Meu primeiro livro virtual

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Só quarenta






Há quem diga que os tempos mudaram....para pior.
Licenciosidade, liberalidade e afins, seriam as características do mundo de hoje.
- Não acho. Para mim nada mudou porque na sua essência o ser humano é sempre o mesmo. Da mesma forma que a Cleópatra deu em cima do Marco Antônio, a Lurdinha parte pra cima do Joaquim, da farmácia.
-Ainda acho que a mulher de hoje é mais ousada e o homem mais atrevido.
_ Escuta, você já ouviu falar de Calígula, o rei dos bacanais?
Creso era um sujeito chegando aos quarenta, alto, forte e sobretudo usava uma camisa Armani e um cinto, combinando com uma capanga da Gucci. Não era moralista e, como se diz no MSN, disponível.
Sônia, alta, morena, boca carnuda, olhos verdes e com capacidade suficiente para perceber que ali estava a metade que lhe fora tirada por Zeus, naquela história contada por Platão em O banquete. Aquela que conta o mito do narcisismo, fala de androgenia.
O encontro foi casual. Restaurante cheio, nenhum lugar para ela e Creso, sozinho, convidou-a para a sua mesa.
Depois daquele papo inicial, meio assim-assim, os temas foram ficando cada vez mais consistentes e quando deram por conta, estavam falando sobre comportamento humano.
Ela, advogada bem sucedida e ele um psicanalista afastado da clínica, por precisar cuidar dos negócios da família. O pai, velho e doente, não poderia fazê-lo mais.
-Então Sônia, a sua amiga Lurdinha não participaria dos bacanais do Calígula.
- Não tenha tanta certeza.De qualquer forma Cleópatra tiraria a roupa na frente de uma Webcan?
Dando boas gargalhadas, esgotaram o tema.
-Vou chamar o maitre. Você já pensou no que comer? perguntou Creso.
-Acho que uma boa massa cairia bem.
-Eu estava pensando em um peixe, acompanhado de um bom vinho tinto.
_Creso, peixe com vinho tinto? Sempre ouvi que esse tipo de carne fica melhor com vinho branco.
_ Em princípio, sim. Ocorre que se o tinto tiver baixa quantidade de ferro, não deixará o gosto residual amargo na boca.O vinho branco não tem o tanino do tinto, mas é a alta quantidade de ferro que constitui o problema.
-Nossa, você é um excelente gourmet. Como costuma ser a sua alimentação habitual?
- Não sou um glutão, prefiro comidas mais leves.
E conversando alegremente, chegaram ao final da refeição.
-Posso te levar para casa, Sônia?
-Ah! Que pena. Estou com o meu carro no estacionamento ali da esquina. O do restaurante estava lotado.
-Bem, então eu vou levá-la ao carro.
Creso já estava entrando na garagem da sua casa, quando o celular tocou.
- É a Sônia. Queria te avisar que eu peso quarenta quilos.


Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.




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5 comentários:

♀♀ Maria Rosa Dias ♀♀ disse...

Sumido! Comenta no meu blog! rs....


Beijão, queridão!!!!!

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Eu não acretido...gasto o meu latim,escrevo uma crônica até que "boazinha" e a fofa, nenhum comentário sobre se gostou, se esta uma porcaria, sem tem erros...nada. Preocupada ...tá bão. Vou comentar.

Rita Lavoyer disse...

Há há há há!
Meu querido!
Não se iluda, amor!
"A vida tem dessas coisas, olhe só nós dois aqui..."
Mais engraçada do que a sua crônica, que me perdoe, não entendi os quarenta, é o seu comentário.
Chega aqui de novo, e faça uma tréplica. Dessa forma vai ver o trem pegando fogo, meu véio!
há há há há
Ah, deixa de ser ordinário, como pode pôr uma mulher na históira com apenas 40 ... kilos?

É a Barbie ela?
40... tá bom!

E, aí! Comenta aí, por favor! há há há há há

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Rita, a moça fica com o sujeito até a hora do rush, o desgraçado não se manca e não marca o ponto.Uai! ela apelou feio. Como ele disse que comia só comida leve, ela chutou logo 40 quilos pro sujeito acordar. Nega, tem umas por ai que chutaria menos ainda...desespero é uma desgraça.Agora , a fofa lá de cima é linda, talentosa e distraida...loira ela não é.

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Nossa mãe do ceu! como pode um intelectual, latinista meia-boca, que sabe que o sujeito vai para o nominativo eo objeto direto vai para o acusativo, que conjuga os verbos em latim e declina os substantivos e adjetivos pode cometer erro de concordância como o do texto. Nem é mais distração e sim sem vergonhice.