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sábado, 31 de outubro de 2009

PODER DA PALAVRA


PODER DA PALAVRA


Foi em GRANDE SERTÃO: VEREDAS que Guimarães Rosa escreveu que viver é perigoso.
Falar também pode ser.
Tem até aquele ditado que anuncia que quem fala o que quer, ouve o que não quer... isso, quando não recebe uma bala.
-Hein! Fala o que quer e ainda recebe uma bala, tá doido?
-Bala, do inglês Bullet, sua anta.
Alguém já disse que as pessoas não foram preparadas para escutar o que falam. São poucos os que “se escutam”; daí, o alto grau de desgraceira que o fato provoca.
Segundo o mestre AURÉLIO, palavra é a unidade mínima com som e significado, que pode, sozinha, constituir enunciado.
Ela pode sozinha fazer lindas coisas se houver a boa vontade das pessoas; assim, só usando verbos em ar: reatar, consolar, curar, educar, namorar. Todavia, se a pessoa não se escuta, podemos ter: destruir, desunir, mentir...
A palavra pode fazer com que surja o amor, mas também o ódio.
Um grupo de palavras pode redundar em Ave Maria, gratia plena, dominus tecum, benedicta tui in mullieribus et...
Uma palavra sozinha: tramp, morra... mas pode ser: amor, querida, mamãe, filha...
Ela pode dar confusão entre pessoas e entre povos; ela pode dar prazer à vida e fazê-la menos perigosa. Basta que nos ouçamos antes de dispará-la, pois ai ela pode ser bala... não a de chupar. Pensar para falar é fundamental.
Rubem Alves, citando Guimarães Rosa diz que feiticeiro é aquele que diz uma palavra e, pelo puro poder desta palavra, sem o auxílio das mãos, o dito acontece.
Entre os normais, quando a palavra é mal usada, acontece o dito e a desdita.
- Certo. Então o melhor é ficar de boca fechada, até porque segundo consta, com ela fechada, mosquito não entra e ainda que o silêncio é ouro e finalizando, se falar fosse mais importante que ouvir, a gente teria duas bocas.
Mas falar é preciso.
Sobretudo nos dias atuais que compõem a chamada era da comunicação.
Nunca as pessoas se comunicaram tanto; a tecnologia,favorecendo-a, aproximou fronteiras e a distancia está na tecla do enter.
Tem muita gente que se preocupa em falar bonito, quando deveria se preocupar com o pertinente, o correto; palavras de conforto e incentivo e fazer-se acompanhar de gestos e expressões que transmitam carinho. Quando houver motivo justo para um descontentamento, fazê-lo com parcimônia e respeito pelo próximo.
Apenas para não deixar de fora, nenhum lugar-comum, ainda temos o: é conversando que a gente se entende.
Mas não é somente falar, é preciso fazê-lo com coerência, com ênfase.
-Mano, o que é coerência?
-É conexão, harmonia entre as partes que compõem um todo, é a existência de um nexo entre os pensamentos.
-Ah! Tá. E o que é ênfase?
- Ênfase é energia, vitalidade, realce no jeito de falar; é triste ficar ouvindo uma voz monocórdica , como se estivesse em um Ora pro nobis...ora pro nóbis...
-Pois é mano, havia tudo isso, todos estes trens ai que você falou: energia,ênfase, realce na palavra adeus, no momento em que ela foi embora.
Não fosse o dom da palavra, quem sabe...
José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras.

3 comentários:

ruliacim disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ruliacim disse...

Gostei do texto. É a sua cara. Lendo-o parece que o via. Belas palavras, senhor Brito!
É isso mesmo.
Beijos

Rita Lavoyer disse...

Você escolheu as palavras a dedo para compor o seu texto. Muito belo. Parabéns.