Meu primeiro livro virtual

terça-feira, 6 de abril de 2010

O QUE FAZER







Trabalhou a vida inteira.Amava o que fazia; era uma atividade dinâmica. A competição , acirrada.Justificava-se tanta garra com a necessidade de ganhar o sustento da família. Havia, no íntimo, uma mola poderosa que o impelia cada vez a dedicar-se mais. Queria, na verdade ser o melhor. A estrela que mais brilhasse. Ser apontado como o de carreira mais promissora. Havia sempre dois ou três que deveriam ser observados, pois eram os que com ele mais competiam pelo lugar mais alto no podium. Não há quem não queira o sucesso e isso não é pecado. Colocar o produto no melhor ponto de venda, fazer a operação mais lucrativa e fazer convergir sobre ele os olhos admirados dos superiores. Ganhar os prêmios e comissões, chegar em casa e ver o orgulho estampado nos rostos da esposa e dos filhos. Quantas noites em claro, lutando para entender o desgraçado do tal de ciclo RAA, uma maldita de uma renina que sob a ação de um angiotensiógeno se tranformava em angiotensina um e que...puxa vida.E não soubesse essas desgraceiras todas pra ver. Mas era bom chegar nas convenções e ganhar o videocassete dado ao primeiro lugar na simulada médica.
Quantas foram as madrugadas nas quais pegava o carro e ia cobrir o setor de trabalho ou para as reuniões de ciclo, nas quais os resultados eram cobrados , os novos objetivos traçados e as avaliações de conhecimento eram feitas.
Toda essa carga de responsabilidade, tendo, em muitas ocasiões, um filho doente no berço ou uma dívida pendente.
Havia é verdade, toda uma acessória auxiliando na preparação do profissional e dando-lhe suporte mas, em quantos momentos foi decisivo o fato eles se bastar. Não tinha essa de se tornar celebridade, mas quando os holofotes o procuravam nos eventos internos da empresa, tudo se ajustava na cabeça, as emoções do reconhecimento fazendo esquecer todas as agruras.
A alternância entre os momentos de doçura e os de amargura eram tão repentinas, que não havia tempo para o prazer ou o sofrer...Mas o pouquinho de prazer que se conseguia, era eterno. Esquecia-se do resto.
Mas essas coisas não são próprias somente dessa atividade. E daí, não se está falando de todas, mas de uma só...A dele.
De repente, um flash de amargura vem com o quantum de tempo já ido. Olha em volta, vê uma garotada, vê antigos colegas, competidores dignos já com os chinelos e pensa: está chegando a hora. E quando chegar a minha ?
-Deus, afaste este cálice de mim.
Mas Ele não tem muito a ver com isso, tudo fruto da nossa própria organização de vida. Será procurado para dar conforto nas horas de amargura, servir de lenitivo, fazer o papel de Pai.
De repente e não mais que de repente.."cadê você, cadê você...outros repetem as suas jogadas...no vídeo taipe da vida,a história gravou"
Um dia, levantou-se para a jornada diária de trabalho. Como fazia sempre, foi barbear-se.
No espelho, o "outro" lhe disse, quase que sussurrando:
_ Vai dormir, seu tonto. Você já era.

Um comentário:

Maria Rosa Dias disse...

Oiii Miltin!! Ta lindo aqui, querido!!! ^^
Te adoroo viu!! E comenta lá no meu blog tb!! ^^
www.riot-vicious.blogspot.com

Mil beijos!! ^^