Meu primeiro livro virtual

terça-feira, 23 de agosto de 2011

MARIANA


Mariana


A bolsa sob os olhos são lagrimas guardadas. Um dia, você as enxugará para mim. Engraçado, logo eu que pensei ser frio, calculista, um fugitivo das emoções.
De repente e com muita freqüência me pego pensando em como tudo começou.
Foi em uma tarde partícularmente quente, passou um vento esquisito levando nuvens escuras que se formavam. Levou-as para as bordas do mundo que eu via. Pensei: dia mais chato, parece até que vai acontecer coisa ruim. Tenho certeza absoluta de ter ouvido uma voz:
-Amor, me espere; eu estou a caminho.
Em todos os meus sonhos e eles são sempre os mesmos, ouço-te perfeitamente.
Mas naquele dia, pensei:
-Uai, está a caminho...vai para onde?
A grande estrada que sempre trouxe o que eu quis, agora invertia a mão de trânsito...e eu sem saber.
Mas enquanto não inverteu.Aquele vestido rodado e aquele par de sapatos com saltinho. Eles não me lembram a Celly Campelo, lembram mesmo você. Ele moldava o teu corpo longilíneo. A graça que havia no conjunto...
Fomos para o salão, tocava um fox. Mas no momento que enlacei-te a orquestra começou a tocar “ tu és, divina e graciosa, estátua majestosa, do amor...”
-Malditos, tiraram as palavras da minha boca.
Você sorriu...eu tento, mas não consigo esquecê-lo. Quero desesperadamente esquecer ao tempo que luto desesperadamente para que isso não aconteça...dá-se o nome de conflito.
Dançamos silentes, como naquela música diz.
Fiz um gracejo, você me beliscou...sinto ainda a dorzinha. Duas coisas que ficaram gravadas no meu DNA: o sorriso e a dorzinha. Isso e mais aquilo e aquel’outro compondo em mim a mais bela poesia: Mariana.
A voz do tempo vem com o vento, dizendo: não mais...
Mas outra, diz baixinho:
-Não dá bola para o vento, ele é uma besta quadrada. Ele segue o seu percurso e nada percebe, não sabe de nada, o tonto. Ele marca somente um espaço, não o preenche com nada. Nós o preenchemos com nossas esperanças, nossos desejos de rever o que um dia amamos.Para tanto Deus nos deu um coração e nos os completamos com o amor que Ele nos ensinou.
Quer saber, se não fosse para te ver novamente, juro, gostaria de ficar por aqui mesmo.

Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.


5 comentários:

Rita Lavoyer disse...

A grandeza maior deste texto está justamente nas qualificações que o escritor atribuiu ao tempo.
Tanto quanto o tempo, são os que deixam o que querem para o tempo levar.

Antenor Rosalino disse...

O tempo... Sempre trazendo a saudade que insiste em habitar os nossos corações esmaecidos nas vicissitudes do amor. Parabéns, José Hamilton, pelo belissimo e irretocável texto.

marthinha disse...

Ate assustei-me com meu proprio suspiro, depois que li.
Tudo tao lindo.
Me da uma vontade de escrever...
Parabens!

Marianice Paupitz Nucera disse...

quando o tempo e o vento passam, percebemos que não pedem licença , seu texto é doce, gostei muito. e ainda não está na hora de ir embora, por enquanto fique por aqui

Marianice Paupitz Nucera disse...

aprendi..kkkkkkkkkkkkkk