu tinha um trabalho a fazer.
Cada pessoa que saia da sala, médico ou enfermeira, passava por eles e seguia o seu caminho; coisa absolutamente normal, mas aquilo deixava o casal mais mergulhado na dor, pois não tinha um vislumbre de esperança.
Eis que de repente, da sala, sai um cirurgião. Passos lentos , estava limpando o óculos. Da porta ao casal não tinha mais que trinta metros, mas ele demorou trinta anos para chegar.
Parou na frente dele e ficou olhando longamente.
Eu nunca vi nem verei algo igual na vida. Buscavam-se e não se encontravam.Não havia choro. Não havia mais desespero e sim uma profunda aceitação do que imaginavam inevitável.
O médico continuava a limpar o óculos. O que aconteceu em segundos parecia durar uma eternidade.
-O filho de vocês vai viver.
O casal ficou ali, sem ação. Não fez e nem disse nada. O silêncio gritou que maior que Deus, nada.
O médico foi se afastando lentamente e lentamente continuava a limpar o seu óculos.
Ali, naquela cena, eu vislumbrei o exato momento no qual um homem parece ser um Deus...ou é?

Membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras, do site aracatubaeregiao.com , da ciadosblogueiros.blogspot.com e da academia virtual poética do Brasil.