Meu primeiro livro virtual

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Documento, por favor

                                


Como já disse um famoso jornalista, ninguém foi visto levantando a bandeira do atraso e não é preciso ser nenhum gênio para saber que devemos defender todas as medidas que se tome para buscar o equilíbrio e a paz social, de modo que tenhamos uma conduta que favoreça este objetivo.
As instituições políticas são de fundamental importância para fomentarem o desenvolvimento; precisamos acreditar nelas.
Medidas justas, oportunas são esperadas por parte das pessoas e quando são tomadas pelo governo, merecem aplausos e apoio.
Como, de resto, até que vem acontecendo. O país realmente caminha em direção ao desenvolvimento; há quem diga que ele já é desenvolvido, ocupa lugar de destaque no concerto das nações, pleiteia em função desta conquista lugar de mérito no topo diretivo dos órgãos representativos mundiais.
Quando você se enleva e diz, agora vai...vem. E vem “ brabo”.
Estava eu absorto em uma fila de supermercado, um que fica ali na rua do Fico, do meu amigo Yuzo Makinodan   quando...Tenho vergonha ate de contar.
-Bom dia, “ seo” Brito.
-Bom dia, fofa.
-Quer a nota paulista?
Ante a resposta afirmativa ela começou:
312190...e como sabia de cor o meu CPF de tanto que faço minhas compras ali e, sobretudo porque, além de ser uma morena lindíssima também é inteligente, fez a nota e vendo umas latas de cerveja, disse:
-“Seo Brito”, preciso de algum documento com foto,.
-Nossa lindinha, para quê , você me conhece de outros carnavais, sabe até o meu CPF.
-Olha, se eu deixar passar as latinhas de cerveja sem que o senhor mostre o documento e um fiscal der um flagrante, o supermercado é multado e eu ganho as contas na cara.
Aquela rostinho lindo, por minha culpa, não iria receber nenhuma conta na fuça;
Mas a risada que eu dei....
Ecoou pelo supermercado. Na rua houve engavetamento de carros, pois uma senhora ficou assustada pensando haver chegado o fim do mundo ,  brecou de súbito e assim um carro foi entrando no outro.
Um avião que fazia a manobra para descer na pista do aeroporto, com o estrondo, arremeteu e foi pousar em Rio Preto.
Todo mundo começou a rir, mesmo sem saber do quê. Uma senhora que estava ao meu lado, rindo qual bandeira ao vento, assim que se recompôs, perguntou-me:
-Senhor, estamos rindo do que, de quem?
-Senhora, estamos rindo simultaneamente do que e de quem.
Pensando bem no caso depois do acontecido, fico ate preocupado com um simples fato: fiquei com a sensação combinada de medo e apreensão de que os meus cabelos brancos já não servem pra coisa alguma, minha barriguinha alimentada só com boas cervejas e comidinhas em bons restaurantes da época de representante de laboratório farmacêutico - esta corja come bem enquanto a família fica em casa comendo ovo frito -   não representam mais um documento honesto da minha idade.
Lembrei-me das palavras do meu amigo Consa::
-Mirto, deixa mão de ser besta, ninguém é verdadeira e totalmente livre.
Aí entendi porque dizem que liberdade é coisa que cada um tem de definir para si mesmo a cada momento.
Havia chegado o meu momento. Não levaria a desgraçada da cerveja e todos fazendo a mesma coisa, as fábricas faliriam, haveria caos social, revolução e deixariam de pedir o diabo do documento.
Entenda-se que não sou contra que peçam-no para menores de idade, para quem tem idade indefinida....pedir para quem tem quase quatro vezes  mais de dezoito anos? A própria imagem já é um libelo.
Mas aí olhei nos demais caixas e todo mundo mostrando os documentos para poderem levar as “ birrinhas” para casa.
Pensei, não trouxe a lança, estou de carro e não montado no Rocinonte e não poderei atacar o moinho, por mais burro que ele seja..
Lembrei-me do Kennedy quando disse: “ o conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento”
Que ele vá pro diabo, o que eu poderia fazer? Ficar sem a “ cevezinha” ?

 Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras e da ciadosblogueiros.blogspot.com

4 comentários:

PIMENTA E POESIA (Maria Tereza) disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk muito bom!

Tirando a parte das suas gracinhas com a "fofa" da moça kkkkkkkk mas isso eu não ligo não, cão que ladra não morde! Seu conquistador Dom Quixote! rsrs

(Gosto demais de sentir sua alegria saindo pelos cantos do seu texto...)

Cecilia Ferreira disse...

Se a sua visão é bem-humorada sempre, ainda assim senti um nó na boca do estômago pela agudeza e ironia "crônica". Nào pela questão da liberdade. Realmente, ainda que livres de tudo, seriamos escravos de nossas escolhas sempre. Mas... O que nos importaria mostrar documentos para levar bebidas alcoolicas se o tráfico houvesse sido debelado, os pedófilos estivessem sob contrôle em suas doenças morais, os assassinos detrás das grades e os colarinhos políticos contidos em suas ganâncias doentias? A burrice burocrática me incomoda aos engulhos. Belo artigo, pra quem sabe ler, diz tudo e além.

Rita Lavoyer disse...

Olá, José Hamilton!

Gostei demais do seu texto, ri bastane também imaginando-o na fila e dando o seu grito 'pavoroso'.

Parabéns!

HAMILTON BRITO... disse...

Obrigado amigas. Cecília, é verdade.Se coisas mais importantes tivessem a atenção do governo mas ficar ...ah, popará!
Meu grito, Rita, foi de lascar mesmo.Foi uma " risadeira" só.