
Meu primeiro livro virtual
domingo, 20 de dezembro de 2009
...E EU QUE NÃO CREIO

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
MERDA

terça-feira, 8 de dezembro de 2009
O FESCENINO

José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.
sábado, 5 de dezembro de 2009
SINHÔ
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
E AGORA?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009
EU NAO VIM MORAR AQUI. EU SOU DAQUI.MAS VOCÊ, QUE VEIO, SEJA BEM-VINDO. EU, ENTÃO, NÃO TROUXE COMIGO MALAS E SONHOS; EU OS ELABOREI AQUI MESMO. MINHA RELAÇÃO COM A CIDADE É DE AMOR, MESMO QUANDO MEU CARRO CAI EM UM BURACO NO ASFALTO; NUNCA DIGO: CIDADE DESGRAÇADA. DIGO, PREF...DEIXA PRA LÁ QUE O HOMEM É AMIGO DO MEU AMIGO.QUANDO VOLTO DE UMA VIAGEM DEMORADA, SOBRETUDO NAS MADRUGADAS, ME EMOCIONO AO ADENTRAR-ME PELA AVENIDA BRASÍLIA, PASSAR PELO BOLA SETE...É BOM SABER QUE ESTOU EM CASA. AQUI ME SINTO EM PAZ, ME SINTO SEGURO.CHEGAR DE MANHÃZINHA E IR COMER UM PASTEL NA FEIRA. O QUE? BREGA? ...EU ACHO CHIQUE. SE EU FOR ASSALTADO, SERÁ POR UM ASSALTANTE AQUI DA CASA. CLARO QUE AQUI TEMOS AS NOSSAS MAZELAS : iIR A UM SARAU E ESCUTAR O HEITOR GOMES - O POETA DAS MULTIDÕES - RECITAR A SAGRADA BOCHECHA OU A MÃE NA ZONA. OS LIMITES QUE A CIDADE IMPÕE, NÃO ME FAZEM FRAQUEJAR; QUANDO PRESSINTO QUE PODE ACONTECER, ME VISTO DE GLADIADOR E ENCARO.PROCURO SEMPRE FORTALECER AS MINHAS RAÍZES COM AS PESSOAS QUE AMO...COM QUEM EU TOLERO, TAMBÉM.MINHA ALMA VOA ALÉM DOS PROBLEMAS QUE A CIDADEPOSSA TER E PERCORRE SEM TRAUMAS E TEMORES A NATUREZA, MESMO QUANDO A POEM FERIDA POR UMA FONTE , POR EXEMPLO....LUMINOSA? COMO AQUELA DA PRAÇA CENTRAL DA CIDADE.ARAÇATUBA, EIS AS RAZÕES PELAS QUAIS EU TE AMO: AQUI MANTENHO A ESPERANÇA E A FÉ. AQUI SINTO QUE PERCORRO CAMINHOS SUAVES. ASSIM, DIGO A VOCÊ QUE CHEGOU; FIQUE E VEJA AS BELEZAS QUE HÁ POR ESTAS MARGENS DO RIO TIETÊ.NOSSOS FILHOS ESTÃO CRESCENDO.NOVOS SONHOS ESTÃO SURGINDO E HÁ MUITO POR FAZER. SAIBAM; O FUTURO E O PRESENTE ANDAM JUNTOS POR AQUI, S/AP NOVOS TEMPOS E HÁ URGÊNCIA...TANTA FÉ NUNCA SE VIU. HÁ UM MUNDO DE RIQUEZAS E DE BELEZAS E, É SIM, É POSSIVEL SER FELIZ NESTAS MARGENS DO GRANDE RIO.ESTE, OUTRORA DOS BANDEIRANTES, AGORA É NOSSO. ELES EMPURRARAM AS NOSSAS FRONTEIRAS, TRAZER MAIS DESENVOLVIMENTO E PROGRESSO É, DORAVANTE, COM A GENTE.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
ISTO É PURA SORTE!
Sai caminhando...
Onde ir, nem pensei.
Como ir?...caminhando.
Fui.
Como diz um palmeirense:
fui fondo.
Vocês sabem, palmeirense
é...é erudito.
Não mais que, de repente,
uma curva sinuosa.
Placa: curva perigosa.
Assim, aquele riozinho
não vi e
sua corredeira, também não.
Aquele ipê florido...nada.
Estava tal qual corinthiano
perdido no brasileirão.
é chamam essa inhaca
...de timão.
Mas, do lado da estradinha
quase perto da fonte
Vi o teu carro parado
...quebrado.
Tentei ajudar.
Parafuso, apertei.
Carburador, regulei.
A bobina, limpei.
Teu olhar em mim
notei.
Radiador , conferi.
Teu interesse, senti.
Encher o estepe, não deu.
Ah!teu sorriso...prometeu.
Esta estrada, que não era
da vida
minha vida, devolveu.
Veja que sorte:
Sai como palmereisense.
Caminhei como corintiano.
Como sampaulino
...voltei.
José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.
sábado, 31 de outubro de 2009
YES...IS A TRAMP

Nasceu lá para os lados do pantanal mato-grossense e veio para a cidade grande ainda menina.
Aquela vidinha que toda criança tem: grupo escolar,a casa, os amiguinhos e a vida...indo.
Mas se havia algo nela, era a capacidade de observar e comparar; foi percebendo que a casa da Juna, era mais bonita que a sua, que Luíza sempre tinha um vestido novo para sair, que o pai do Turcão tinha um carro novo.
Sobretudo, reparava no ar cansado da sua mãe, na falta de um sorriso mais amplo do seu pai e que sua irmã mais velha, evitava sair com as amigas e vivia trancada no quarto.
Sempre faltava um sapato melhor, uns trocos na carteira, um bilhete para o último ônibus.
Foi crescendo e cada vez se amargurava mais.
- Não sei o quanto vai me custar, mas comigo vai ser diferente; se a vida ou o destino querem fazer o mesmo comigo, estão enganados...aqui,o muro é mais alto.
Já na faculdade, conheceu Tibério. Tipinho mais tipinho, não seria possível...mas tinha dinheiro, grana, a chamada “ bufunfa”. Ai, pensou aquela nascida no pantanal, está a sua beleza.
-Oi Tibério, você já tem companhia para ir ao baile do diretório acadêmico?
Claro que não e ela sabia. Quem iria sair com uma coisa ruim daquelas. Foi alvo de risadinhas, de piadinhas e até comentários mais atrevidos:
Ei fofa! saiu com a placenta?
Ela...ah! sim, o nome dela é Cacilda. Então Cacilda pensou:
-Placenta ou não, vai resolver minha vida. Se pensam que vou passar a vida igual minha mãe e minha irmã, que se casaram com uns trastes, estão enganados.
-Cacilda, o ano que vem a gente se forma, eu retorno para a minha cidade e acho, então,que temos que conversar.
A sujeita se fez de desentendida e perguntou coma cara mais...mais deste mundo:
-Uai amor, conversar sobre o que ?
-Bem, eu te amo e você me ama, assim é natural que queiramos ficar juntos a vida inteira. A melhor maneira é a gente se casar.
-Eu te amo, você me ama...a sua famíla nos amará estando casados? Sou pobre ; eles não sabem nada sobre mim.
-Bem, eu não te disse, mas o meu pai faleceu e era viúvo. Sou filho único, o inventário foi concluído e sou dono da minha vida e dos bens que eu herdei. Só dou satisfação a mim mesmo.
-Oh! Querido, como eu lamento, como estou sofrendo por você.
Mas dentro do coração, se o ton...digo, o namorado pudesse , ouviria:
-Aleluia, aleluia, aleluia,aleluiaaaa!!!!!
O ano foi embora, a diplomação aconteceu e o casamento foi....com comunhão universal de bens.
E houve um fato importante. O noivo chamou para seu padrinho, um primo. Sujeito sarado, moreno, olhos verdes e um sorriso, daqueles que como se diz no pantanal, tirava pica-pau do oco.
Cacilda teve certeza que seriam felizes para sempre.
Não sei, teria sido por uma historia como essa que alguém fez a letra de That lady is a tramp?
José Hamilton Brito, membro da academia experimental de letras.
-
PODER DA PALAVRA

Foi em GRANDE SERTÃO: VEREDAS que Guimarães Rosa escreveu que viver é perigoso.
Falar também pode ser.
Tem até aquele ditado que anuncia que quem fala o que quer, ouve o que não quer... isso, quando não recebe uma bala.
-Hein! Fala o que quer e ainda recebe uma bala, tá doido?
-Bala, do inglês Bullet, sua anta.
Alguém já disse que as pessoas não foram preparadas para escutar o que falam. São poucos os que “se escutam”; daí, o alto grau de desgraceira que o fato provoca.
Segundo o mestre AURÉLIO, palavra é a unidade mínima com som e significado, que pode, sozinha, constituir enunciado.
Ela pode sozinha fazer lindas coisas se houver a boa vontade das pessoas; assim, só usando verbos em ar: reatar, consolar, curar, educar, namorar. Todavia, se a pessoa não se escuta, podemos ter: destruir, desunir, mentir...
A palavra pode fazer com que surja o amor, mas também o ódio.
Um grupo de palavras pode redundar em Ave Maria, gratia plena, dominus tecum, benedicta tui in mullieribus et...
Uma palavra sozinha: tramp, morra... mas pode ser: amor, querida, mamãe, filha...
Ela pode dar confusão entre pessoas e entre povos; ela pode dar prazer à vida e fazê-la menos perigosa. Basta que nos ouçamos antes de dispará-la, pois ai ela pode ser bala... não a de chupar. Pensar para falar é fundamental.
Rubem Alves, citando Guimarães Rosa diz que feiticeiro é aquele que diz uma palavra e, pelo puro poder desta palavra, sem o auxílio das mãos, o dito acontece.
Entre os normais, quando a palavra é mal usada, acontece o dito e a desdita.
- Certo. Então o melhor é ficar de boca fechada, até porque segundo consta, com ela fechada, mosquito não entra e ainda que o silêncio é ouro e finalizando, se falar fosse mais importante que ouvir, a gente teria duas bocas.
Mas falar é preciso.
Sobretudo nos dias atuais que compõem a chamada era da comunicação.
Nunca as pessoas se comunicaram tanto; a tecnologia,favorecendo-a, aproximou fronteiras e a distancia está na tecla do enter.
Tem muita gente que se preocupa em falar bonito, quando deveria se preocupar com o pertinente, o correto; palavras de conforto e incentivo e fazer-se acompanhar de gestos e expressões que transmitam carinho. Quando houver motivo justo para um descontentamento, fazê-lo com parcimônia e respeito pelo próximo.
Apenas para não deixar de fora, nenhum lugar-comum, ainda temos o: é conversando que a gente se entende.
Mas não é somente falar, é preciso fazê-lo com coerência, com ênfase.
-Mano, o que é coerência?
-É conexão, harmonia entre as partes que compõem um todo, é a existência de um nexo entre os pensamentos.
-Ah! Tá. E o que é ênfase?
- Ênfase é energia, vitalidade, realce no jeito de falar; é triste ficar ouvindo uma voz monocórdica , como se estivesse em um Ora pro nobis...ora pro nóbis...
-Pois é mano, havia tudo isso, todos estes trens ai que você falou: energia,ênfase, realce na palavra adeus, no momento em que ela foi embora.
Não fosse o dom da palavra, quem sabe...
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
PURCINA DE ALMEIDA
José Hamilton da Costa Brito
Purcina Elisa de Almeida é natural de São Manoel,no Estado de São Paulo. Nasceu em 01 de novembro de 1881. Filha de José Mariano de Almeida e Maria Jacintha de Jesus. Concluiu os seus estudos, em São Paulo, no colégio Caetano de Campos em 1917, e em 1918 foi nomeada a primeira professora efetiva de Araçatuba, no Grupo Escolar Cristiano Olsen. No dia 07 de janeiro de 1921 casou-se com Antônio Ribeiro. Teve uma filha, Júlia Guiomar Ribeiro Gomes e três netos, Purcina, Paulo Boanerges e Heitor Gomes....
E ASSIM SE FEZ PROFESSORA.
“A missão da gente na vida é encontrar e seguir o próprio sonho”, Anne LeClaire.
Pois foi o que dona Purcina fez.
Acho que estamos aprendendo com a cultura oriental a expressar o sentimento de gratidão e prestar reverência àquelas pessoas que nos antecederam e que, com sua energia, dedicação e espírito de luta, deixaram um grande legado.
Ontem, o livro “Nos Trilhos do Centenário” em homenagem, segundo o mestre Hélio Consolaro, aos pioneiros que apostaram em Araçatuba; hoje, uma homenagem mais do que justa aos professores.
Dona Purcina foi uma mulher admirável e resoluta que soube transformar as dificuldades em realizações; acreditou que podia converter os seus sonhos em realidade, ao longo da vida.Ela sempre foi a gestora da sua carreira. Se o envelhecimento pode ser considerado um obstáculo, sempre soube se adaptar às novas necessidades que a vida lhe ia impondo.
Se houve momentos de crise, soube aproveitá-los para se reorganizar e seguir em frente..., dizia não ter tempo para perder.
Angústias, tristezas e problemas, os mais diversos, que são da natureza humana, nunca fizeram dela presa fácil das adversidades. Enfim, não temia o futuro. Olhava sempre para a frente e não compartilhava do pessimismo que grassava entre alguns dos seus parceiros de magistério.
Aprendeu a ser calma e perseverante para lidar com sua vida e com a vida daqueles que a circundavam.Se a compaixão é inata no ser humano, nela então foi a característica mais marcante;preocupava-se com as dificuldades e com as dores dos outros.
Segundo palavras do neto Heitor Gomes – “o poeta das multidões” – Dona Purcina não foi à procura do seu futuro nas cartas do Tarô; buscou-o no trabalho árduo, na dedicação à sua família e à sua profissão.Ainda, segundo Heitor, ela foi a primeira professora formada de Araçatuba e, além do seu trabalho oficial no Estado, no qual se revelou estupenda alfabetizadora, dava aulas particulares.
E como era ser professora na região de Araçatuba, naqueles tempos? A cidade era carente de recursos materiais e culturais, se sustentava, sobretudo na atividade agropecuária.Foi o contexto no qual se sobressaiu Dona Purcina.
Foi pioneira no magistério Araçatubense e por suas mãos, passaram ilustres figuras da nossa sociedade contemporânea. E não aconteceu por acaso. Ela possuía a capacidade de ouvir e aceitar os seus alunos. Estabelecia com eles uma relação de simpatia; compreendia as suas ações e reações; aceitava ou recusava suas atitudes, mas sempre estimulando e incentivando... Possuía o dom da flexibilidade.
Para ela, o aluno era uma pessoa digna de confiança. E, como foi também uma grande professora, imortalizaram o seu nome como patrona do então GESC do Jardim Juçara, desde 1971. Foi o reconhecimento da sociedade Araçatubense pela sua abnegação.
Segundo Thomaz Handy : " A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos"
Assim se fez professora.
José Hamilton da Costa Brito, membro do grupo experimental da academia
terça-feira, 20 de outubro de 2009
...SORRINDO

Melhor ser analfabeto.
Marco Antônio saiu do seu escritório de advocacia, passou no piano-bar e tomou o seu lugar de sempre.
-Boa tarde, doutor, como foi o seu dia hoje?
-Oi, boa tarde Carmelo, até que não foi mal. Amigo, manda o de sempre. Quem atira no meio, não erra.
O bar-man se afastou. Marco Antônio pegou sua revista preferida, um semanário de boa tiragem , abriu na última página e começou a ler seu articulista predileto: A ARTE DE MORRER era o tema.
Nele era relatado o caso de um conhecido crítico de música, apaixonado por Villa-Lobos e que ia dar uma palestra sobre o grande maestro. O sistema de som começou a tocar FLORESTA AMAZÕNICA. O crítico ficou extasiado, deu um suspiro e caiu morto. Morreu porque se emocionou com algo que era belo e que amava.
Era uma morte semelhante a uma outra: a de Bergotte, personagem de Marcel Proust, que em uma exposição de arte, fica extasiado com VISTA DE DELF, de Johannes Vermeer e passa para o degrau de cima, na hora,
Estava absorto lendo a matéria, quando foi interrompido pelo garçom, que trazia a bebida.
-Luizinho, será que é possível a gente morrer, assim, de repente, só por olhar algo ou alguém de muita beleza?
-Acho que não, doutor. Posso provar.Uai, fosse isso verdade, tanto o senhor como eu, já teríamos ido "pros quiabos" quando a sua namorada entra ali pela porta,
-Opa! Olha o respeito...
=Doutor, toda afirmação precisa levar junto um argumento de prova. Foi o senhor mesmo quem me ensinou. Não vem, não...
O advogado pediu uma salada completa como entrada, um Le Corti, um chianti clássico da região da Toscana; depois, salmão ao molho de alcaparras, pois resolvera jantar. Chegando em casa, iria após breve descanço, estudar um processo de inventário dos mais intrincados.
-Luizinho, vê a minha despesa, por favor.
Após os acertos e de ter tomado um último drinque, se dirigiu para o carro, mas ainda ouviu do garçon:
=Cuidado doutor, não vá se emocionar.
No caminho para casa, vendo uma farmácia, resolveu ver como estava a sua pressão.
-Olha, vou atender o senhor mas as farmácias não estão mais prestando o serviço à população.Sabe como é, se podem complicar as coisas para o povo, por que não fazê-lo, não é mesmo?
Pressão normal; tranqüilo, foi para casa. Até se esqueceu da matéria lida.
Após o banho, tendo vestido o roupão que lhe agradava, ligou o som para ouvir Harry Jerome e acomodou-se no sofá.
A música era moonlight serenade; Marina, sua namorada, gostava de fazer amor ouvindo a canção.
Ele também gostava muito.
Por volta das onze horas, a santinha, que tinha a chave da casa, entrou e o encontrou deitado, sereno.
Tinha um sorriso nos lábios.
José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
TUDINHO

Até que a manhã
Não era tão feia assim.
Mas... um vislumbre
Algo não vai bem!
O selinho...quase nada.
Um sorriso sem graça
Sintoma de desgraça...
-Eu preciso te falar
Confessar, não há mais jeito.
Quase um plágio...
É só ouvir o Roberto
Lembro aquele adeus!
A mão foi acenando
Ainda te vejo, partindo.
Agora, este teu email...
Que se repete a toda hora
Mas te pergunto: agora?
Agora, não quero mais
Curti em silêncio a desdita
Sofri a dor mais maldita
mas consegui te esquecer.
Agora, com esta cara lambida
Você vem pedir aconchego
No seio dos braços meus?
Escuta bem o que te digo
Vá pro diabo que te carregue
Mas passa em casa, primeiro
Esqueço tudo, tudinho
guardo as mágoas, num cantinho
José Hamilton Brito, membro do grupo experimental da academia araçatubense de letras.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
CANÇÃO DE AMOR
Os olhos... tinham uma cor de...sei lá, acho que Deus ainda não revelou ao homem um adjetivo que possa descrever tanta beleza.
A boca, lábios carnudos; os cabelos pretos e levemente ondulados desciam sobre os ombros, qual singelos fios de água, correndo pelas pedras.
O corpo... não era apenas uma questão de simples simetria. Passava mais que isso. Estava mais para sinfonia. N ao uma daquelas tipo Nona, daquele alemão , primo do Alzheimer e sim uma lembrando Vivaldi, bem suave. Olhando para ele, ouviam-se os querubins e serafins sussurrando uma canção de amor.
Depois chamam de fetiche a fixação por determinada parte do corpo. Alguns, mais tontos, gostam de pés e mãos... eu acho que mamei pouco.
Se há um lugar na terra no qual quero morrer, este é em um colo de mulher; melhor, daquela mulher. Ainda nem tão mulher assim. O criador ainda trabalhava naquele corpo de menina-moça e vocês sabem como Ele é generoso quando escolhe uma para tornar realmente bela.
Já tentei compará-la com tantas coisas: com uma flor, com a estrela mais brilhante, com a ravina mais verde, com o canto do pássaro mais canoro, com um sorriso de criança, com a dignidade de um rosto marcado pelo tempo.
Aqueles olhos... seriam verdes? Olhos verdes, já disse um poeta, são traição. O modo direto de olhar, a firmeza em sustentá-lo revelavam, no entanto, dignidade de caráter.
Pernas longas em um corpo longilíneo mostrando um equilíbrio entre as belas partes que compunham um todo mais que perfeito.
Não vou dizer que é uma deusa para não desmerecê-la; as deusas que conheço, inclusive aquelas mais bonitas da mitologia grega ou romana, ficam a lhe dever. As do mundo contemporâneo, as chamadas fashion, top model ou sei lá mais o que... tadinhas.
Cristo, que mulher é essa?
Então, estou aqui tentando descrevê-la, mas não encontro palavras. Comprar um dicionário? não vai adiantar.
Existem mulheres que são a imagem viva do pecado; o que ela passa não tem nada a ver. O Criador não daria a ela esse papel, mas eu adoraria pecar com ela, mesmo que tivesse de queimar eternamente em todos os fogos de todos os infernos e ter ainda como castigo, torcer pelo Corinthians.
São tantos os detalhes perfeitos. Pintá-la como descrevê-la só mesmo, só mesmo... só mesmo quem? Deus já a fez, retratá-la cabe a nós e nós, pobres de nós...
Se eu pudesse pararia o tempo, prendê-la-ia; mandaria em seu coração, penetraria na sua alma e faria das nossas vidas, uma linda canção de amor.
José Hamilton da Costa Brito, membro do grupo experimental da academia experimental de letras.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
...acabou.

Era um sítio de duzentos alqueires; uma fazenda. Ficava nas margens de um rio com águas cristalinas e celeiro de bons peixes.
Uma casa de único cômodo, chão de terra batida , abrigava o velho Antenor, sua mulher Gervásia, o filho Tarcísio e a filha “ di menor”, Tereza.
Perto da casa um poço, que não era raso e mais distante, um chiqueiro. Quando fazia muito calor, o cheiro dos porcos e seus detritos entravam pela alma.
Infelizes?
Que nada.
Relógio e despertador eram obsoletos ali; o velho galo e o canto das maritacas no seu vai-e-vem mostravam o início de um novo dia, que de novo...
Cafezinho no fogão, cigarro de palha, um enroladino atrás da orelha e outro na boca, a foice na cacunda e lá iam, menos a “ di menor” para o roçado.
E assim eram todos os dias; feriado eles mesmo escolhiam quando fazer. Geralmente, pegavam a jardineira e iam para a vila fazer as compras daquilo que não produziam.
De tarde, ao voltar para a casa, pai e filho paravam no rio, cavucavam umas minhocas e sempre havia uma fritura ou ensopado na panela.
Duas coisas não conheciam: fartura e falta do essencial. É pouco, quase nada, mas muitos por este mundão de Deus não têm.
Todos os dias, ai pelas oito da noite, a lamparina era apagada e a paz reinava no pedaço. Como tinham muito amor para trocar mas não o faziam, cada um se ajeitava com sua esteira em um canto e...boa noite pai, boa noite mãe, a benção.
-Pai, to cansado dessa vida.
-Ah! Sabe que não penso em mim, que já me acostumei e não saberia viver em outro lugar, mas penso em você e, principalmente, na sua irmã. Que futuro tem a menina, vivendo assim.
-Intão, pai. O que a gente vai fazer. Dinheiro a gente não tem nem para mudar. Eu quero ir para a cidade. Gosto daqui . Onde mais eu posso pegar meus peixes, ouvir o canto do xororó, o galo-da-campina, o jaó, ver um por do sol como o daqui, pai?
-Fio, pega a jardineira amanha e vai lá na cidade; procura o cumpadi Zelão, fala se ele pode te arrumar aquele quartinho dos fundos inté você arrumá um emprego. Antonce nóis aluga uma casinha, eu arrumo tomem um emprego, sua mãe pode trabaiá nas casas de família e a gente se arruma ; com o tempo a coisa vai miorá.
Assim pensaram, assim fizeram. Logo o emprego foi arrumado, a casinha alugada, o pai foi ser guarda de posto de gasolina, a mãe lavava e passava “pra fora” e a menina entrou para a escola.
Mas quem trazia mais dinheiro para a casa, era o filho.
-Fio, onde é o seu emprego?
-Ah!Pai, trabalho com uns amigos, sou vendedor ambulante. Ganho comissões. Com pouco tempo, pai, arrumo nossa vida.
-Deus te abençoe, fio.
Realmente, em pouco tempo, até carro, um fusca velho mas em bom estado, o rapaz comprou.
E a vida ia bem, muito bem...
Até que um carro com as cores vermelha, preta e branca, parou na porta... Tarcísio foi levado.
-Pai, e agora, a gente volta pro mato? Eu não quero, pai.
-Fia, to muito desgostoso. Nossa vinda pra cidade, só trouxe desgraça. Aqui não é lugar pra gente.
-Mas pai, quero estudar, ser alguém nesta vida. Lá na roça, o que vai ser de mim.
Não teve jeito. Voltaram. A roça os recebeu de volta... e no rio, um corpo, foi encontrado, boiando...era o corpo de uma moça.
domingo, 4 de outubro de 2009
EDILEUSA

Naquela manhã, Edileusa não acordou legal.
- Quibe desgraçado.
Era uma jovem desinibida, acostumada a ganhar no grito; palavreado remonta ao cais onde seu pai trabalha.
Cresceu no meio de homens e mulheres rudes; os de sua idade, eram um grande desafio para a sociologia
Caçula, cozinhava, lavava as cuecas e as calcinhas impregnadas dos fluidos dos irmãos e irmãs adolescentes.
Se mandava tudo à merda, desaforo e até alguns tapas do pai.
- Pô, depois vem o padre dizer que tudo acontece porque Deus quer... Quis levar minha mãe?! Mando esse padre...
A vida corria em sua rotina.
Namorado?
- Quem vai querer namorar uma merda de garota igual a mim, com uma família de ignorantes.
Foi jogar o lixo em um terreno baldio e viu. Devia ter uns cinco ou seis anos mais que ela; alto, cabelos loiros... e sarado.
- Deus, se tudo acontece porque o Senhor quer, manda este sujeito para cima de mim... encaro.
O carinha jogou o pacote dentro do terreno e Edileusa, o dela, em cima dele.
-Perdão, não tenho pontaria.
- Perdôo, mas presta atenção na próxima vez.
- Qual é o seu nome?
- Mariano.
- Mariano, vai pra puta que te pariu.
O que Deus jogou, Edileusa rebateu de primeira.
O Criador não desistiu. Uns três ou quatro dias depois, dançava na discoteca da Associação dos Amigos do Cais. Estava lá o Mariano.. sorriu para ela.
-Maldito, se me convida para dançar, vou mandá-lo para... o meio do salão e corro atrás.
Um sorriso, um vou te levar pra casa, um ta bom, u”a mão na mão, u”a mão naquilo, um aquilo na mão e a vida seguiu o seu santo curso.
Edileusa amou com paixão e assim foi amada. Gentilezas, expressões e gestos de carinho, nem pensar... e era o que recebia de Mariano.
- Hoje recebi o salário; comprei o jogo de cozinha para a nossa casa.
Assim foi pedida em casamento. Ela vinha se esquivando aos desejos dele aos seus próprios e tomou uma decisão.
- Amor, se você quiser dou o que você quer.
- Legal! Você comprou?
-Uai, que história é essa de comprou.
-O CD do Leonardo que eu quero?
-Escuta aqui, seu filho... que cacete de Cd...vai pro diabo.
O “beicinho” criou um clima de deixa disso, vem pra cá. Os zíperes se abriram, as casas dos botões ficaram vazias e o amor se deu. Nas preliminares parecia uma brisa suave. Logo depois, verdadeiro tornado.
Alternando brisas e tornados o tempo passou, a casa foi montada e chegou o grande dia... quer dizer, o dia do casamento. O grande dia havia acontecido há algum tempo.
E foram felizes.
- Amor, tá esquisito; uma azia, sei lá que diabo é isso...
-Ah! Não dá nada, não. Toma um trem qualquer para o estômago, que logo passa.
- A gente vai no pesque-pague?
-Claro. Se arruma logo; você na frente do espelho é uma desgraça. Vai logo tomar seu banho.
-Vai primeiro . Fico um pouco mais aqui na cama; terminando, me chama.
Mariano no banho, ia conversando com Edileusa, que respondia às suas perguntas.
-Amor, esqueci a toalha; dá uma , por favor.
-Edileusa, a toalha, amor.
- Cacete, vai me trazer a toalha ou não?
-Edileeeeeuuuusaaaa!!!!!!!!!!!
- Desgraçada, dormiu.
Sim, ela tinha dormido.
O sintoma que parecia ser um transtorno estomacal ou hepático... não era.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
...IGUAL A VOCÊ

EU SABIA

quarta-feira, 23 de setembro de 2009
EU QUERIA

TEU NOME

terça-feira, 22 de setembro de 2009
A LISTA

Ainda há pouco um telefonema...esses telefonemas no meio da noite!!!
- Lastimo comunicar que o padre Cláudio, faleceu.
Por um laço de gratidão, sempre pensei mais no amigo, que no padre; não o via há tempo.
Ele faz parte de um passado onde só havia uma máquina produtora de sonhos, nada ainda de realizações, a não ser, cumprir s compromissos do dia-a-dia. Tudo e todos se foram, como sempre foi na minha vida: só eu a ficar.
Isso até pode ter o seu lado positivo, afinal...
Afinal, o que eu preservei, além da saudade...
Nada foi o que eu sonhei mas eu me reconheço no espelho do tempo, cuja face eu vejo agora...nada é o que eu achei que seria: mas o que vejo me agrada.
Acho que não joguei nada fora. O tempo foi levando sem me pedir licença.
Mistérios..,nem os dogmáticos. Nunca me preocupei com mistérios, entendê-los ! O melhor em mim sempre me acompanhou, não sou melhor agora porque sou o que sempre fui.
Nunca fui de condenar mentiras. Acho que elas ajudavam a viver. Quantas situações embaraçosas uma boa mentira ajudou a evitar. As canções que nunca cantei , não as canto agora também...não me considero um sobrevivente. Sou mais que isso. Seria desmerecer o meu passado, tudo e todos os que estiveram comigo no caminho da minha vida, se me julgasse um mero sobrevivente.
Nunca tive segredos. Sempre fui um livro aberto e não era escrito em grego.Para o bem ou para o mal, sempre procurei a transparência...mesmo mentindo algumas vezes.
CAMINHOS SUAVES

POR CAMINHOS SUAVES
Eu não vim morar aqui.
Eu sou daqui... mas você, que veio, seja bem vindo.
Eu, então, não trouxe comigo malas e sonhos; eu os elaborei aqui mesmo.
Minha relação com a cidade é de amor, mesmo quando meu carro cai em um buraco no asfalto; nunca digo: cidade desgraçada. Digo, pref... Deixa pra lá que o homem é amigo do meu amigo.
Quando volto de uma viagem demorada, sobretudo nas madrugadas, me emociono ao sair da Marechal Rondon e adentrar-me pela Avenida Brasília, passar pelo Bola Sete... É bom saber que estou em casa. Aqui me sinto em paz, me sinto seguro.
Chegar de manhãzinha e ir comer um pastel na feira. O que? Brega? ...eu acho chic. Se eu for assaltado, será por um assaltante daqui.
Claro que aqui temos nossas mazelas: ir a um sarau e escutar o Heitor – Poetas das Multidões – recitar “sagrada bochecha” e” mãe na zona”.
Os limites que ela me impõe não me fazem fraquejar; quando sinto que pode acontecer, me visto de gladiador e encaro.
Procuro sempre fortalecer as minhas raízes com as pessoas que amo... Com quem eu tolero, também.
Minha alma voa além dos problemas que a cidade
possa ter e percorre sem traumas e temores pela natureza , mesmo quando a ela fica ferida, como por exemplo, por uma fonte... luminosa???, Como aquela da praça central da cidade.
Araçatuba, eis as razões pelas quais eu te amo; aqui mantenho a esperança e a fé... Aqui sinto que percorro por caminhos suaves.
Assim, digo a você que chegou: fique e veja as belezas que há por estas margens do Tietê. Nossos filhos estão crescendo, novos sonhos estão surgindo e há muito por fazer.
Saibam, o futuro e o presente andam juntos por aqui, são novos tempos e há urgência... Tanta fé, nunca se viu.
Você que não veio, venha; você que está aqui, fique.
Há um mundo de riquezas e de belezas e é sim, é possível ser feliz nestas margens do grande rio. Ele, outrora dos Bandeirantes, agora é nosso. Eles empurraram as nossas fronteiras... trazer desenvolvimento, progresso é, doravante, com a gente.
Membro do grupo experimental da Academia Araçatubense de letras
COISAS DO SACI

Cavalo, meio de transporte nas noites que iam para a vila, uns quilômetros longe da fazenda. Havia um mata-burro e mais afastada, uma grande e velha figueira... E na velha figueira...
Cristiano, um mulato desdentado, dizia que ali tinha um “trem quarqué”:
- -Mininu, passando na figueira, parece que o cavalo fica pesadão, que tem "arguém" na garupa, um bafo quente na nuca... diabo de coisa danada, sio!
E toma gozação.
- Oia sio, num brinca ...
Um dia, Pedrinho, tarde da noite e só, sentiu um frio na espinha, o cabelo arrepiou. De repente, o trote do cavalo ficou esquisito e não adiantou dar na espora... tinha algo ou alguém na garupa.
- Minha Nossa, quem está ai? È o capeta?
- - Não, sou o filho dele. Quando perdi a perna, meu pai, desgostoso, foi morar em Brasília e me deixou aqui na figueira.
O TAPETE VERMELHO

Mas que coisa! Você tem a maldita mania de querer diferente de todo mundo.
Ser diferente, fazer a diferença... qual o erro?
Se todos fossem iguais, qual a graça? A não ser que sejam iguais a você... Você não, o cara! Sai fora, meu.
Lá nas multinacionais nas quais trabalhei, os iguais fizeram a mesma coisa a vida inteira... o diferente era promovido, era mais notado.
Apresentava resultados diferentes porque estudava mais, se esforçava mais, observava mais, conhecia as melhores técnicas, era mais persuasivo e tinha um melhor gerenciamento das suas atividades; por essas qualidades, produzia mais.
Assim como na vida profissional, na pessoal, os diferentes são tratados de maneira especial; nem precisam competir muito pela atenção dentro do seu círculo.
No meio de uma turma, a lindinha nota o carinha porque ele é igualzinho aos demais? Nada disso! Por ser diferente, foi notado.
Sem ser diferente, não há como se destacar.
- Ah! Eu não sei; não tenho queda pra “Cidão”...
Geralmente, pessoas que pensam assim, têm a autoestima comprometida. Não se conhecem e não aparecer, é autodefesa.
Vivemos em um mundo dinâmico. competitivo; os círculos de amizades, as pessoas com as quais nos relacionamos.vão sim influenciar
Decisivamente em nossas vidas... elas nos indicam, nos recomendam.
Assim como não só do pão viverá o homem, não só nos.
Valores éticos e morais se apoiará quem queira realmente competir e vencer.
É preciso mais... Muito mais. Em um exame de seleção de candidatos, um tatuado, um barbudo, um introspectivo, um antisocial terá problemas de aceitação.
A menos que seja altamente criativo, demonstre grande inteligência e perspicácia, alto nível de determinação, qualidades que fazem a felicidade dos entrevistadores, conseguirá o emprego... são poucos os que possuem essas qualidades...a maioria é igual a um caminhão de...”Corinthianos”.
_ “Está bom do jeito que eu sou, não quero mudar”... Bobagem!.
Mude, seja diferença. Usando uma expressão “novíssima”: saia da vala comum.
As pessoas são umas diferentes das outras; faça da sua, uma diferença maior, obedecendo aos seus valores e fixando-se em seus objetivos. Quer dizer, armazene características que possam te ajudar no segmento de vida escolhido. Se você conseguir ser um profissional querido e respeitado é porque antes você atingiu um nível de aceitação muito alto no conceito dos seus.
No plano social, como conseqüência, será para você o mais lindo tapete vermelho.
Procure ser diferente e faça a diferença.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
UM AMOR BEM ASSIM

terça-feira, 8 de setembro de 2009
RONDANDO COM A MÚSICA

Rondando com a música
“ Se o ideal que sempre nos acalentou, renascerá em outros corações”. Charles Chaplin.
A história musical de Araçatuba é muito bonita, tão rica em talentos, que só um iniciado não consegue enxergar tanta gente boa fazendo música da melhor qualidade.
Não só o Chico Buarque, Bonfá, Gil, Caetano, Pixinguinha e outros, dignificaram a canção brasileira.
Ah! Araçatuba não faz nada que se aproveite em matéria de produção musical, nossos músicos deixam a desejar, é o que se ouve por ai.
Façamos uma ronda pela nossa música, então.
Vamos citar, como começo de prosa, um que se fez médico, mas já nasceu seresteiro: o doutor Renato Costa Monteiro... Sem dúvida, o maior nome na seresta desta cidade. Na medicina se ombreou com feras da sua época: Dr.Cotrim, Dr.Cardilli, Dr.Uchoa, Dr.Katsuda e na música brilhou tanto quanto.
Seu nome é respeitado, clinicando ou cantando . Com seus amigos Carlinhos, Geraldo, Dornelas, Rufino, Veriano Bispo, formou um belo grupo de seresta poetizando as noites, seja na cantina Bella Nápoli ou na Newton”s Pizzaria, principalmente
Possui o maior e melhor repertório; passeia facilmente por Pixinguinha, Adoniram, Guilherme de Brito, Chico Buarque, Ataulfo Alves e seleta companhia. Chão de estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa é a música da sua vida. Quer que os amigos a cantem na sua despedida....
Ouso dizer que a música “Sentimental demais” de ERvaldo Gouveia e Jair Amorim, foi escrita tendo o médico-seresteiro como fonte inspiradora, tamanha a sua sensibilidade.
São tantos: Maestro Brandini e , com ele, o excelente pistonista Jurandir Croti - o Jura - vindo de Gervásio e sua Orquestra , do Paraná, para brilhar nos carnavais de Araçatuba. Há quem se lembre ainda do saxofonista Milton.
Manfredini, o grande maestro de “Os Guanabaras” onde pontificava o pistonista Moacir.
Dona de belíssima voz e inesquecíveis performances: a Meire, cantando no Bola-Sete.
Marcou época o conjunto “The Yellows” com Rafa, Carlinhos, os irmãos Arthur e Dorival e Giba. Esses correram mundo, mostrando excelentes músicas em casamentos, bailes de debutantes e de formaturas; há que serem citados os conjuntos Corda e Vozes e o Tuba trio.
Quem gosta de boa música, pode ver Kadá, Bola, Querô , César Menezes, Mazzini, Mauro Brito, Marcelo Amorim, o violão “xonado” do Jorginho, o professor Beltrão e seus companheiros do Clube da Seresta.
Aos sábados, entre meio dia e cinco horas, ali na esquina da Torres Homem com a Chiquita Fernandes, Dr. Renato se apresenta com o exímio violonista Mário Eugênio, que integrou o famoso Astros do Amanhã, do saudoso Edson Gabariti, o Bolinha. Mário, gentilmente, acompanha quem queira mostrar talento... E os há, em quantidade e qualidade: José Soares, Militão, ainda o Giba, mostrando que o tempo não diminuiu seu grande talento.
É o sonho do grande médico-seresteiro: que o gosto pela seresta sempre renasça em outros corações.
José Hamilton Brito, membro do grupo do grupo experimental da Academia Araçatubense de Letras
Crônica publicada na Folha da Região - dia 10 de setembro de 2009 - Caderno Vida -Soletrando
terça-feira, 1 de setembro de 2009
...OU QUASE

José Hamilton Brito
No umbral
um passarinho.
No céu a lua
No horizonte
um clarão do sól
que nascia
O nascer
O morrer
Assim
se alternando.
de qualquer modo
a natureza...ali.
e você?
você...onde você está?
quais as ruelas
quais os descaminhos
por quantos ninhos...
tuas praias
...de cascalhos.
teu chão
...sem assoalho.
um céu sem sol
nem tua lua
tem fase.
....e comigo
você foi feliz
...ou quase.
__________________________
Um último beijo e você se foi. Depois...o primeiro soluço, o primeiro desejo insatisfeito, primeira saudade no peito, o primeiro wisk,o segundo, o terceiro...cigarros e cinzas.
Há um nada entre mim e você...um horrivel grito do silêncio é o que há.
Eu fui o teu engano mas você nao foi o meu. Diga, comigo...onde você se enganou.
Quero ser menos eu e mais você.Quero amar-te mais que a mim. Estar conTigo no fim....e muito além.
O vento vinha em lufadas...como ondas de um mar. A natureza parecia existir só para mim....só parecia.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
,,,so fazer

quinta-feira, 30 de julho de 2009
AGORA ESTA SAUDADE
Agora, esta saudade!
No pátio, um jardim; no jardim, uma fonte; na fonte, uma estátua deNossa Senhora de Fátima; nos braços estendidos da santa, um passarinho.
...um tiro.
Eis um passarinho estendido no... não, não estendido, mas boiando, e tingindo com o seu sangue a água cristalina.
Onde, quem atirou?
Em um seminário, e quem atirou foi um padre, professor de Gramática Latina e diretor disciplinar.
O desgr... digo, o santo padre tinha uma espingardinha de pressão e, nas noites de insônia, ficava
atirando nos gatos pelo bosque de eucaliptos que havia em torno do colégio. Durante o dia,
do seu quarto, ficava atirando nospassarinhos que pousavam nos braços da santa.
Foi assim. O menino, de família religiosa, coroinha, resolveu que seria padre e, junto com outros,
foi encaminhado pelo bondoso monsenhor, que a tudo deu jeito.
Só um se ordenou.
Lá, a vida transcorria entre orações, estudos e práticas desportivas e intelectuais. Não davam
oportunidade para um pecadinho, por menos safado que fosse.
Exemplo: na hora do banho.
Havia o primeiro apito para tirar a roupa; o segundo, abrir o chuveiro e banhar-se; o terceiro, fechar a água e enxugar-se; o quarto, abrir a porta do banheiro. Não dava tempo para... para nada.
Se o seminarista ficasse três dias sem comungar, lá vinha o diretor espiritual: "Fiiiilho, por que
não está comungaaando? O filho está em pecaaado?".
E a gente pecava. Ora, como pecava.
No carnaval, havia o retiro. Três dias sem poder conversar. Incomunicabilidade absoluta. Só
rezar. Formávamos grupo de dois ou três e circulávamos fazendo nossas orações, mais ou menos assim:
"Ave Maria cheia de graça... pô, você quase me arranca a perna naquela dividida... bendita sois
vós entre... cacete, você é um frouxo... Santa Maria, mãe de Deus... frouxo é o teu pai, você que é um cavalo... e bendito é o fruto... ah! vá pro diabo...".
Aproximando alguém, a gente rezava. Ao afastar, conversa mole. Depois, a gente confessava e
no próximo ano... o mesmo pecado.
Na capela, oração e recolhimento. Na rua ao lado, um bloco de carnaval na maior zoeira. Um
dia, montaram uma quermesse e do dormitório a gente escutava o Carlos Gonzaga "mandando ver" na Diana e uma tal de "A cerejeira não dá rosa, não". Nunca mais esqueci essa música. Na quaresma, solenidades na Catedral.
Bispo, monsenhores, padres ricamente paramentados. Quem não participava da liturgia no altar
ia para o coral de três ou quatro vozes. Quem já participou de um coral juvenil cantando "Adeste Fidelis" sabe do que falo. Até hoje o "zóio" fica molhadinho.
No teatro, encenamos Pueri Hebreorum, Henrique IV, Barrabás. Nunca soube que o danado tivesse um filho, mas eu fiz o papel. Treta do padre Cláudio.
No cine paroquial, encenamos uma ária de Verdi: "Vá Pensiero".
Não me ordenei. Mas lucrei muito. A formação que lá recebi me ajudou muito no curso de Letras
e, depois, no Direito. Me ajudou, sobretudo, orientando a minha vida.
Agora... bem... agora...
José Hamilton Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras
terça-feira, 21 de julho de 2009
UAI,FOI PRAGA!

Ta bom... foi praga.
Não, não sei quem jogou.
...mas pegou.
Família pequena.
Fundo do sertão.
Pai, mãe, menina.
...um irmão.
Modelo padrão
A vida... corria.
Menina... crescia.
Beleza de se vê.
Será? Foi o capeta?
Ou o sei-lá-o-quê?
Na hora da ordenha
...um bezerro manhoso.
Da peia, escapou.
A vaca... enraivou.
E lá no curral
Bem no lamaçal
Um corpo... ficou.
José hamilton brito
Grupo experimental
A SECA

A seca
A água secou.
Acho até
Nem Deus notou.
Nem lágrima.
Mas o sertão
...chorou.
O milho... já era
E sem a seara
A fome vingou.
Nem nuvem...
Nem novena...
Rezadeira ?
Escondeu-se
A menina?
...se perdeu.
Ninguém cuidou
...dos seus.
...nem Deus.
Pé no chão
Bicho no pé
...e na barriga.
Vida... perdida!
Missão cumprida
E o homem
...soçobrou.
Acho que ele
Nem Deus amou.
José Hamilton brita
Grupo experimental
terça-feira, 7 de julho de 2009
Cidades
ARTIGO
Caro amigo leitor
Vera Lúcia Garcia Galdeano
Quinta-feira - 21/02/2008 - 03h01
Vera Lúcia Garcia Galdeano,
colaboradora desta Folha, é professora em Birigüi e escreve neste espaço às quintas-feiras
Quero utilizar-me deste artigo para falar com todos os meus leitores desta coluna e responder a todos os cumprimentos aos meus escritos. Sinto-me cada vez com mais responsabilidade em proferir meus pensamentos. Eles são balizados,
analisados e comentados, e isto é algo de muita alegria para mim, que tento pensar a vida de uma forma diferente, que é a de enfrentar os problemas sem muitos conflitos, pois os conflitos só agravam as situações e postergam as resoluções. Para isto, os estudos e as pesquisas ilustram nossa vida.
Lendo grandes romances, analisamos a vida e a história de outros para aplicar aqueles conhecimentos adquiridos em nossas vidas.Quando falo em grandes leituras, não falo de livros de auto-ajuda que prescrevem receitas tão não aplicáveis a nossa realidade. Cada um tem sua história e é sobre ela que tem que surgir a análise de nossas ações. Um grande livro para se começar sendo um bom leitor e ver que a grande felicidade está nas coisas mais corriqueiras e simples é “O Fio da Navalha”, de Somerset Maugham; “Os Ratos”, de Dyonélio Machado, tem o mesmo valor.A leitura flui e o prazer de cada folha lida se acresce às demais. Não seja um leitor ávido, seja um leitor ruminante, aquele que lê poucas páginas, mas as saboreia como se fossem um manjar dos deuses. Pensar no que lê, refletir até concluir o porquê das ações dos personagens. Em que a época contribuiu para que os fatos fossem daquela maneira e não de outra. O local interferindo nas ações, as personagens que causam ação e reação. Enfim, o conflito como se é dado, as razões e se for aberto o final para que você busque o melhor, o seu final. Seja como um advogado abnegado que não descansa até chegar à mais satisfatória verdade. Um livro conhecido por todos e por esta razão pode ser debatido com muitos amigos, é “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. Será que Capitu traiu ou não traiu Bentinho? Será mesmo que todos os homens trazem dentro de si a saga de terem sido traídos um dia? Seria Bentinho o protótipo do homem traído, tão decantado e cantado nas músicas breganejas? Ou seriam as mulheres tão dissimuladas, capazes de levarem os homens àquele martírio vivido por Dom Casmurro, o Bentinho? Também “São Bernardo”, de Graciliano Ramos, que desperdiça toda a vida em busca de conservar a sua fazenda e deixar herdeiros para manter seu capital. Seus atos se tornam tão cruéis que ao se perguntar "se eu pudesse recomeçar... Para que me enganar seria do mesmo modo". Conclui que a profissão deixou-o um bruto.E assim, lendo, vamos aprendendo a analisar a vida. Esta é a grande razão da literatura romanceada. Diferencia-se da literatura científica que aponta soluções, caminhos exatos. Levanta hipóteses, apóia as pesquisas e desenvolve novas tecnologias. Mas voltemos aos meus leitores aqui representados, na figura de José Hamilton da Costa Brito, que por e-mail comentou meu artigo da semana anterior, intitulado “Amor”. Ele pergunta sobre meu cunhado, que teve a oportunidade de muito nos ajudar nos anos oitenta, quando passamos por terríveis problemas. Era assim mesmo como descreveu meu querido leitor, a pessoa de José Galdeano. Pronto a atender a todos, a nos ilustrar com seu conhecimento. Prefiro aqui transcrever o dito, intitulado "Uma Pergunta", pois acredito que assim o sentimento fica mais verdadeiro e as colocações ficam mais claras. “Senhora, lendo o teu artigo Amor (Folha da Região, 14/2, Cidades, B2) - em um dos parágrafos, a senhora fala da ação do abraço como fator de liberação da ocitocina... Revi um quadro várias vezes repetido na minha vida profissional, ou seja, vi um amigo, representante de laboratório farmacêutico chamado José Galdeano me explicando questões de anatomia, farmacologia e fisiologia, posto ser ele experiente e eu iniciante no ramo. Lendo o artigo e ligando os sobrenomes, achei que a senhora pode ter alguma laço de parentesco com o meu finado amigo... Tem? Tendo, meus parabéns, pois ele era um grande homem e um muito bom amigo.”Este é um grande leitor, foi capaz de se transformar em leitor sujeito. Foi capaz de unir a sua história de vida ao discutido no artigo. Ainda mais, capaz de traduzir-se em grande escritor, traduziu em poucas palavras todo grandioso sentimento e agradecimento por alguém que de uma forma tão singela ajudou-o a construir sua carreira profissional. Poucos são capazes de tal grandeza. Lembrem-se que, em nossa sociedade patriarcal, os homens, os chamados meninos homens, foram educados a não demonstrarem seus sentimentos. As mulheres, sim, podiam chorar e lamentar-se. Talvez seja por isto que elas se lamentam tanto, dos maridos, dos filhos, do trabalho e até mesmo de sua existência. Tenho visto muitas pessoas que ao final de suas vidas só contabilizam perdas. É como se fosse uma existência de perdas e mais perdas, incapazes de falar dos ganhos. Como aqueles agricultores que, se está chovendo, está estragando a plantação; se faz sol, é a seca a causadora dos estragos. É como nunca tivessem uma colheita ou uma safra com bons resultados.Que todos sejam tão estudiosos, tão sabedores e capazes de compartilhar seus conhecimentos com os amigos encontrados na história da vida como José Galdeano, e que todos sejam tão grandes e humildes para reconhecer os amigos como o José Hamilton da Costa Brito.
Para ler a matériadiretamente no jornal clique nas imagens acima.