Meu primeiro livro virtual

quarta-feira, 16 de julho de 2008

PESCARIA NO PARANAZÃO


Tem uma outra pescaria feita lá no paranasão.

Como éramos uma corja de quebrados, compramos um motor de popa de 5 HP em quatro sócios. Dava, desde que a velocidad não fosse o maior interesse; ah! sim. e não fosse em aguas muito caudalosas.

Mas o bicho era nosso e cuidávamos com carinho.

Um dia, fomos lá no Aruanã, perto de Castilho; como não tínhamos outro, levamos o ¨cinquinho, mesmo não sendo o recomendado para aquelas águas.

Descemos o rio, com tres ocupantes, para pescar ali pertinho, isto, por volta de quatro horas da tarde. Ficamos perto do rancho...nada. Descemos um pouco mais...nada. E assim, quando demos conta..pô, a gente tinha descido bastante, estavamos longe do rancho e...rio abaixo...e com um motor de popa fraquinho para aquelas condições.

Para baixo todo santo ajuda...pior, nem uma fisgadinha, nem ¨pelamordedeus¨¨.

- Bem moçada, s¨imbora...

Estávamos subindo o rio e vimos um galho no jeito de colocar um anzol de espera...quem sabe no outro dia não houvesse ali um baita. Encostamos o bote e ao amarrar o anzol, meu amigo deu um salto e disse:

-Meu Deus, a cobra me pegou.

Eu, que estava com a lanterna na mão, imediatamente dirigi o foco da luz e realmente vimos uma cobra , danada de grande, se arrastando pelo galho.Gritei para o que ia no motor de popa:

-Afasta rápido, tem uma cobra nos galhos.

Imediatamente ele se dirigiu para o meio do rio e fomos avaliar a picada da bicha no braço do nosso amigo. Havia um risco de sangue, realmente...mas cobra quando acerta a picada não deixa risco e sim as tres marcas do dentes. Após cuidadoso exame, dissemos:

-Olha meu chapa, a cobra não te mordeu.

-Cobra não morde, seu filho da puta.

Naquele estado de ânimo, melhor, de terror, falar pouco adiantava.; amarramos o braço acima da picada-mordida e começamos a subir o rio em busca de socorro...com um motor de popa cinquinho.

O colega chorando, resmungando, pedindo encarecidamente que cuidássemos da família dele,não deixássemos os filhos passar fome, etc, ectc...

Olha, mais de quarenta minutos, com aquela lesma de motor, nem a metade do caminho havíamos percorrido...e o colega dormindo um sono tranquilo.

-Carlinhos, se a cobra tivesse picado o Ailton, ele ja tinha morrido. Olha como ele dorme tranquilo.

- Picou o rabo dele, quando eu vi o risco, percebi que ele se machucou no espinho, fui falar e ele me mandou tomar , sei la onde...larguei mão.

E assim continuamos a subir o rio, mais tranquilos.

Quase chegando, meu amigo viu um conhecido apoitado no meio do rio e parou para falar com ele, sobre a compra de um motor de popa melhor que o nosso; ia propor um negócio de troca.

A conversa estava animada, quando o Ailton acordou.

-Dois filhos da puta, eu morto aqui e vocês fazendo negocio com o meu motor de popa.





Protaonista um : Hamilton Brito

Protagonista dois : Ailton Silva

Protagonista tres : Carlinhos Peruzinho

Protagonista quatro a cobra
AUTOR: Hamilton Brito










Um comentário:

Sylvia Senny disse...

muito bom!! Gostei do que li.


adicione meu blog ao seu tb!

gde abraço
Sylvia Senny